quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Por que não fazer previsões para 2011

Resisti à cuíra de antever o próximo ano. Sério cara, o futuro pertence a Deus. É melhor viver o hoje, trabalhar já e rir de piadas sem graça agora. Para que se inquietar? Principalmente por um ano sem graça, que não vai ter eleição nem Copa do Mundo...

...mas falando sério aqui, galera, a verdade é que minhas habilidades com a bola de cristal são menores do que as com a bola de futebol. Ao chegar dezembro, resolvi dar uma olhadinha sobre o que eu tinha previsto para este ano e vi um fiasco: acertei quase nada.

O problema é que quando eu falei em uma supernova ZO637(4)92-X, na verdade eu me referia à supernova ZO637(5)92-X. Por conta desse equívoco, minhas previsões tomaram um rumo totalmente diferente da realidade e deu nessa catástrofe. Espero que ninguém tenha perdido milhões na Bolsa de Valores por minha causa.

De qualquer forma, confira comigo no replay meus muitos erros e escassos acertos:


TEXTO PUBLICADO EM 31/12/2009:




Primeiro, um banho de tacacá podre em um ofurô furado. Depois, 36 horas em meditação ininterruptas, com pernas cruzadas, ouvindo um mantra (Om shiva Om Shakti Namah Shiva Namah Shakti!). Pra terminar, sal grosso entre os dedos do pé, plantando bananeira. Pronto. Completada minha preparação, estou apto a dizer como será o tão esperado ano de 2010.

De cara, não quero iludir ninguém. Para muitos, 2009 foi um desastre em aspectos pessoais, por isso torcem logo pela virada de ano. Apenas lembrem-se: um ano nunca é tão ruim que o outro não possa ser pior. Por isso, é melhor esperar o pior. Assim, nunca se decepciona.

Em termos astrológicos, me chama atenção uma curva na inclinação do delineamento entre Vênus e uma depressão polar na camada de ozônio. Se Marte e a supernova ZO637492-X permanecerem na mesma sintonia cíclica, haverá sérios problemas. Para os ETs, apenas. Aqui, continua tudo a mesma bosta.

Também não posso deixar de citar que 2010 é o ano do azul, regido pelo peixe-boi, pela bigorna, pelo bicho-geográfico e pelos cefalópodes. Sabe o que isso significa? Nada. Absolutamente nada. Ou melhor, pode significar alguma coisa, sim. Que, em vez de ficar só torcendo para tudo ao redor melhorar, você mesmo deve se tornar uma pessoa melhor.

Vamos às previsões:



Política
Para eles, muito a comemorar


Ano eleitoral é agitado. As pessoas só vão sacar que tem que trocar de presidente depois da Copa do Mundo. Mas, cedo ou tarde, têm que tomar a decisão, que acabará por se limitar em: Dentinha Russê e Vampiro Nilson-Serra. Serra ganha.

Todas as mandingas do Lula não serão suficientes. Ele vai tentar dobrar a Bolsa Família, tornar o IPI negativo e aditar o projeto de transposição do rio São Francisco, fazendo o rio dar piruetas por todo o Nordeste. Não vai adiantar. Mas vai até bater na trave.

Haverá seis grandes escândalos políticos, envolvendo tanto pares do presidente quanto a oposição. Mas isso não vai fazer nem cosquinhas nas pesquisas eleitorais, já que Lula não sabia. A campanha petista vai encalhar em outro problema. Três semanas antes do segundo turno das eleições, a imprensa golpista vai descobrir que Dilma é chegada a fazer festas com suecas loiras peladas e gogo-boys. E um vídeo da ministra rebolando de cinta liga, cantando "Hoje eu tô solteira!" no meio da festa, vai cair no You Tube (Lula realmente não sabia, porque não fora convidado). Eu sei, isso não é crime. Mas é suficiente para fazer o PT perder o apoio da igreja e dos setores castos da sociedade.


No Pará, Ana Júlia Carepa é reeleita. A explicação é simples: máquina nas mãos faz reeleger até o capeta com bigode de Hitler para a arquidiocese de Belém. Além disso, ela vai conseguir manter o sigilo de suas festinhas de suingue.



Esporte
 
Fér plêi total no mundo dos esportes


Nem se empolgue muito. Brasil fica em 3º lugar na Copa, depois de perder nas semi-finais. Acho que para a Espanha. Não tenho certeza. Na hora que eu estava recebendo essa informação do além houve uma interferência por uma chuva de raios solares que bateu no polo oeste e instabilizou o telégrafo celeste. Mas pelo menos deu pra descobrir que a campeã será a Alemanha.

Vai ser o mesmo lero-lero de sempre. Brasil perde e ocorre uma caça às bruxas. Alguém TEM que ser jogado na fogueira em uma situação dessas, né não? Adianto-vos: o Luis Fabiano vai fazer um gol contra e vai perder uns tantos outros no jogo das semi. Depois dessa copa, quando alguém der uma pixotada, pisar na bola ou fizer qualquer lance digno de Bola Murcha, vão dizer que a pessoa deu uma Luis Fabianada.

Cruzeiro é campeão brasileiro. Na libertadores, o Lanús, da Argentina, elimina Internacional, Corinthians e Framengo ganha a taça.

Por aqui, o Papão sobe para a Série B. Amém.


Economia
...o país do futuro...


A pujança da economia brasileira vai desabrochar assim como uma bombinha que dá o famoso "peido de velha". Toda a empolgação mundial em torno do Brasil vai sucumbir, assim como já aconteceu com os Tigres Asiáticos e até com a vizinha Argentina, em tempos não muito distantes.

Um dos motivos serão os malabarismos de lula para conquistar setores da população e reeleger Dilma. A outra razão é que a história de "Brasil muito safo e tal" era só fogo de palha, mesmo.


