sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Por que os homens traem

?


Os homens são as maiores vítimas do próprio machismo. Tipo o comandante que alimenta a caldeira do navio com madeira do casco. Aí afunda e não sabe por quê.

Antes de desabrocharem os primeiros pentelhos, o cara já é estimulado a ser pegador. Aliás, enquanto se troca a fralda do bebê, a família adora fazer comentários sobre o pinto do moleque e dizer que logo logo ele vai estar comendo muita ****** quando crescer.

Quanto mais pegar, mais macho é. Tem que desejar a seminua do outdoor, a caixa peituda do supermercado, a transeunte de vestido transparente. Legal. Só que na hora de se comprometer, o cara continua - involuntariamente - inclinado a querer outras.

A lógica é simples e acontece em muitos outros aspectos da vida. Ex-fumante, por exemplo, acostumado a acender um cigarro depois de botar o pelé pra nadar cagar, sempre vai sentir muita vontade de fumar quando sentar na privada. Atos repetidos viram hábitos. Maus hábitos viram vícios. E qualquer grande prazer é um vício em potencial.

Claro que isso não justifica nem alivia traição. Mas mostra que a história é bem mais complicada do que pensam as mulheres - especialmente as traídas. Já tratei superficialmente do assunto, mas foi necessária uma pesquisa aprofundada. Não com base em mim ou na minha experiência, mas sim no que observo dos casais por aí. 

Segundo meus estudos empíricos, pelo menos 85% dos homens precisam de meia centena de sessões no psicólogo pra largar essa taradice. Ou sessões de tortura, aos que recusarem o tratamento. Só que quase todos buscam o caminho mais fácil, a pokerface - também conhecida como "cara de pau".

Mas aí entra um ingrediente interessante. Acredito que 30 a 40% das mulheres tenham mente masculina, para o bem e para o mal. Assim como homens, elas fazem uma clara separação entre amor e sexo e muitas têm lá suas dificuldades pra andar na linha.

Não importa, pelo menos funcionam como uma espécie de vingança feminina. Com o diferencial de fazerem tudo muito bem, tipo o crime perfeito, sabe? É que o homem, quando se acostuma a trair, começa a ficar destrambelhado. Inconscientemente acha que nunca vai ser pego. Mais ou menos como um motorista apressado vai ganhando confiança ao volante e fazendo cada vez manobras mais perigosas. Até dar com o nariz no poste.

Mulher não. Toda frieza que falta no relacionamento sobra no planejamento da pulada de cerca. Se não contar pra amigas, nunca ninguém saberá. O ato escapa até do radar dos videntes. Elas são o chicote dos traidores contumazes, esses que têm seu par, comem todo mundo e se acham o máximo por isso. Mal sabe  que, na melhor das hipóteses, está só empatando com a namorada.

Mulher é capaz de se atirar cegamente no relacionamento, mas não é tão burra quanto acham os adúlteros. Bem feito.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Crônicas de Nada: O inxirimento do meu melhor amigo




Vou logo abrir o jogo: morri. E não foi nada honroso. Cravaram-me um gargalo de Cerpa na jugular. Cerpa! E o pior: o assassino era meu melhor amigo. Estranho, né? Eu explico.

Me dava bem com o Gustavo desde a época do colégio. Até fazíamos competições para ver quem ficava com fulana de tal. Até o fim dos estudos, eu ganhava por 5x3. Talvez aí esteja a origem do problema. Até hoje, ele acha que a competição continua.

Mas calma lá, sempre foi um embate saudável. Nunca brigamos por mulher. A questão é que o Gustavo continuou querendo se provar mais pegador que eu, até enquanto namorava. Mesmo sem estímulo meu, ele se gabava das puladas de cerca e das gostosas que pegava. Beleza.

Certo dia, como de costume, marcamos para tomar um uisquezinho entre amigos no Bar Fuleiral. Como de costume, ele se atrasou. Enquanto eu tomava a primeira dose, liguei e ele respondeu que já ia chegar; estava só pagando a conta do motel. Beleza.

Gustavo chegou meia hora depois, com cara cínica, de mãos dadas com a namorada, mais cínica ainda. Rolava o papo, com outros três amigos, eu ficava só matutando que piada sem graça faria sobre o casal que acabara de saciar seus impulsos sexuais. Até que não resisti e comentei com a namorada dele:

- E aí, foi bom pra você?
- Bom o que?
- A saliência...
- Que saliência?
- A sacanagem!
- Que sacanagem?
- O inxirimento!
- Quê?!
- Ué, o Gustavo disse que vocês estavam no motel
- Motel? Eu não tava, ele acabou de me pegar em casa...  – respondeu, séria, quase com raiva.

Durante essa conversa, Gustavo me fitou com olhos arregalados, ficou empolado, suvaco pinicando e rosto enrubescido. Até que não resistiu, puxou uma garrafa de Cerpa Gold da mesa ao lado, quebrou-a com um golpe na mesa e me gargalou com o movimento de um lutador de esgrima. Minha única reação foi responder “O quê? Não! Cerpa?!”.

Beleza.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

POLÊMICA: apanhei da turma do SIM

Campanha do SIM fuçando meu Twitter



Me sinto como um médico que cai de para-quedas no fogo cruzado entre franceses e russos em plena Moscou de 1814. Naquela época tinha para-quedas? Não interessa, só sei que foi assim.

Mas, resistindo a tentação dos gracejos, foi incrível ver que fui atacado pelos partidários da criação do estado de Tapajós, por conta de uma matéria que escrevi para o Portal Terra. Eu me limitei a descrever aqui o desagrado que causou a opinião de Paulo Henrique Amorim, veiculada na propaganda política do SIM, mas fui escrachado aqui, como se eu fosse um antirrevolucionário em plena Paris de 1789 (adoro datas históricas né?).

O texto é surreal. A começar por superestimar minha importância, dizendo que usei minha "influência para atacar nacionalmente, em uma matéria totalmente tendenciosa". Também é pura viagem dizer que eu incito ódio entre os dois lados da campanha. Já o significado de "isonomia da imprensa" eu não consegui decifrar.

Stalkearam-me, para intimidação. Eu rio só de imaginar os caras procurando alguma opinião séria minha aqui no blog e no meu twitter, não encontrando e pensando "putz, esse cara só fala merda". 

Confesso que, logo de cara, fiquei meio assustado pensando se não tinha escrito alguma besteira. Mas em questão de segundos vi que os ataques a mim eram tão vazios que nem fazia sentido eu me justificar, no blog deles. Como sou um aproveitador, resolvi jogar em casa, com a minha torcida do Oásis da Inutilidade, e dar a resposta aqui, para ganhar ibope e dar sobrevida a esta moribunda caderneta virtual.