Celebridades
Gramúr, muito gramúr


Uma paraense não será escolhida para o Big Brother Brasil. Ela vai ficar na fase prévia e, mesmo assim, virar celebridade local. Quase todas as mulheres do BBB posarão nuas para a Playboy. Uma delas virará repórter da Globo.

Uma penca de pseudo-famosos morrerá e só choraremos depois de olhar quem era pela Wikipedia, para lembrarmos que tal pessoa era assistente de câmera de uma minissérie que passou depois do Corujão na década de 80.

Recebo uma mensagem no meu celular espiritual que o Axl Rose vai morrer em 2010. Ele e o Robin Williams. Coitado, não vai poder aproveitar in loco a cocaína e as prostitutas que fizeram Rio de Janeiro virar sede das Olimpíadas de 2014.



Geral

Entremos confiantes no novo e desconhecido ano



- O Sri Lanka não vai invadir a Rússia.
- O Fábio Jr. casará e descasará. Duas vezes.
- Um super-boeing com 549 africanos negões-zulus cairá e matará todos carbonizados, no trecho entre Nigéria e África do Sul. Mas ninguém vai dar a mínima. Serão cinco segundos no Jornal Nacional.
- Ronaldo engordará 3kg e fará 24 gols.
- Um monomotor cairá e matará os três passageiros, entre eles, uma criança loirinha sueca de quatro anos. O mundo ficará de luto por sete dias e a minha empregada vai chorar ao ver a reportagem de 10 minutos no Jornal Nacional.
- Nova e revolucionária mídia social dominará o mundo. Nela, as pessoas postarão raios-x, sonhos, exames médicos e fotos do próprio cocô.
- Um urso panda recém-nascido vai ficar órfão na Austrália, comovendo o mundo inteiro. O assunto será debatido em mesas-redondas durante seis meses, movimentando a cúpula das Nações Unidas e fazendo a bandeira nacional do Congresso ficar a meio pau.

e

-  Você rirá dos meus novos posts!

QUE VENHA DOIS MIL E DEEEEEEEEEZ!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Homem de Gelo Derretido




JUNHO DE 2002

O cara era testudo, moreno e feio. Olhou para seu lado direito uma vez e depois para frente, antes de iniciar um pique de meia dúzia de passos em velocidade ascendente até martelar a bola, sem garantias de que a trajetória não seria interrompida por uma luva. Minha única certeza durante aqueles milesegundos era: "não queria estar na pele do Rivaldo".
E nem era um momento tão mortal. Era a primeira partida da Copa do Mundo contra a Turquia; em derrota, haveria como recuperar pontos contra Costa Rica e China. O nervosismo de estreia e o fato de o pênalti ser decisivo para desempatar o jogo nos últimos instantes foram suficientes para eu me sentir incapaz de chutar aquela bola com um pingo de confiança de que ela não iria acertar um refletor.

Um dos grandes futebolistas mundiais era conhecido como Homem de Gelo. Quando Denis Bergkamp dominava a bola de frente para o goleiro, ele parecia pausar o jogo para, tranquilamente, dar um peteleco certeiro na bola. Para reforçar o apelido, nem comemorava. Sua expressão entre os segundos antes e depois do gol não sofria alteração perceptível nem sob leitura a laser.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas, eim Joseph Climber. E eu também já tive que bater meus pênaltis.





JUNHO DE 1999

Se eu tivesse sido abduzido por um ET ao menos eu teria uma explicação plauzível para o fato de, do dia para a noite, ter sentido vontade de entrar no time de vôlei do Cesep. Dadas às raríssimas vezes em que eu havia praticado o esporte até então, logo me vi inapto a estapear a bola durante um pulo, nos treinos. Ou eu acertava o vento durante minha ascensão ou batia com o pulso, depois do ápice. Tal qual numa primeira aula de direção, achei que nunca conseguiria. E assim como na direção, consegui.


SETEMBRO DE 2000


Ao, finalmente, adquirir a habilidade de colocar pressão suficiente na bola a uma altura que ultrapassasse a da rede, os Jogos Estudantis Paraenses (JEPs) já haviam começado. Após a primeira partida, me senti enciumado de o meu time ter conseguido ganhar do Ulisses Guimarães sem mim - eu me recuperava de uma fissura no polegar esquerdo.

Recordo-me apenas de duas coisas no segundo jogo: o time adversário era inacreditavelmente ruim e eu já conseguia bater na bola durante o auge do meu pulo. Tal coincidência foi suficiente para nosso triunfo.

Da terceira partida lembro-me tão pouco que, na verdade, nem sei se ela existiu. Só sei que passamos às  quartas-de-finais para enfrentar o Colégio Estadual Antônio Lemos (Ceal). Na ocasião, além de fazer coincidir o ápice da minha mão com o da bola, eu já conseguia tirar um pouco do bloqueio. O problema era o fantasma do passado. Nos dois anos anteriores o Cesep fora eliminado dos JEPs nas quartas-de-finais, mesmo com times bem melhores que o nosso.

O jogo se encaminhou para um empate até que o ponto da partida ficou nas mãos do Ceal. Eles contra-atacaram cruzado, não muito forte, mas bem colocado. Foi na minha direção. Se eu errasse, o time estaria fora. Acertei uma recepção espírita e inédita: aparei a bola com o antebraço esquerdo. E em vez de a bola tomar uma trajetória obscura como o de costume, ela correu para perto do levantador. Viramos de forma épica e, assim como os algozes do Cesep em 1999, comemoramos com um "montinho".



Nos sentimos mais ou menos assim

A alegria era tão grande que, quando nos encontrávamos no colégio, nos sentíamos como gladiadores que ganharam a luta contra leões mordendo-lhes a jugular. Certo dia, na saída, um colega de time se despediu da namorada e veio falar comigo: "não sei o que é melhor: se namorar ou ser semi-finalista dos JEPs!". Eu, então contando 17 anos e zero namoros, achei aquela comparação ridícula. "Claro que é melhor ser semi-finalista, otário!", gritei dentro de mim.

Da semi-final, só boas lembranças. Me vi capaz de direcionar a bola para a esquerda e para a direita, extraindo razoável potência dos escassos músculos da minha destra. Com a vitória, o nível de serotonina no nosso cérebro aumentou ao ponto de nos levar a um estágio posterior ao nirvana, em que já começávamos a visualizar algumas das 72 virgens.

A verdade é que quem nos aguardava eram machos, e todos bons de bola. E remover montanhas deveria ser um exercício de fé prévio obrigatório ao de crer que venceríamos um dos times que disputavam a outra semi-final. Souza Franco ganhou da Escola Técnica e minha família toda foi assistir a final.

Entre meus três irmãos, o Victor foi o mais interessado na partida, por ter sido tripulante do time cesepeano naufragado do ano anterior. Ele estava ansioso para confirmar que eu já conseguia fazer boa recepção e raramente errar uma cortada, como lhe garanti. Afinal, ele foi testemunha ocular da minha ausência de habilidades durante os primeiros treinos, no ano anterior, e sabia água não se transforma em vinho todo dia.

A vitória tranquila no primeiro set mostrou que eu falava a verdade. Nesse jogo - e apenas nesse - adicionei a habilidade de enxergar previamente onde havia espaço para cortar: se entre o bloqueio, à esquerda ou à direita. Eu sei que antes eu já escolhia o lado, mas era um lance de fé. Agora não, eu via antes de cravar.


Isso, Filipe. Tira do bloqueio.

Só que a fé fraquejou. Minha mente não conseguiu sustentar aquela vitória parcial. Eu não acreditava que nosso time estava ganhando do Souza Franco, que antes parecia ser tão superior. Daí, eu e o resto da minha equipe desandamos a errar e o máximo que arranjamos foi um tie break.

Mas o lance que me derrubou ocorreu antes. Conseguimos uma boa cortada, eles recepcionaram de maneira precária e o levantador só fez jogar a bola de forma aleatória para o alto. Daí, o melhor jogador deles veio correndo e gritando "aaaahhhhh!" pela quadra inteira. Naquele instante vimos que não convenceríamos nem como cosplays de gladiadores. Aquele sim era o Maximus. De uma bola tortíssima o cara extraiu uma cortada tão potente que nos surpreendeu o fato de não ter aberto uma cova na quadra.

O set decisivo chegou a estar 13 x 13, até errarmos um saque. Eles sacaram, recebemos bem a bola e o levantador a ajeitou no meio pra mim. Eu atacava pelas laterais e pelo meio, mas preferia mil vezes o meio. Era muito mais fácil porque havia mais espaço para olhar e cortar. Moleza.

Seria moleza se não significasse uma espécie de pênalti de Copa do Mundo nas minhas mãos. E sem um controle remoto bergkampiano. Dei as passadas prévias. Saltei faminto. Era tanta a vontade que descoordenei sutilmente o tempo do pulo com o da viagem da bola. Girei o braço com violência, mas acertei a bola apenas com os dedos. A esfera seguiu em altitude constante até o infinito e além (por infinito e além, entenda-se arquibancada).


Eu sei, meus detratores dirão que é 20º lugar...


NOVEMBRO DE 2010

Exceto pela estupidez de desperdiçar uma bola fácil por conta do descontrole emocional que culminou em excesso de vontade, no fim das contas fiquei feliz. Ao analisar das fraldas ao túmulo de minha vida esportiva como atacante de vôlei, seria uma extravagante auto-flagelação avaliar tudo com saldo negativo. Contudo, ser responsável pelo choro de alguns colegas de time provou que o único motivo por que eu poderia ser chamado de Homem de Gelo é de ter "gelado" na hora H.

O episódio até me ensinou que, se você é Roberto Baggio em vez de Rivaldo, é menos arriscado se profissionalizar na organização de letras em páginas de jornal.


xxx


MENSAGEM CARINHOSA AOS COLEGAS DE TIME: João Augusto, Maurício Salsicha, Rodolfo, João Paulo, Paulo Pretz, Miro e o resto...


FOI MAL

terça-feira, 9 de novembro de 2010

10 maneiras de ser respeitado no meio jornalístico



Mais cedo ou mais tarde o foca percebe que precisa de algo mais para imegir socialmente entre os novos colegas jornalistas. Ser legal não é suficiente. Ser bonita(o) serve, mas apenas para o sexo oposto - e às vezes para o mesmo, também. Ser muito inteligente causa discórdia. Para que o pobre neófito redacional não se sinta perdido ao adentrar no viveiro de cobras malcriadas da redação, eu ofereço aqui carinhosamente algumas dicas preciosas. Mas atenção: não me responsabilizo por eventuais efeitos colaterais.

1 - Seja escroto


Caso você ainda não saiba, ser bonzinho está totalmente fora de moda. Só é respeitável o jornalista que tem pinta de malvado e fala muito palavrão. É claro que poucos são maus de verdade, mas o importante é a aparência. Você nem precisa ser totalmente perverso; basta demonstrar um certo viés negativo, obscuro, como se estivesse perdendo a luta para não se deixar levar pelo lado negro da força.

Quando as pessoas olharem para você, não é necessário que vejam um psicopata completo. Meio psicopata já basta. Sua imagem deve deixar uma leve incerteza no ar sobre se você realmente tropeça velhinhas na rua, cuspiu no tapete do Papa ou peida em elevador cheio.


2 - Fale mal de tudo


É uma clara continuação do primeiro tópico: nunca algo estará satisfatório para alguém realmente malvado. No seu jornal, o pauteiro é burro, o editor é anta, o chefe é jumento, a empresa é uma Arca de Noé e os textos publicados são todos uns excrementos - exceto o seu e de um ou outro amigo próximo. Aliás, quando o seu texto sai ruim, a culpa é do editor. E se você é editor, obviamente, os repórteres é que são os analfabetos.