O mais interessante de tudo é que não vejo problema nenhum no fato de Paulo Henrique Amorim ter apoiado a divisão. Ué, todo mundo aqui dá pitaco sobre o conflito Israel X Palestina, qual é o problema? O tiro no pé foi a turma do SIM ter escolhido o jornalista para falar na propaganda da campanha, porque a opinião dele é pouquíssimo relevante para os paraenses, assim como meu ponto de vista é de mínimo interesse para os palestinos e israelenses. Mas se me convidarem pra falar sobre o assunto na Al Jazeera, eu vou. Só não garanto voltar vivo de lá.



Ao Paulo Henrique Amorim, tem apenas uma coisa que gostaria de falar:

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Futebol: o pior esporte do mundo.





Não existe pior. Chamar futebol de esporte é uma concessão conceitual, já que os atletas se cansam durante a partida. Na verdade, trata-se de uma atividade mista, uma espécie de jogo-de-azar/esporte. Com o defeito de, quase sempre, ser chatíssimo de se assistir.

Em termos de diversão, comparo o futebol a uma criança recém-nascida que hiberna 16 horas por dia. Ver o moleque dormindo logo enjoa; a família quer que ele sorria, chore, peide, qualquer coisa que saia da mesmice. E só tem o privilégio de ver as melhores partes aquela pessoa que passa enfadonhos plantões com a cria: sua mãe.

No futebol é a mesma bosta coisa. A força de Murphy faz com que a gente se programe pra assistir só as partidas que calejam o globo ocular, enquanto que, quando acontecem coisas assim, ficamos sabendo por amigos (todos menos a gente) e temos que nos contentar com o resumo dos gols na voz marcante de Léo Batista. A não ser os fanáticos, que fazem plantão em frente à TV, esperando o raio cair no mesmo lugar de novo. A esses, o pútreo odor do meu flato, já que fanático de qualquer raça é chato pra caramba.

Cara, é sério: poucos esportes têm a possibilidade de não acontecer nada durante o embate. O MMA tem o mesmo risco, mas a emoção por minuto é bem mais densa. Até o grande concorrente de pior esporte do mundo, a Fórmula 1, obrigatoriamente terá um vencedor no fim. Mas esqueça F1; é apenas uma competição tecnológica, em que o piloto só sua pelo medo de morrer.

Inteligentes foram os norte-americanos. Transformaram o soccer em football incluindo o elemento da porrada. A mesma coisa rola no hockey: golzinho pra cá, golzinho pra lá e, de vez em quando, uma pausa para afagos.

Esportes tendem a ser mais emocionantes quando têm pontuação o tempo todo. No basquete, tênis, vôlei, é tudo lá é cá. No futebol, a gente tem que esperar lateral, tiro de meta, falta, marcação até a bola chegar na entrada da área e o Zé Augusto chutar pra arquibancada.


A emocionante partida de futebol, segundo Skank


E por falar em arquibancada, assistir jogos no estádio pode ser interessante. Desde que se vá com radinho, grupo de amigos, cerveja, em um jogo de série A - ou com a certeza de vitória do nosso time.


Outro grande problema são as injustiças. Futebol depende quase tanto da sorte quanto pinball. A imponderabilidade das zebras irritantes são bem-vindas. Dizem que é o esporte mais praticado no mundo por ser imprevisível. Assim, Pedra-papel-e-tesoura deveria estar pelo menos nas Olimpíadas.

A essa altura você deve estar pensando "ah, então o Filipe odeia futebol". Não. Eu também gosto de coisas ruins. E não tenho culpa, sou uma mera vítima do sistema. Fui encucado de maneira osmótica a ser futebolisticamente patriótico e perdi a luta contra isso (mentira nem lutei). Um dos motivos é que, apesar de tedioso para se assistir, jogar futebol injeta litros de serotonina no cérebro, por ser uma atividade física estafante. E a cada gol, rola um turbo extra de neurotransmissores do prazer.

Portanto, amiguinhos, esqueçam essa porcaria de esporte que é o futebol. E acima de tudo, torçam para o Paysandu.






Enquanto isso, confiram comigo:



AS MAIORES ZEBRAS DA HISTÓRIA:







1 - Brasil 1 x 2 Uruguai (final da Copa de 1950): Não importa se o Uruguai tinha mais tradição no esporte, o Brasil já estava mais que maduro para ser campeão e jogava em um Maracanã com 200 mil pessoas.


2 - EUA 1 x 0 Inglaterra (Copa de 1950): A Inglaterra era uma potência e o futebol nos EUA era tipo o basebol aqui.


3 - Alemanha 3 x 2 Hungria (final da Copa de 1954): Não importa se a Alemanha jogava em casa, a Hungria de Puskas (um quase Pelé) tinha esquartejado todo mundo desde as Olimpíadas de 1952. Na copa, abriu 2x0 nos primeiros 15 minutos contra todos os adversários, incluindo aí o Brasil (nos ganhou de 4x2) e a própria Alemanha.


4 - Coréia do Norte 1 x 0 Itália (Copa de 1966): Como você pode perceber, um a zero é o placar mágico das zebras, né não?


5 - Portugal 0 x 1 Grécia (final da Eurocopa de 2004): Grécia sempre foi um time abaixo do medíocre. Nessa Eurocopa, ganhou quase todo mundo só de 1x0, com uns chutes em que a bola batia no teto e entravam no gol. Portugal jogava muito bem, em casa, com Felipão no banco, Cristiano Ronaldo começando, mas deu zebra.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Prefeitura de Belém contabiliza três travessias pela passarela da Júlio César


Reuters - A Prefeitura Municipal de Belém divulgou, em coletiva de imprensa realizada esta manhã, o balanço de dados sobre a utilização da passarela na avenida Júlio César, inaugurada há um mês. Até agora, houve três travessias.

A primeira pessoa a atravessar foi a sobrinha do prefeito, durante a inauguração da passarela. A moça subiu, posou aos fotógrafos e desceu pelo outro lado. As outras duas travessias foram feitas pela mesma pessoa. Na semana passada, uma idosa de 87 anos usou a passarela para ir ao outro lado da avenida e, logo em seguida, notou que errou o caminho e atravessou de novo, voltando para onde estava.

Durante o último mês, o número de travessias pela faixa de pedestres da avenida, a poucos metros da passarela, permaneceu estável, em torno de 240 mil.

sábado, 26 de março de 2011

Bastidores, presepadas e uma entrevista com Iron Maiden

Mr. Smith na strato

Até os 15 anos, poderia ser confundido com qualquer adolescente roqueiro de Londres. Inclusive quando largou a escola, começou a tocar guitarra e formou uma bandinha com colegas. A mudança começou quando foi convidado para tocar em uma banda que estava no limiar do sucesso global.