Se este procedimento for feito da maneira correta, em vez de ser execrado você será respeitado. Eventualmente poderá ser demitido, mas continuará respeitado.


3 - Use drogas


Não só as lícitas, seu bundão. Mas comecemos por elas. Encher a cara é elementar para interagir, de preferência tendo várias histórias hilárias de porres. Quanto maior o ridículo já passado por conta do álcool, maior respeito ser-lhe-á imputado.

Um dia desses conheci um antigo repórter da Província e do Diário perambulando como mendigo na rua, barba de noé, fala atrapalhada, mas frases coesas. Ele contou rápido sua história, citou muitos jornalistas que conhecia e no final, disse "perdi para a cana...". De súbito, me veio um respeito enorme por ele.

O cigarro também dá um certo ar de confiabilidade. Não se preocupe, ninguém olha para seu pulmão preto. E cada vez menos jornalistas se preocupam em negar o uso da maconha, já tão comum. O fininho é útil, pois dá um ar de guerrilheiro zapatista. Já outros entorpecentes não são assim muito necessários, mas se quiser usar, tanto faz. O que é um peido pra quem tá cagado?


4 - Tenha pose


No fundo, jornalistas se acham. No raso, têm certeza. Treine o olhar de Clark Gable, segure o cigarro com pose de atores dos anos cinquenta e mentalize "eu sou safo" como um mantra. Tudo isso ajudará a convencer os outros e você próprio do estupendo glamour da profissão. Você tenta se segurar, mas isso exala inevitavelmente do seu ser.

Sua pose deve mostrar o quanto você é mau. Na hora do trabalho, é interessante alternar momentos de gargalhadas em altos decibéis com olhares de seriedade profunda. Só não alterne demais os dois momentos, porque esquizofrenia e bipolaridade ainda não são desejáveis na redação. A não ser que você seja chefe, claro.

5 - Auto promova-se


 De vez em quando comece frases com expressões do tipo "quando eu ganhei o prêmio tal..." e "porque a minha manchete de ontem...". Jornalista não tem o menor pudor em se exibir. Em qualquer trunfo passe verniz, multiplique por três e propague com um certo tédio, como se já fosse corriqueiro na sua vida.

Em momentos que quiser mostrar sua humildade e modéstia, solte frases com a seguinte fórmula: "Fulano nunca ______(algo que você já fez) e já tá se achando". Por mais ridícula que a auto promoção soe, é incrível como funciona. É uma espécie de marketing pessoal extremo.

Óbvio que se você exagerar, vai acabar sendo mal visto. A não ser que seja chefe, claro. Chefe é sempre mal visto.

6 - Seja uma pseudo-enciclopédia


Seja metido a saber de tudo. Soltar jargões profissionais de qualquer área faz você parecer muito safo. Afinal, em poucos meses de labuta, qualquer estagiário já entrevistou macumbeiros, astronautas, artistas querendo aparecer, políticos querendo desaparecer, físicos nucleares, policiais torturadores e até acopladores de carga de caneta Bic. Basta escrever uma matéria especial sobre construção civil para o jornalista ganhar especialização em engenharia.

Assim, você sempre sabe um pouco mais do que todo mundo. Sobre qualquer fato relevante na política e economia, você é capaz de soltar "mas isso não é tudo" ou "tem muita coisa por trás disso que vocês não sabem...". Nunca revele o segredo, claro. Apenas deixe no ar que seu conhecimento sobre o tema tem a espessura e profundidade de um buraco negro alargado pelo Kid Bengala.

7 - Seja competente

De forma alguma chega a ser uma condição impreterível, mas até que ajuda. Mas atenção: só tem o efeito esperado se praticada em conjunto com as últimas duas dicas.


8 - Seja estranho


Jornalista não é muito normal e tem orgulho disso. A esquisitisse é uma forma de se diferenciar dos seres inferiores - tipo publicitários, marqueteiros e afins. Então aflore seu lado underground e regue sua genialidade incompreendida. Use roupas "originais", tenha seu próprio "estilo" e demonstre "personalidade", assim mesmo, entre aspas. Lembre-se: qualquer coisa diferente e de difícil compreensão tende a ser respeitada.




9 - Dê para alguém


Não é só dar uma vezinha. E também não é para qualquer um. Namorar um superior ou veterano de redação pode ajudar na interação com os demais colegas. Vale para relações homo e hetero, já que redações são apinhadas de viados. Se não funcionar para ganhar o respeito de todos, ao menos de seu par você já conseguiu.


Agora, se quiser sair dando para todo mundo, ninguém vai reclamar. Só temo que isso afaste você do objetivo deste post.

10 - Integre-se a uma


Essa aqui vale até para grupos de cefalópodes. Se depois de tudo isso você não ganhar a simpatia dos colegas, faça vestibulinho pra publicidade e seja feliz.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Eleições: Diabo versus Capeta




Eleições são a época com mais mentiras por cubo quadrado. Nem me refiro à lábia dos políticos. A grande lorotadadoca é tentar convencer o eleitor de que ele é capaz de mudar radicalmente o rumo do país: basta teclar a correta combinação de números na urna. Como se os candidatos fossem muito diferentes entre si.

Se ao menos um postulante a um cargo público eletivo tivesse três células sem o gene da maracutaia ou da estupidez, eu iria à Terra Firme (a mistura paraense de Bagdá com Freetown) vestindo uma cueca de ouro com a foto do candidato. Mas não há, infelizmente. Nunca poderei satisfazer essa minha fantasia sexual.

Não existe diferença gritante entre Dilma e Serra. A maior distância entre os dois é de quem serão os padrinhos beneficiados com cargos e jogos políticos, após a posse. Eu sei que têm passados distintos, vestem seus diferentes tipos de roupas de baixo e têm características capilares próprias. Poderia ser a eleição do Rocky Balboa contra o vírus Ebola pra vereador de Constantinopla, não adianta: quem chega ao poder segue o mesmo padrão de comportamento.