Seguido ao estouro, fez milhares de turnês, vendeu milhões de álbuns e passou a ser considerado um dos melhores e mais influentes guitarristas do mundo.

Na sexta-feira, conforme havia se comprometido, pegou o telefone e...

XXX


Até os 15 anos, poderia ser confundido com qualquer outro metido a roqueiro de Belém. Começou a tocar guitarra na adolescência, formando bandinhas com amigos. Chegou a ser considerado o melhor jornalista do quarteirão, do desabitado bairro onde vive às custas do pai.

Na última sexta-feira, conforme o esperado, ouviu o telefone tocar, atendeu e...


- Hello, my name is Filipe and i`m a journalist from Belem
- Oi.
- Hehehehehe oi.


Mr. Che Philips na strato


Foi assim que dois caras com realidades totalmente distintas começaram um diálogo de 12 minutos por telefone. Um estava dentro de uma redação cheia de jornalistas, enquanto que o outro, presumo, estava cercado de mulheres semi-nuas oferecendo um drink naquelas taças que parecem funil, com uma frutinha pendurada. Ao menos assim imagino, embora eu não tenha ouvido sussurros femininos. Talvez porque a mulher estivesse ocupada com ...ah, não me interessa.

Mas, convenhamos, pra quem só tinha entrevistado celebridades do tipo Roberto Jeferson, Mulher Melancia e Jerry Adriani, falar com Adrian Smith, um dos guitarristas da lendária banda de heavy metal Iron Maiden, é uma leve subida de nível. Igualmente incomum foi eu ter entendido 91,2% do que ele falou, sob um inglês britânico com o qual parecia, em vez de expelir, engolir algumas palavras. Por exemplo, a pronúncia dele de "Iron Maiden" era algo do tipo "ao mêdn".

Também me chamou atenção a intensidade do uso de bengalas de linguagem como "é...", "poisé", "então", "tipo..." e "...você sabe...". Chegou até a gagejar uma ou outra hora, pra achar as palavras de forma a ser  melhor entendido. Mas claro, manteve uma distância segura da vergonha que passou o repórter com seu inglês em avançado estágio de oxidação.

Também fiquei decepcionado com o atraso dele, logo um sir britânico. Ligou três minutos depois do combinado. O papo foi rápido, mas até rendeu. Só não deu tempo de eu passar umas dicas de guitarra pra ele. Fica pra próxima.

Só uma observação importante: não fui o único responsável pelo resultado dessa entrevista. Escalada para tal labor, a Andressa Gonçalves me passou a bola porque foi marcado para um horário que ela não podia. Como um bom sanguessuga que sou, aproveitei algumas perguntas que ela já tinha formulado e assumi sozinho os méritos por esse grande feito.

Mas falando sério, agradeço ela por ter confiado em mim para a entrevista e por ter deixado eu aproveitar de um trabalho que ela já tinha feito. Em outras palavras, ela driblou o goleiro e tocou pra mim.

  
Pronto, chega de enrolação. Confiram comigo no replay:



(Publicado em 27.03.11 em O Liberal e no jornal Amazônia)

A expectativa pela chegada da turnê The Final Frontier a Belém domina não só o público, mas também os integrantes do Iron Maiden. Em entrevista pelo telefone, o guitarrista Adrian Smith, 54 anos, demonstrou que a ansiedade pelo show não é exclusiva dos fãs. Ele se disse animado para conhecer o público da cidade, uma das poucas dessa turnê que ainda não foi visitada pela banda.

Quando o assunto é Brasil, integrantes da banda logo lembram as memoráveis apresentações nas três edições brasileiras do Rock In Rio, tema citado com nostalgia por Adrian. Não é à toa que o país é um dos mais privilegiados nessa tour, com seis apresentações da banda; só perde para Alemanha e Austrália, ambos com sete.

Um três guitarristas do Iron Maiden, Adrian é inseparável do vocalista, Bruce Dickinson. Entraram na banda na mesma época, no início da década de 1980, pouco antes de o grupo estourar mundialmente com o álbum Number of The Beast. No início da década de 1990, saíram para lançar dois álbuns solo, e voltaram em 1999. Adrian participou da gravação dos últimos quatro CDs da banda, inclusive o aclamado The Final Frontier, lançado ano passado e base do repertório da atual tour.

Com linguagem coloquial e simpatia, Adrian falou sobre Grammy, o sucesso do novo álbum e lembrou seus tempos de fã da banda Deep Purple.







O Liberal - Você sabia que um grupo de fãs esperou uma fila de 15 horas até que os ingressos começassem a ser vendidos, em novembro?

Adrian Smith - Sério? Isso é espetacular.

O Liberal - Eles queriam ser os primeiros a comprar ingressos.

Adrian Smith - Isso é ótimo! Nunca tocamos em Belém antes, então estamos curiosos para ver. No resto do Brasil as reações, desde que tocamos no Rock In Rio, há 20 anos, têm sido fantásticas. Então, parece que vai ser um bom show, sabe?

O Liberal - Iron Maiden deve ser a maior banda a tocar em Belém. Isso faz o show ficar ainda mais especial para vocês?

Adrian Smith - Sim, é sempre excitante ir aonde você ainda não tinha tocado. Então, é claro que estamos animados. Estamos tocando em muitos lugares nessa turnê e pouquíssimos deles ainda não conhecíamos, e Belém é um deles. Estamos animados com isso.

O Liberal - Porque a banda toca em lugares fora do grande circuito, onde outras grandes bandas não costumam ir, como Indonésia, Cingapura e agora Belém?

Adrian Smith - Eu acho que as coisas estão muito diferentes e mudando rapidamente com a internet. As pessoas têm mais acesso a músicas e bandas. Acho que por isso Iron Maiden se torna mais conhecido. Nós estamos em um avião enorme, o Ed Force One, então somos capazes de chegar a esses lugares. E a gente sempre toca onde a gente sente que deve tocar. Quando surge uma possibilidade de tocar em um lugar diferente, a gente sempre leva em consideração a hipótese. Nós temos meios para ir até lá, nos divertir, então, você sabe, porque não tocar lá?

O Liberal - Em uma entrevista para a revista Roling Stone da Indonésia, Bruce Dickinson (vocalista do Iron Maiden) não pareceu muito empolgado por ter ganhado o Grammy esse ano. Isso não significou nada para a banda?