E se algum candidato vem com discurso muito diferente, é hora de rezar para que mude de ideia. E com fé, porque já funcionou com o Lula. Um passo para trás e você lamenta ter saído do lugar. Melhor estagnar a regredir.


 


Então por que tanto fanatismo político? Fácil: política é igual futebol. Cada um escolhe um time para só ver virtudes e coloca um filtro no cérebro pra detectar apenas defeitos alheios. Eleição é uma mera disputa entre agremiações. Embate de ideias é passado; o presente não passa de uma escaramuça para saber quem vai herdar a carniça.


E por que os candidatos são tão semelhantes? Porque somos todos parecidos. Por um cargo DAS, somos capazes de dizer que mudamos de candidato - ou mudamos mesmo -, colocamos propaganda no carro e vamos a carreatas com um poster do candidato no c*. Não é tão diferente das trocas de favores políticos que tanto criticamos. Os eleitos realmente representam o povo, por isso são tão corruptos quanto ele. Tão ou mais, dada a abundância de oportunidades na vida pública.

Juro que, no dia de eleição, saio de casa como alguém que vai comprar roupa em um brechó. A que está só manchada é melhor que a rasgada. Posso até voltar satisfeito, mas não vou a desfile de modas com nenhuma delas.

Portanto, não sejamos hipócritas. Votem em quem acharem menos ruim. Eu, por exemplo, se pudesse, votaria em um anão: dos males, o menor. Já votamos muitos nos filhos, então é hora de escolher as, digamos, putas. Não eleja quem faz na vida pública aquilo que faz na privada. E, acima de tudo, ignorem quem faz piadas velhas sobre esse tema.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Problemática da Monotemática





Fixes tua vida em um só assunto e serás um chato. Sim, mais ou menos como destrinchei anteriormente, ao descorrer sobre tipos desagradáveis.

Todo mundo conhece alguémdo tipo que, no orkut, apenas com as cores do Flamengo, avatar do Flamengo, comunidades de famáticos pelo Flamengo e só falta uma foto com um pinto de borracha do Flamengo, cravado no orifício anal. Nada contra o Framengo. Ou melhor, várias coisas contra. Ah, vocês entenderam.


O que importa é que, tais pessoas monotemáticas são, na melhor das hipóteses, pessoas desinteressantes e de intelecto curto.

E o futebol não é o único alienador, como vi na fila de um show de metal progressivo em São Paulo, há pouco tempo. Antes de entrarmos no Creditcard Hall, eu e meus dois irmãos conhecemos um simpático paulistano. O clássico metaleiro que não curte nenhuma banda com menos de 20 anos de idade - a não ser aquelas que tocam exatamente como há 20 anos.

Já no começo do papo, meu irmão morreu de vergonha por eu ter revelado que ele assistira o show do Oasis. Com razão, claro. Numa fila para ver Dream Theater, alguém que gosta de Oasis merece arder numa fogueira com rebolation eterno. Mas, ao convencer que foi pro Oasis só por que minha mãe queria (papo furado), ele conseguiu escapar da inquisição metálica.

A conversa fluiu com temas do tipo Megadeath, Simphony X e Slayer. Às vezes, tinha uns trancos com Metallica (muito pop) e Angra (nacional?!), mas desandou de vez quando eu falei em Muse. Eu tinha que ter filmado a expressão do cara nessa hora. Me senti como uma freira flagrada dando pro padre. De quatro. No meio da praça.


Ah, odeio gente monotemática. A fissuração em um único assunto é pura pobreza espiritual. Se um dia colocarem uma bandeira de qualquer coisa no meu caixão, eu volto só pra puxar o pé do sacana de noite.

terça-feira, 30 de março de 2010

O Exercício da Boa Escrita



Ser escritor deve ser legal.  Tipo um sábio incompreendido que descarrega suas voltagens neuroniais numa genial sequência de letras. É aplaudido de pé ao descrever uma popozuda andando pela calçada. E quando todo mundo pede "mais um, mais um!", faz biquinho e não escreve mais nada.

Para fazer alguém pregar os olhos por horas na sua sequência de letrinhas, o escritor tem que ser safo. Quando eu era criança, não entendia como um adulto tinha orgasmos só de olhar páginas, ainda mais sem figuras! Ainda acho que meus leitores se atêm mais às figurinhas do que às letrinhas. É um fato comprovado por três pesquisas sérias sobre o assunto. E por mais umas tantas pesquisas gaiatas, também..


Não sei por que só olham para as figurinhas...


O passo fundamental para o aprendiz de Machado de Assis é pensar merda. Assim como um atacante chuta várias vezes para fora até acertar o gol, o escritor rumina bastante adubo antes de parir uma boa ideia. Um mestre da literatura, certamente, pensa em coisas inimagináveis. Mas se são inimagináveis, como é que ele pensa? Não sei, não sou um mestre da literatura.

O importante é que o papel só recebe o que passou pela mente. Antes de pescar algo original, vem muito sapato.


Uma arma indispensável é o backspace. Isso se estiver depois, claro. Antes, o mais indicado é o delete. Mas não se limite a eles. Shift e Ctrl ajudam na eliminação, em escala industrial, de fezes escritas. E quando o adubo abunda, não tem jeito, use a descarga virtual com Crtl + A + delete. Pois o bom escritor pode ter medo de pata de cobra, de pescoço caranguejo e de dente de papagaio, mas nunca de apagar algo que escreveu.

A pior parte é a organização, chata como arrumar um quarto. É um trabalho braçal negligenciado por muitos jênios da literatura. Por quê? Dá muito trabalho. É nessa hora que o aspirante a Machado de Assis - tipo, um Foice de Assis - desamola. Sem um trato nas suas letrinhas, meu caro blogspectador, você não será sequer um Canivete de Assis. Nem Eça, nem Aquela de Queiroz. Esqueça.

Por fim - mas longe de ser conclusivo sobre assunto -, eu noto que os bons textos têm ritmo, pulsação. Letras de Machados afiados correm sem fazer esforço, como uma música, enquanto uma frase chama pela outra. Fluem como o ânus desliza suavemente pelo tobogã do Beach Park. E, acima de tudo, não usam metáforas idiotas como essa.

Textos ruins são como ruas com lombadas calombóticas a cada três metros. Já um bom texto parece mais com um carro no ponto morto que, de leve, escorrega ladeira abaixo.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Mulher Pelada e Minha Retrogradação

Capa da Playboy de 1894


Eu sou um velho antiquado. Descobri essa semana. O que eu chamo de pudor é visto por aí como uma bengala psicológica em desuso desde 1895. Sou retrógrado em relação às principais cabeças não pensantes da mudernidade. Me sinto uma mistura de aiatolá xiita com, sei lá, um aiatolá sunita.

Pra mim, é difícil encaixar uma mulher de respeito na capa da Playboy. Bem, na capa até que vai, caso ela tenha sido sedada com um "boa noite cinderela" ou forçada com uma arma na cabeça. O que não dá para engolir é a rapariga com a xereca exposta na parte de dentro da revista, querer me convencer que é uma mulher de valor.

Sou do tempo em que aparecer pelado para todo mundo era uma vergonha e o convite da Playboy era uma variação criativa do Topa Tudo por Dinheiro. Hoje em dia, a nudez é motivo de orgulho. Quando meus filhos estiverem grandinhos, presumo, será obrigatório. Ganharão pontos se comprovarem ter fotos nuas publicadas em periódicos de grande circulação.


Ter uma filha aí é o sonho de qualquer pai, né não?


Antigamente, quem posava na Playboy emitia sinais de vergonha e desconforto. Algumas se arrependeram, mais tarde. Hoje em dia, por ânsia de fama, imploram para todos comprarem as revistas e só faltam prometer autógrafo no p** - apenas os enrijecidos, claro - de quem for no lançamento.

A mulher pelada na Playboy (o mesmo serve pra homens na G Magazine, também) está no meio do caminho entre a moça de respeito e a prostituta. Na Playboy, ela vende sua imagem para satisfazer os instintos masculinos, só visualmente. Para o mesmo fim, a quenga vende o corpo na zona. A única diferença é que, adicionado o fator tátil nesse segundo caso, o atendimento é VIP.

É claro que as coelhinhas da preibói têm uma justificativa bonitinha. Se escondem sob o inegável valor artístico dos ensaios fotográficos para lobotomizar a consciência e poder embolsar a grana. Nesse caso, seria melhor pagar por um ensaio pessoal, sigiloso. Porque a verdade, minha cara amiga langomorfa, é esta: sua revista será, certamente, folheada por apenas uma mão.

domingo, 7 de março de 2010

Quando Falta Assunto

 
O blogueiro, nas últimas semanas


O maior sinal de decadência de um escritor, colunista ou blogueiro é quando ele resolve discorrer sobre a falta de assunto. O mais interessante é que os maiores mestres da palavra já caíram nessa vala comum. A princípio tentei evitar, mas depois de descobrir isso, considerei até uma honra me lambuzar nessa lama, que nem um pretinho do mangue.

Afinal, decadência mesmo é deixar um blog um mês sem atualizações decentes. Ainda bem que eu nunca passei por isso.

Mas, pra quem já ficou tanto tempo sem postar em blog, é evidente que o principal inimigo é a falta de assunto - e seu cão de guarda, a falta de inspiração. A sabedoria diz que, se não há nada para falar, o melhor é não falar nada. Como blogueiro não é sábio, na ausência de tema, ele fala sobre o tema ausente.

Tecnicamente falando, a falta de assunto é um vácuo na caixa craniana, uma bolha de ar ocupando espaço de onde deveria haver cérebro. Então, em vez de pensar, o portador dessa síndrome imagina apenas nuvens, folha de papel em branco, algodão doce sabor baunilha e uma tela de 21 polegadas com uma página do Word em branco.

A bolha de ar costuma entra no cérebro pelos ouvidos. Sim, quem ouve muita fofoca e papos sobre preço de roupas acaba embranquecendo a massa cinzenta. Mas a audição nem é o principal causador desse mal, e sim a visão. Quase todos os pacientes portadores de cabeça de vento se tornaram assim por meio de atividades inúteis, dentre as quais, a campeã é zapear por horas pela internet. Em segundo lugar, assistir o Domingão do Faustão; no terceiro, dá empate técnico entre ver novelas e ler Paulo Coelho.



Nessas horas, é melhor pensar no pior. Ruim mesmo seria se fôssemos profissionais das idéias. Um roteirista de programa de TV, por exemplo. O que ele faz no caso de bloqueio criativo? É tão desesperador quanto um atacante que não faz gol.


Ex-BBB assediado por paparazzi


Funesta, mesmo, é a falta de assunto jornalístico. Nesses casos, o botão automático dos produtores, hoje em dia é falar de algum ex-BBB. Em 10 edições, a Globo vomitou uns 200 pseudo-famosos para ser destrinchados por repórteres desocupados.


Num encontro com uma garota, a dificuldade no desenvolvimento de um bom assunto pode ser desesperadora. Quanto mais se pensa em algo interessante, mais páginas em branco do Word vêm à mente. Por outro lado, o excesso de papo não é, necessariamente, positivo. Na metade final do encontro com a catiroba moça, se ela desembesta a parlar como uma matraca, é um sinal de uma linda amizade brotando. Mas, se, no momento certo, calam-se os lábios e sobe o som com um fundo musical Good Times, surge, então, a oportunidade para o silêncio continuar, no beijar das bocas. Romântico, né?