Adrian Smith - Bem, para ser honesto, eu não sei bem... assistindo a cerimônia do Grammy a gente percebe que é tudo muito “showbusiness”, muito “Hollywood”, enquanto que Iron Maiden está a milhões de quilômetros de distância disso. Preferimos parecer uma banda real, cometemos erros, não somos perfeitos. Eu acho que as pessoas apreciam...(silêncio)... eu quero dizer, nada contra o Grammy, é legal ser reconhecido. Então, é, eu quero dizer, você sabe... por outro lado, muita gente vai dar importância ao Grammy e eu não vejo nada de errado nisso. Se, se, se...se isso faz as pessoas ficarem curiosas sobre a gente, então está ótimo.

O Liberal - Em uma mão vocês têm o Grammy, mas na outra, vocês estão no topo das paradas em 28 países. Imagino que isso signifique mais...


Adrian Smith - Sim, exato. É incrível.

O Liberal - E é o último álbum, e não uma coletânea de músicas antigas, que as pessoas estão ouvindo e adorando. O que isso significa para você?

Adrian Smith - Bem, a gente acha que é importante criar e tocar novas músicas. Pessoalmente, eu acho muito satisfatório escrever algo e ser criativo. Eu imagino que nós poderíamos sair em turnê e tocar nossas músicas antigas, o público provavelmente ficaria bastante feliz. Não queremos isso; queremos criar novas músicas, fazer novos shows e realmente continuar a nos desafiar.

O Liberal - Qual é a principal diferença entre os seus primeiros fãs, dó início da década de 1980, para os atuais, que vão para os shows hoje em dia? Há muitos jovens hoje; eles são diferentes dos jovens que iam aos shows de 30 anos atrás?

Adrian Smith - Bem, os jovens da década de 1980 ficaram mais velhos (risos). É verdade, temos muitos fãs jovens, o que é maravilhoso. Quem me dera que eu soubesse o segredo; eu iria engarrafá-lo e vendê-lo. Eu acho que parte do motivo é porque não há muitas outras bandas fazendo isso.

O Liberal - Por que será?

Adrian Smith - É muito incomum uma banda estar na ativa por tanto tempo quanto Iron Maiden, sabe, e continuar em turnês e manter o ritmo... E, eu acho que um monte de jovenzinhos que vêm aos nossos shows nunca estiveram em uma apresentação de rock antes, nunca viram alguém tocando solos de guitarra e nunca ouviram as melodias. Em muitas bandas que você ouve há uma atitude heavy metal e têm o som pesado, mas se você parar para ouvir nosso som, vai perceber que há muito de melódico.

O Liberal - Mas os fãs de hoje são, em algum aspecto, diferentes daqueles de muitos anos atrás?

Adrian Smith - Não. Eu lembro quando eu era criança e fui ver Deep Purple. Foi muito emocionante ver uma banda de rock e os caras tocando os instrumentos, muito legal. É isso que a juventude quer ver, ao menos é a única coisa que eu posso imaginar que eles possam querer. Com certeza não é pelas nossas aparências.

O Liberal - Vocês foram influenciados por Deep Purple, mas também influenciaram muitas grandes bandas como Dream Theater e Metallica. Como você se sente em relação ao fato de que o primeiro show que eles assistiram, quando jovens, talvez tenha sido o seu e agora eles contam histórias semelhantes à que você contou agora?

Adrian Smith - Pois é, estamos na estrada por um bom tempo, fazendo muitos shows em muitos países, para muita gente, o que acaba influenciando muita gente. Você nunca esquece o primeiro show que viu. Acho que as pessoas pegam essa inspiração para alimentar sua própria criatividade. Isso é ótimo.

O Liberal - Os fãs brasileiros devem estar curiosos de por que o país não vai aparecer no próximo DVD, enquanto que Argentina e Chile foram escolhidos. O que você diria a esses fãs, já que eles podem ter ficado com um pouco de ciúme?

Adrian Smith - Bem, você sabe, nós já fizemos o Rock In Rio e não se pode fazer algo maior do que aquilo.

domingo, 20 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

10 músicas que formaram meu caráter




Amo música. Um simples toque no play faz transbordar minha mente de serotonina. Não há tédio que resista a um bom som. E são muitas que me dão prazer.

Só que eu nunca seria capaz de fazer uma lista das dez preferidas, é impossível. Por outro lado, dá para medir o impacto de músicas na minha vida em cada época. E é isso que me proponho a fazer neste post, inclusive em ordem mais ou menos cronológica. Não são necessariamente as melhores, mas sim as mais marcantes.

Ao olhar a lista, o leitor mais atento, inteligente, santista e bem-dotado deve observar que comecei a ser tocado pelo rock ainda novo e essa veia se fortaleceu com o tempo. Não faço ideia do porquê, já que nunca tive uma influência tão direta para gostar de músicas mais pesadas. Quando ouvia algo com um pouco mais de pegada e distorção sentia arrepios no útero e, meio sem entender, dizia para mim mesmo "é isso!".

Por exemplo, os únicos três segundos de distorção da música Camila, do Nenhum de Nós, eu colocava em repeat ad infinitum. Assim como ficava esperando ansioso pela parte final de Wasted Time, do Skid Row, pra ouvir os gritos orgásmicos do vocalista Sebastian Bach.

Cada música escolhida aqui é uma representante de um estilo que eu gosto. E todas, mas ou menos, contribuíram de alguma forma para eu ser quem sou. Aposto que vai ter gente que vai dizer "não conheço nenhuma dessas aí". Nesse caso apenas lamento a pobreza de seu gosto musical.

Confiram as músicas que formaram meu caráter e depois me digam se eu tenho um gosto esquisito ou se sou normal:


1 - Black or White - Michael Jackson (7 anos)




Lembro de forma cristalina de que, quando essa tocava música na rádio, eu e meus irmãos parávamos tudo. Eram os primeiros suspiros do rock na veia. Interessante isso ter acontecido pela música de um cara que só gravou dois bons rocks (essa e Give it to me).

Passeio o resto de minha vida inteira tentando gostar das outras músicas dele e desisti quando ele morreu. É bem chatinho.

2 - Twist and shout - The Beatles (10 anos)





Realmente não lembro de maneira exata se a primeira vez que ouvi foi em uma fita K7 com várias dos Beatles ou se foi no filme Curtindo a Vida Adoidado, naquela cena que parece de um musical. Só sei que marcou mais por causa do filme e, daí, eu colocava a fita para re-ouvir.

A música é totalmente diferente das outras dos Beatles. Ela é cantada aos berros, em ritmo de rock n roll, nunca entendi por quê. Só sei que ela fazia fervilhar o proto-metal dos meus ovários.