Não.

E você, meu caro blogspectador? O que fazer em desesperadoras circunstâncias de inexistência de assunto?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sexo, Álcool e Carnaval

Colossal. Apenas colossal.


Carnaval. Não: carnaval e política. Ou melhor: carnaval, política e Paulo Coelho. É extensa a lista das coisas que me envergonham daqui do Brasil. Mas vamos nos ater à primeira.

Tenho vários elementos suficientes para odiar o carnaval. Fiquem apenas com dois: sou roqueiro e com criação evangélica. Ainda há um terceiro, muito marcante. Quando eu era criança, meu cérebro quase derretia de raiva quando eu queria ver desenho ou Jaspion, mas a Globo só passava aquela pasmaceira de gente colorida fingindo estar alegre.

Deixem-me argumentar de forma mais específica. Carnaval é a semana mundial da música escrota. Os sambas, todos iguais, são uma bola-no-saco. Por que os temas sempre são pra puxar o escroto de alguém? Por que não fazer algo com maior utilidade pública, como meter o pau no Bin Laden? Ou no Bush? Já imaginou um carro alegórico com torres gêmeas que, no final do desfile, despencam? E a ala de frente com brincantes empoeirados? Um sucesso.

Tematizar a economia, por exemplo, também seria perfeito. Um carro para a inflação, um para os juros... e os brincantes? Moedinhas e notinhas, com um dragão e um leão correndo atrás. Cara, sou um baú de ideias. Contratem-me. Mas tem que pagar muito bem pra me fazer participar de um evento tão escroto canalha feladamãe ah, não tenho adjetivos.


 
Típica fantasia psicológica masculina


As fantasias do carnaval são um convite para se mudar de galáxia. O pior é que as agremiações gastam uma fortuna acumulada com suor durante o ano, trabalham 26 horas e meia por dia para deixar tudo pronto, fazem um desfile sonífero de um dia e, pronto, passou. Antes tanto trabalho e dinheiro fossem para algo mais útil, tipo  E não me venha com esse papo de cultura e blá blá blá. Carnaval serve para nos estereotiparmos no exterior. Apenas isso.

Tirando a questão dos desfiles oficiais, rebolação de musas nuas e músicas sacais, continuo não gostando de carnaval. Não gosto dos blocos de rua. Não gosto do carnaval do interior. E também não gosto de abóbora, só pra constar.


No carnaval, o importante é ser discreto

Não vejo sentido em tanta sacanagem concentrada justo no período carnavalesco. Nada contra as raparigas seminuas ou à saliência em si, obviamente. Só preciso entender por que é tudo tão excepcionalmente aflorado nessa época, mais do que em qualquer outra, e de forma tão patética.

O interessante é que a proposta original era uma festa cristã justamente com renúncia aos prazeres da carne, daí a palavra carnaval. E aí inverteram o processo, de forma que meninas querendo dar vão às ruas com homens querendo comer. Para garantir a cópula, ambos ingerem álcool de forma a baixar consideravelmente o nível de exigência estética do parceiro.

Assim como o Natal é a época em que tenho que ser bonzinho, fingir perdoar meu colega, doar brinquedos para uma comunidade quilombola do interior das Ilhas Faroe e aturar musiquinhas típicas no shopping center, na folia de fevereiro eu tenho que pirar, beber tudo e comer todo mundo. Senão não é folia. Nem fevereiro.

A você, meu caro leitor, que vai cair na folia, lembre-se que não são os últimos dias de sua vida; que fígado não é meramente estético; que cancro duro é pior que cancro mole; que herpes genital é pior que os dois; e que ressaca moral não tem cura.

Então, amigo, divirta-se mesmo assim e depois me conte, pra eu poder rir de sua cara.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

Reflexões sobre a cornice humana



Um dia, cheguei com um amigo e perguntei:

- Tu trais tua mulher?
- Sempre que consigo - respondeu, confiante.

Outro dia, numa conversa com outros dois amigos, questionei um deles:

- Por que tu não tá mais casado?
- É que minha mulher me deixou porque achou que eu tivesse tido um caso com outra.
Daí eu perguntei:
- E tu teve?
- Sim. O ser humano não foi feito para a monogamia. Há uma forte corrente antropológica que... - o terceiro integrante da conversa interrompe:
- Ei rapaz, fala por ti.
- Então tu nunca traiu tua esposa? - perguntei pra este
- Cara, tô separado há seis meses.
- E a separação não tem nada a ver com traição?
- Ei, continua aí contando tua história - concluiu, com um sorriso cínico.

Em mais um diálogo, com um amigo que, até antes desse papo, eu considerava como exemplo de dignidade humana, para justificar sua atual promiscuidade - em solteirice - ele dizia:

- Rapaz, em seis anos de relacionamento, nunca traí minha namorada. Aliás, só teve uma vez. Não, teve outra também, mas é que estava só eu e ela numa rede de noite, ela me atentou e não teve jeito.
- Hum. - disse eu.
- Mas tirando essas duas, nunca traí minha ex-namorada! - completou, com orgulho.

Visão animal artística de Tessalia e Michel, com a ex dele em primeiro plano

Deixe-me explicar minha teoria. Quando nascemos, tomamos vacina infectada pelo vírus da safadeza (o cão foi que botô pra nós beber). Ele se replica inocentemente na infância e só começa a dar os primeiros sinais durante o nascimento da saliência adolescente. Durante a puberdade, o paciente sente os primeiros desconfortos e luta contra os sintomas. Mas quase todos se entregam ao ver que a sacanagem é generalizada, aceita, bem vinda e até estimulada entre os seus iguais.

Infidelidade no meio masculino é tão normal quanto assaltante na Terra Firme. Ambas atitudes são crimes igualmente estúpidos e injustificáveis. Aliás, a traição ainda é pior, porque vai contra alguém que o bandido diz amar, enquanto o roubo é contra qualquer bunda-mole que dê...mole.

Pesquisa da UFRJ aponta que 60% dos homens confessam a traição contra 47% das mulheres.
O interessante é que, em vez de combater a doença, as pessoas simplesmente se rendem a ela. Não só os homens; todo mundo. Por exemplo: estudo da USP constatou que apenas um em cada quatro brasileiros casados espera que o parceiro seja fiel. Isso significa que 75% das pessoas casadas acreditam que serão traídas. Há outras pesquisas que mostram uma certa improbabilidade de um homem chegar aos 80 anos sem nunca ter pulado a cerca. E existem a Associação dos Cornos de Rondônia e a Associação dos Mal Amados do Ceará. Sério.

Num local normal de trabalho, os homens são divididos em dois grupos: os pilantras e os bem intencionados. Os cafajestes se dividem entre os que traem abertamente e os que traem sorrateiramente; já os quase bonzinhos ou tentam não trair, ou não traem. Ninguém desse último grupo foi encontrado para conceder entrevista.

A maioria anda assim


 
A bacanagem humana é o principal sinal de que o mundo está perdido, falido. E não adianta fugir para as montanhas. Até porque o friozinho e a escuridão de lá tornam o ambiente favorável para a sacanagem. Não, nunca estive lá.

Aos homens, não adianta reclamar, porque vocês sabem que é assim.

Às mulheres, resta apenas reclamar, porque vocês também sabem que é assim.

O dia que eu descobrir o antídoto para esse vírus, aviso vocês.

Eu só quis dizer.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A mente de um blogueiro




Eu sou normal. Cresci da maneira que minha glândula adeno-hipófise esperava ao lançar o hormônio somatotrófico pelo meu corpo. Meu cérebro também se desenvolveu bonitinho, sem retardos nem poderes telepáticos. Só uma parte dele é que não quis se desvincular totalmente da infância: minha imaginação.

Assim como hoje sou um adulto comum, fui uma criança regular em todos os aspectos. Inclusive por gostar de viajar com os pensamentos, como o Doug Funnie fazia para se desatrelar da realidade na pele do Homem Codorna. Nunca cheguei ao ponto de tomar atitudes baseadas em fantasias, como o personagem de desenho; por outro lado, acho que eu viajava mais pesado em algumas conversas neuroniais.



Minha cabeça continua assim; só muda o conteúdo


Minhas dificuldades na escola começaram porque, enquanto o professor falava, eu construía um mundo mental paralelo. Até hoje, eventualmente me pego em um pensamento que se torna tão real e intenso - quase como um subsonho - que, ao "acordar", me assusto e fico com o coração batendo mais forte. Construo involuntariamente roteiros complexos, cheios de suposições fantasiosas, em qualquer momento de menor atividade corporal e mental. Ao fim, vai tudo direto para o Aterro Sanitário Cerebral do esquecimento.

Na verdade, ia. Alguma coisa eu distribuo entre diálogos freudianos com minha gatinha, meditações transcedentais e auto-lavagem cerebral. A parte igualmente irrelevante, mas com algum sentido, eu organizo e escrevo neste blog, enquanto que os pensamentos mais isolados escorregam no Twitter como se numa privada. E mesmo assim a maior parte das imaginações fúteis ainda sobra. Essas, sim, vão para o Aterro Sanitário Cerebral.

Do aterro, leva um tempo até a aniquilação total do esquecimento. Enquanto isso, todas as besteiras em que eu já pensei vêm à tona durante meus sonhos, como se alguém pegasse o lixeiro da cozinha e espalhasse o conteúdo por toda a casa. Quando acordo, faço uma rápida faxina para separar o que é útil ou não e sigo a vida, em produção ininterrupta.



"Imaginação é mais importante que conhecimento"
Se o cara falou, tá falado


Minha mente é fértil por que o adubo abunda. Eu sei que todo mundo tem imaginação, todos pensam besteira. Mas, provavelmente - e hoje, com alguma influência de cinco anos de jornalismo - às vezes acho que minha produção de fantasias é um pouco mais acelerada.

Por exemplo, há pensamentos que são divertidos como hobbies. Se alguém interrompe, depois eu fico cavucando minha mente para recaptar aquela imaginação que me entretinha.

O tipo de pensamento mais bacana é a fantasia: "Como seria se eu morasse em São Paulo? Ou em Nova Iorque?". São legais também as suposições inviáveis, tipo: "O que eu faria com R$ 40 milhões?"; "E se eu fosse famoso?"; "E o Remo na Libertadores?".

Quando eu era pré-adolescente e pegava muito ônibus, ficava me imaginando durante o trajeto como eu seria se fosse o motorista. Deixaria moleques de 10 anos subirem pela frente sem pagar? Já na adolescência, passei a hipotetizar eu como professor, o que quase me faz escolher Licenciatura em História para o vestibular.

Já supus de tudo. O resultado é mais ou menos assim: "eu como...

- Ator seria uma mistural de Mateus Nachtergaele com o Fiuk de caganeira;

- Jogador de futebol seria meio Bebeto, o chorão cai-cai; e meio Jonas do Grêmio, que perde gol demais;

- BBB seria um cara meio nonsense, mas sairia logo do programa por não me encaixar em nenhuma das tribos, mesmo sendo inofensivo;

- Astronauta morreria na minha espaçonave por esquecer de apertar um botão importante, no tédio do espaço;

- Advogado seria uma atração pros estagiários de direito. Excessivamente bem humorado ao falar, fugindo de todos os estereótipos e constantemente repreendido pelo juiz;

- Presidente da República falaria quase tanta merda quanto o Lula, mas não faria tanta assim;

- Músico cansaria de repetir minhas músicas o tempo todo e entraria no ostracismo;

E, finalmente, como:

- Jornalista tentaria ser um blogueiro de sucesso.



E você, como seria?