3 - Wasted Time - Skid Row (12 anos)




Em fim, metal. Começa como balada melancólica, tem solo no meio e termina com gritos desesperados. Tem coisa melhor? Por um bom tempo, achei essa música a mais bem executada desde que um músico neolítico começou a soprar em ossos com furinhos. Hoje em dia, mantenho opinião semelhante. Restou também a convicção de que Sebastian Bach é o melhor vocalista de metal que já existiu.

4 - Faroeste Caboclo - Legião Urbana (12 anos)




Aqui posso culpar diretamente meus dois irmãos mais velhos. Junto com eles - e com o caçula na cola - decorei 90% das letras. Dessas, ainda lembro perfeitamente de uns 80%. Existem várias outras marcantes do Legião Urbana, mas essa pode resumir em si mais ou menos tudo o que a banda significou.

A música começa com um violãozinho, tem seu momento rock e acaba bem agitada. Embora mais marcante, não é minha preferida. Sempre gostei mais de outas, mais pesadas, tipo 1965 (Duas Tribos), Perfeição e La Nuova Gioventú.

5 - Civil War - Guns n Roses (13 anos)




Fui ouvinte tardio dos Guns, mas não menos assíduo. Passei a ouvir depois que o @Rafaelfaraon selecionou em K7 as que ele achou serem as melhores músicas da banda. Estranhamente essa não constava na lista; conheci um pouco depois. Por algum tempo, era a minha resposta para "música preferida" naquelas listas de perguntas que adolescentes se encaminhavam pelo Zipmail.

Talvez minha preferida seja Breakdown - essa sim constava na fita. Não sei. Fiquem com Civil War como um resumo da ópera dos Guns e a síntese de como me marcaram.

6 - Espelhos Mágicos - Oficina G3 (14 anos)




Talvez seja o rock que mais toquei na vida. Claro, sem o rigor técnico do Juninho Afram, cujo solo, por um bom tempo, achei um dos mais bonitos já criados - hoje, ficaria só com uma menção honrosa.

Espelhos Mágicos é um rock direto, com riff bacana e teclado no fundo. O coro cria uma atmosfera apoteótica e o solo é o ápice. É a música do Oficina G3 mais tocada por bandas covers em igrejas (é evangélica, caso você não saiba). No mesmo álbum, a música de abertura, Davi, talvez seja melhor. Só não foi tão tocada porque a letra era menos direta e a execução, bem mais complicada.

7 - Carry On - Angra (14 anos)




Quando se depara com uma comunidade no Orkut com milhares de membros, cujo nome é "Toca Carry On", é sinal de que a música deve ter algo de muito especial. E tem.

Por essa banda eu fui apresentado ao heavy metal melódico e a solos de guitarra que pensei não existirem. No começo, achei a batida rápida demais, mas logo acostumei. Duas guitarras fazem duetos e se revezam em solos, enquanto que o vocalista faz falsetes que soam feminino. É uma música inigualável, incrível, estrobusecável (achei o adjetivo que a define).

8 - The Mirror - Dream Theater (15 anos)




No começo era só uma banda estranha e obscura que um amigo guitarrista nos apresentou. Aos poucos as músicas foram ficando palatáveis até chegar ao ponto de eu ir para São Paulo em uma grande caravana (eu, @victorfaraon e @rafaelfaraon) para assistir o show dos caras.

É claro que essa música é apenas uma amostra de um todo que até hoje abre novas marcas na minha veia musical. Ela faz parte do álbum Awake, desprezado pelo público, mas preferido por mim. Tem uma guitarra seca, pesada e gravíssima, com quebras de compasso e contratempos que outras bandas ainda imitam à exaustão.

9 - Tender Surrender - Steve Vay (18 anos)




De chorar. A melhor música instrumental de guitarra já executada, desde que aquele neolítico que eu falei deu o primeiro sopro no osso furado. E é o guitarrista mais revolucionário desde Jimmy Hendrix.

Ele faz menos sucesso que o Joe Satriani por se dedicar mais em loucuras guitarrísticas do que na melodia em si. Mas nessa música (se não me engano, é baseada em riff do Hendrix) ele une perfeitamente a técnica insana com harmonia primorosa.

10 - Halellujah - Jeff Bucley (26 anos)




Essa música me trouxe um êxtase que eu não sentia desde que Napoleão Bonaparte cruzou o rio Sena após campanha vitoriosa na Europa atravessando a Champs Elisées por baixo do Arco do Triunfo. A guitarrinha tocada com a sensibilidade de uma harpa e a voz com feeling perfeito me chamaram atenção de cara. Logo depois também notei que a letra é muito bonita, de clara inspiração bíblica ("Eu soube que havia um acorde secreto / Que Davi tocava, e que agradava o Senhor / Mas você não liga para música, não é?").

A música é, na verdade, de Leonard Cohen. Mas como eu duvido que a versão original barre a do Bucley. Nem nem quero ouvir-la para não estragar.

terça-feira, 1 de março de 2011

Manual do Tuiteiro em 10 Passos




1 - Retuíte quem te elogiou;

2 - Siga desconhecidos só para ser seguido de volta e dê unfollow caso não obtenha a recíproca;

3 - Lembre-se: chute no saco dói menos que unfollow;

4 - Colocar "(Clarisse Lispector)" no final de uma tuitada aumenta em 67% a possibilidade de ser retuitado;

5 - Mantenha esta nota mental: 2a feira = reclamar, 6a feira = comemorar, Meio dia = fome, Tarde = sono, Matrugada =  insônia;

6 - Bem humorado = conte uma piada. Mau humorado = reclame de piadas alheias;

7 - Retuíte o cara da moda, não importe a merda que ele fale;

8 - Se der unfollow em alguém, entre sempre no perfil dela para saber o que ela tuíta;


9 - Quando der um branco, não houver mais o que tuitar e for a hora de largar o computador para abrir um livro, tuíte a letra de uma música;

10 - Mas se o branco permanecer e você continuar com a necessidade de falar qualquer coisa, se mate. É melhor do que correr o risco de tuitar um horóscopo.


















segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Fenômeno e outras ronaldices



Uns com tanto, outros com tão pouco. O clichê reflete bem meu sentimento ao ver um cracaço se despedindo dos gramados por motivos alheios à sua vontade, enquanto que outro caminha pelo campo encarando a pelota com tédio. Pode parecer estranho, mas no dia da aposentadoria do Ronaldo eu fiquei mais triste com seu chará diminutivo, Ronaldinho.


Isso ainda no Barça. Imagina agora...

Sou um insensível por não me abater com o Fofômeno anunciando que parou de jogar bola? Convenhamos, ele já não joga há mais de um ano, você é que não percebeu. De lá para cá os meu sentimento por Ronaldo se aproxima da vergonha alheia, algo que ele não merece. E pra falar a verdade, o único Ronaldo que realmente me encantou foi aquele de 1993 a 1999, época em que ele ainda sabia driblar, tipo o Messi hoje.

Se é triste ver um Felômeno sendo corroído por bixeiras nos joelhos, pior ainda é quando o cara tem tudo para arrebentar por no mínimo 10 anos, mas só aproveita dois. Embora tenha tido uma carreira mais vitoriosa, acho que Ronaldo olhe Ronaldinho com uma pontinha de inveja. O Gaúcho tem saúde para jogar até os 40 anos, mas não faz questão. Já chegou se arrastando aos 30, e isso sem uma única grande lesão.

Não adianta choramingar por Ronaldo como se ele tivesse morrido, como faz a imprensa ufanista. O mais importante é que o caso-ronalducho sirva de exemplo para Ronaldinho criar vergonha na cara e aproveitar com dignidade seus últimos anos como jogador profissional. A não ser que Gaúcho justifique em sua coletiva de despedida do futebol que sua momó crônica para o esporte é sintoma de um raro fungo africano do Haiti que afetou seus ovários e o único tratamento é por meio de um supositório kidbengala-size no orifício anal. Assim tudo bem. Aí eu me calo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A morte dos escritores


Não quero mais ser escritor. Só se for como um hobbie, tipo ser jogador de futebol e músico. O escritor está fadado a um fracasso maior do que o de músico. E por motivo semelhante. Assim como se tornou praticamente impossível ganhar algumas merrecas com venda de CDs - por causa do formato mp3 -, em um futuro próximo ninguém mais vai querer comprar livros, culpa dos e-readers.

Adicione a isso o fato de escritores não poderem direcionar seu ganha-pão para recitações públicas de suas obras literárias, da maneira como músicos faturam com shows.

Daqui a pouco tempo, o público comprador de livros será o mesmo de CDs. Gente que pode se dar ao luxo de gastar apenas pelo prazer ancestral de ter um produto oficial e com propriedades táteis. E isso prejudica não só escritores, mas também jornalistas (EU EU EU!), porque o conteúdo de jornais e revistas passa a ser pirateado.


Como a abundância de recursos não me caracteriza, logo me apressei a comprar um aparelho que me fizesse economizar algumas estalecas em livrarias. Aproveitei a boa vontade do meu irmão, quando ele viajou para os EUA. A ideia inicial era comprar um Kindle, da Amazon, porque meu objetivo era apenas ler, sem muita frescura mesmo. Mas acabei comprando um aparelho que parece ser o filho pobre do cruzamento entre o Ipad e o Galaxy: o Nookcolor, recém lançado no exterior e sem venda no Brasil.

Como não tenho muita frescura, foi o ideal. O Nookcolor me permite não só ler, como o Kindle, mas navegar na internet e ler revistas, como no Ipad. E foi baratinho: R$ 480.

Não sei se já disse isso antes, sou uma mistura de gladiador visigodo com o Analista de Bagé, ou seja, sem frescura. Então, eu baixo livros sem formatação ideal, até em formato do Word, e leio na moral. E a constatação foi interessante. Notei que a leitura em e-reader é bem mais rápida do que naqueles antigos livros à base de trituração de árvores. Virar página toma muito mais tempo do que se imagina. É verdade; um amigo que tem o Kindle fez a mesma observação.


Quando se trata de ler revistas, aí o processo fica um pouco mais lento, pois a tela do Nookcolor, assim como a do Kindle, tem só 7 polegadas, bem menor que uma página A4. Mesmo assim, vale muito a pena. Passei a devorar Superinteressantes com a voracidade de um prisioneiro ostrogodo. E sem pagar R$ 10 por edição.


Me peguei fazendo em livrarias o mesmo que fazia em lojas de CDs no começo da popularização do formato MP3. Vou à loja para ver os melhores exemplares, perturbo o vendedor e, no fim, baixo na internet.

Você, meu caro leitor, pode estar achando que estou consumindo a madeira do meu próprio barco ou cavando a minha própria cova, já que leio sem pagar o que outros jornalistas escrevem. De certa forma, sim. Só que essa é a tendência É melhor aproveitar agora do que tentar nadar contra uma tsunami. Ou vocês acham que estão ganhando a guerra, meus caros integrantes do Metallica?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Por que não fazer previsões para 2011

Resisti à cuíra de antever o próximo ano. Sério cara, o futuro pertence a Deus. É melhor viver o hoje, trabalhar já e rir de piadas sem graça agora. Para que se inquietar? Principalmente por um ano sem graça, que não vai ter eleição nem Copa do Mundo...

...mas falando sério aqui, galera, a verdade é que minhas habilidades com a bola de cristal são menores do que as com a bola de futebol. Ao chegar dezembro, resolvi dar uma olhadinha sobre o que eu tinha previsto para este ano e vi um fiasco: acertei quase nada.

O problema é que quando eu falei em uma supernova ZO637(4)92-X, na verdade eu me referia à supernova ZO637(5)92-X. Por conta desse equívoco, minhas previsões tomaram um rumo totalmente diferente da realidade e deu nessa catástrofe. Espero que ninguém tenha perdido milhões na Bolsa de Valores por minha causa.

De qualquer forma, confira comigo no replay meus muitos erros e escassos acertos:


TEXTO PUBLICADO EM 31/12/2009:




Primeiro, um banho de tacacá podre em um ofurô furado. Depois, 36 horas em meditação ininterruptas, com pernas cruzadas, ouvindo um mantra (Om shiva Om Shakti Namah Shiva Namah Shakti!). Pra terminar, sal grosso entre os dedos do pé, plantando bananeira. Pronto. Completada minha preparação, estou apto a dizer como será o tão esperado ano de 2010.

De cara, não quero iludir ninguém. Para muitos, 2009 foi um desastre em aspectos pessoais, por isso torcem logo pela virada de ano. Apenas lembrem-se: um ano nunca é tão ruim que o outro não possa ser pior. Por isso, é melhor esperar o pior. Assim, nunca se decepciona.

Em termos astrológicos, me chama atenção uma curva na inclinação do delineamento entre Vênus e uma depressão polar na camada de ozônio. Se Marte e a supernova ZO637492-X permanecerem na mesma sintonia cíclica, haverá sérios problemas. Para os ETs, apenas. Aqui, continua tudo a mesma bosta.

Também não posso deixar de citar que 2010 é o ano do azul, regido pelo peixe-boi, pela bigorna, pelo bicho-geográfico e pelos cefalópodes. Sabe o que isso significa? Nada. Absolutamente nada. Ou melhor, pode significar alguma coisa, sim. Que, em vez de ficar só torcendo para tudo ao redor melhorar, você mesmo deve se tornar uma pessoa melhor.

Vamos às previsões:



Política
Para eles, muito a comemorar


Ano eleitoral é agitado. As pessoas só vão sacar que tem que trocar de presidente depois da Copa do Mundo. Mas, cedo ou tarde, têm que tomar a decisão, que acabará por se limitar em: Dentinha Russê e Vampiro Nilson-Serra. Serra ganha.

Todas as mandingas do Lula não serão suficientes. Ele vai tentar dobrar a Bolsa Família, tornar o IPI negativo e aditar o projeto de transposição do rio São Francisco, fazendo o rio dar piruetas por todo o Nordeste. Não vai adiantar. Mas vai até bater na trave.

Haverá seis grandes escândalos políticos, envolvendo tanto pares do presidente quanto a oposição. Mas isso não vai fazer nem cosquinhas nas pesquisas eleitorais, já que Lula não sabia. A campanha petista vai encalhar em outro problema. Três semanas antes do segundo turno das eleições, a imprensa golpista vai descobrir que Dilma é chegada a fazer festas com suecas loiras peladas e gogo-boys. E um vídeo da ministra rebolando de cinta liga, cantando "Hoje eu tô solteira!" no meio da festa, vai cair no You Tube (Lula realmente não sabia, porque não fora convidado). Eu sei, isso não é crime. Mas é suficiente para fazer o PT perder o apoio da igreja e dos setores castos da sociedade.


No Pará, Ana Júlia Carepa é reeleita. A explicação é simples: máquina nas mãos faz reeleger até o capeta com bigode de Hitler para a arquidiocese de Belém. Além disso, ela vai conseguir manter o sigilo de suas festinhas de suingue.



Esporte
 
Fér plêi total no mundo dos esportes


Nem se empolgue muito. Brasil fica em 3º lugar na Copa, depois de perder nas semi-finais. Acho que para a Espanha. Não tenho certeza. Na hora que eu estava recebendo essa informação do além houve uma interferência por uma chuva de raios solares que bateu no polo oeste e instabilizou o telégrafo celeste. Mas pelo menos deu pra descobrir que a campeã será a Alemanha.

Vai ser o mesmo lero-lero de sempre. Brasil perde e ocorre uma caça às bruxas. Alguém TEM que ser jogado na fogueira em uma situação dessas, né não? Adianto-vos: o Luis Fabiano vai fazer um gol contra e vai perder uns tantos outros no jogo das semi. Depois dessa copa, quando alguém der uma pixotada, pisar na bola ou fizer qualquer lance digno de Bola Murcha, vão dizer que a pessoa deu uma Luis Fabianada.

Cruzeiro é campeão brasileiro. Na libertadores, o Lanús, da Argentina, elimina Internacional, Corinthians e Framengo ganha a taça.

Por aqui, o Papão sobe para a Série B. Amém.


Economia
...o país do futuro...


A pujança da economia brasileira vai desabrochar assim como uma bombinha que dá o famoso "peido de velha". Toda a empolgação mundial em torno do Brasil vai sucumbir, assim como já aconteceu com os Tigres Asiáticos e até com a vizinha Argentina, em tempos não muito distantes.

Um dos motivos serão os malabarismos de lula para conquistar setores da população e reeleger Dilma. A outra razão é que a história de "Brasil muito safo e tal" era só fogo de palha, mesmo.


Celebridades
Gramúr, muito gramúr


Uma paraense não será escolhida para o Big Brother Brasil. Ela vai ficar na fase prévia e, mesmo assim, virar celebridade local. Quase todas as mulheres do BBB posarão nuas para a Playboy. Uma delas virará repórter da Globo.

Uma penca de pseudo-famosos morrerá e só choraremos depois de olhar quem era pela Wikipedia, para lembrarmos que tal pessoa era assistente de câmera de uma minissérie que passou depois do Corujão na década de 80.

Recebo uma mensagem no meu celular espiritual que o Axl Rose vai morrer em 2010. Ele e o Robin Williams. Coitado, não vai poder aproveitar in loco a cocaína e as prostitutas que fizeram Rio de Janeiro virar sede das Olimpíadas de 2014.



Geral

Entremos confiantes no novo e desconhecido ano



- O Sri Lanka não vai invadir a Rússia.
- O Fábio Jr. casará e descasará. Duas vezes.
- Um super-boeing com 549 africanos negões-zulus cairá e matará todos carbonizados, no trecho entre Nigéria e África do Sul. Mas ninguém vai dar a mínima. Serão cinco segundos no Jornal Nacional.
- Ronaldo engordará 3kg e fará 24 gols.
- Um monomotor cairá e matará os três passageiros, entre eles, uma criança loirinha sueca de quatro anos. O mundo ficará de luto por sete dias e a minha empregada vai chorar ao ver a reportagem de 10 minutos no Jornal Nacional.
- Nova e revolucionária mídia social dominará o mundo. Nela, as pessoas postarão raios-x, sonhos, exames médicos e fotos do próprio cocô.
- Um urso panda recém-nascido vai ficar órfão na Austrália, comovendo o mundo inteiro. O assunto será debatido em mesas-redondas durante seis meses, movimentando a cúpula das Nações Unidas e fazendo a bandeira nacional do Congresso ficar a meio pau.

e

-  Você rirá dos meus novos posts!

QUE VENHA DOIS MIL E DEEEEEEEEEZ!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Homem de Gelo Derretido




JUNHO DE 2002

O cara era testudo, moreno e feio. Olhou para seu lado direito uma vez e depois para frente, antes de iniciar um pique de meia dúzia de passos em velocidade ascendente até martelar a bola, sem garantias de que a trajetória não seria interrompida por uma luva. Minha única certeza durante aqueles milesegundos era: "não queria estar na pele do Rivaldo".
E nem era um momento tão mortal. Era a primeira partida da Copa do Mundo contra a Turquia; em derrota, haveria como recuperar pontos contra Costa Rica e China. O nervosismo de estreia e o fato de o pênalti ser decisivo para desempatar o jogo nos últimos instantes foram suficientes para eu me sentir incapaz de chutar aquela bola com um pingo de confiança de que ela não iria acertar um refletor.

Um dos grandes futebolistas mundiais era conhecido como Homem de Gelo. Quando Denis Bergkamp dominava a bola de frente para o goleiro, ele parecia pausar o jogo para, tranquilamente, dar um peteleco certeiro na bola. Para reforçar o apelido, nem comemorava. Sua expressão entre os segundos antes e depois do gol não sofria alteração perceptível nem sob leitura a laser.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas, eim Joseph Climber. E eu também já tive que bater meus pênaltis.





JUNHO DE 1999

Se eu tivesse sido abduzido por um ET ao menos eu teria uma explicação plauzível para o fato de, do dia para a noite, ter sentido vontade de entrar no time de vôlei do Cesep. Dadas às raríssimas vezes em que eu havia praticado o esporte até então, logo me vi inapto a estapear a bola durante um pulo, nos treinos. Ou eu acertava o vento durante minha ascensão ou batia com o pulso, depois do ápice. Tal qual numa primeira aula de direção, achei que nunca conseguiria. E assim como na direção, consegui.


SETEMBRO DE 2000


Ao, finalmente, adquirir a habilidade de colocar pressão suficiente na bola a uma altura que ultrapassasse a da rede, os Jogos Estudantis Paraenses (JEPs) já haviam começado. Após a primeira partida, me senti enciumado de o meu time ter conseguido ganhar do Ulisses Guimarães sem mim - eu me recuperava de uma fissura no polegar esquerdo.

Recordo-me apenas de duas coisas no segundo jogo: o time adversário era inacreditavelmente ruim e eu já conseguia bater na bola durante o auge do meu pulo. Tal coincidência foi suficiente para nosso triunfo.

Da terceira partida lembro-me tão pouco que, na verdade, nem sei se ela existiu. Só sei que passamos às  quartas-de-finais para enfrentar o Colégio Estadual Antônio Lemos (Ceal). Na ocasião, além de fazer coincidir o ápice da minha mão com o da bola, eu já conseguia tirar um pouco do bloqueio. O problema era o fantasma do passado. Nos dois anos anteriores o Cesep fora eliminado dos JEPs nas quartas-de-finais, mesmo com times bem melhores que o nosso.

O jogo se encaminhou para um empate até que o ponto da partida ficou nas mãos do Ceal. Eles contra-atacaram cruzado, não muito forte, mas bem colocado. Foi na minha direção. Se eu errasse, o time estaria fora. Acertei uma recepção espírita e inédita: aparei a bola com o antebraço esquerdo. E em vez de a bola tomar uma trajetória obscura como o de costume, ela correu para perto do levantador. Viramos de forma épica e, assim como os algozes do Cesep em 1999, comemoramos com um "montinho".



Nos sentimos mais ou menos assim

A alegria era tão grande que, quando nos encontrávamos no colégio, nos sentíamos como gladiadores que ganharam a luta contra leões mordendo-lhes a jugular. Certo dia, na saída, um colega de time se despediu da namorada e veio falar comigo: "não sei o que é melhor: se namorar ou ser semi-finalista dos JEPs!". Eu, então contando 17 anos e zero namoros, achei aquela comparação ridícula. "Claro que é melhor ser semi-finalista, otário!", gritei dentro de mim.

Da semi-final, só boas lembranças. Me vi capaz de direcionar a bola para a esquerda e para a direita, extraindo razoável potência dos escassos músculos da minha destra. Com a vitória, o nível de serotonina no nosso cérebro aumentou ao ponto de nos levar a um estágio posterior ao nirvana, em que já começávamos a visualizar algumas das 72 virgens.

A verdade é que quem nos aguardava eram machos, e todos bons de bola. E remover montanhas deveria ser um exercício de fé prévio obrigatório ao de crer que venceríamos um dos times que disputavam a outra semi-final. Souza Franco ganhou da Escola Técnica e minha família toda foi assistir a final.

Entre meus três irmãos, o Victor foi o mais interessado na partida, por ter sido tripulante do time cesepeano naufragado do ano anterior. Ele estava ansioso para confirmar que eu já conseguia fazer boa recepção e raramente errar uma cortada, como lhe garanti. Afinal, ele foi testemunha ocular da minha ausência de habilidades durante os primeiros treinos, no ano anterior, e sabia água não se transforma em vinho todo dia.

A vitória tranquila no primeiro set mostrou que eu falava a verdade. Nesse jogo - e apenas nesse - adicionei a habilidade de enxergar previamente onde havia espaço para cortar: se entre o bloqueio, à esquerda ou à direita. Eu sei que antes eu já escolhia o lado, mas era um lance de fé. Agora não, eu via antes de cravar.


Isso, Filipe. Tira do bloqueio.

Só que a fé fraquejou. Minha mente não conseguiu sustentar aquela vitória parcial. Eu não acreditava que nosso time estava ganhando do Souza Franco, que antes parecia ser tão superior. Daí, eu e o resto da minha equipe desandamos a errar e o máximo que arranjamos foi um tie break.

Mas o lance que me derrubou ocorreu antes. Conseguimos uma boa cortada, eles recepcionaram de maneira precária e o levantador só fez jogar a bola de forma aleatória para o alto. Daí, o melhor jogador deles veio correndo e gritando "aaaahhhhh!" pela quadra inteira. Naquele instante vimos que não convenceríamos nem como cosplays de gladiadores. Aquele sim era o Maximus. De uma bola tortíssima o cara extraiu uma cortada tão potente que nos surpreendeu o fato de não ter aberto uma cova na quadra.

O set decisivo chegou a estar 13 x 13, até errarmos um saque. Eles sacaram, recebemos bem a bola e o levantador a ajeitou no meio pra mim. Eu atacava pelas laterais e pelo meio, mas preferia mil vezes o meio. Era muito mais fácil porque havia mais espaço para olhar e cortar. Moleza.

Seria moleza se não significasse uma espécie de pênalti de Copa do Mundo nas minhas mãos. E sem um controle remoto bergkampiano. Dei as passadas prévias. Saltei faminto. Era tanta a vontade que descoordenei sutilmente o tempo do pulo com o da viagem da bola. Girei o braço com violência, mas acertei a bola apenas com os dedos. A esfera seguiu em altitude constante até o infinito e além (por infinito e além, entenda-se arquibancada).


Eu sei, meus detratores dirão que é 20º lugar...


NOVEMBRO DE 2010

Exceto pela estupidez de desperdiçar uma bola fácil por conta do descontrole emocional que culminou em excesso de vontade, no fim das contas fiquei feliz. Ao analisar das fraldas ao túmulo de minha vida esportiva como atacante de vôlei, seria uma extravagante auto-flagelação avaliar tudo com saldo negativo. Contudo, ser responsável pelo choro de alguns colegas de time provou que o único motivo por que eu poderia ser chamado de Homem de Gelo é de ter "gelado" na hora H.

O episódio até me ensinou que, se você é Roberto Baggio em vez de Rivaldo, é menos arriscado se profissionalizar na organização de letras em páginas de jornal.


xxx


MENSAGEM CARINHOSA AOS COLEGAS DE TIME: João Augusto, Maurício Salsicha, Rodolfo, João Paulo, Paulo Pretz, Miro e o resto...


FOI MAL