quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Marcas de um Tecnovelho


Vovô conversando com a neta pelo MSN


"Maldita inclusão digital!", bradam os iniciados no mundo virtual, ao ver asneiras de neófitos pela internet. Minha preocupação maior nem é com esses, uma vez que todos um dia já fomos iniciantes e, em tese, aprendemos com o tempo. Agora, um tecnovelho - isto é, um ser de idade mais avançada e pensamento travoso para lidar com a tecnologia - sempre será um tecnovelho.

O conceito não trata estritamente da idade da pessoa. Pode haver um tecnovelho de 20 anos, desde que pense e aja como um idoso virtual; assim como um geek de 50. Tecnovelhice é um estilo de vida que transcende o numeral que representa sua idade.

Um estilo de vida marcante, acrescento. Detectável a centenas de metros de distância. Exala odor característico, perceptível até por quem está ao outro lado da tela de um computador. Existe um padrão de comportamento em tecnovelhos, determinado por características especiais no DNA, com uma curva acentuada à esquerda em sua dupla hélice (?).

São figuras constantes no Tolices do Orkut, verdadeiros mestres do humor involuntário. É claro que essa limitação não os torna inferiores ou desprezíveis. É uma turma gente boa, quase sempre. Na hora em que pergunta "como faz para...", todo mundo sai correndo, rola pelo chão, pula pela janela e evacua o lugar como se tivessem soltado uma bomba química.

Com as características que vou passar agora, é possível detectar um tecnovelho num raio de três quilômetros. Se você tem ou conhece alguém com duas dessas características, é batata (isso foi uma velhice): trata-se de um idoso cibernético.





O vovô de hoje ensinou o velho de ontem a operar um desses

Marca #1: Celular berrante


Qualquer aparelho móvel que emita sinais sonoros com intensidade superior a 40 decibéis pertence a um tecnolvelho. A premissa - falha - dos idosos é que o celular tem que dar um berro da mesma altura do telefone fixo da casa dele. Para piorar, o desgraçado do velho adora esquecer o celular numa mesa enquanto vai ao banheiro. Enquanto o celular se esgoela, todo mundo para, se entreolha e olha pro celular, possivelmente um modelo popular há três anos (até porque velho não sabe mexer num Blueberry).

Quase sempre é o Nokia Tune ou algum daqueles toques clássicos do tempo do celular monofônico, num volume capaz de fazer o ambiente sacudir até o nível 4,5, na escala Richter. Quando o tecnovelho sai do banheiro e pega o celular, vem mais uma característica marcante: fica olhando para a telinha por uns cinco segundos, tempo suficiente para ler quem está chamando, lembrar de onde a pessoa e decidir se vale ou não a pena atender.


Marca #2 : Digitação datilográfica


O cara castiga as pobres letrinhas com pesadas marteladas. Ou então tá matando formigas em cima do teclado. Sei lá. Só usa um dedo em cada mão para pressionar as teclas. Os mais calmos usam os indicadores, enquanto que os escrotos usam o cotocal, para ver se consegue furar o teclado com uma dedada de 15 toneladas, capaz de perfurar rochas.

Além disso, o tecnovelho olha atentamente para o teclado, para conseguir achar o "backspace", "delete", "enter" e similares. Salvar o documento? Arquivo, salvar. Copiar e colar? Vai em editar. Não usa uma única tecla de atalho. O sobrinho já ensinou o Ctrl C + Ctrl V zilhares de vezes, mas o velho empaca, sempre esquece e, no seu íntimo, acha mais fácil usar a barra de menus para esse objetivo.


Marca #3: Super-sobrinho



Aliás, sobrinho é a salvação da lavoura (#velhicedetected) dos tecnovelhos. Sem ele, o cara não saberia nem ligar o PC. Em síntese, para chegar o ponto de o idoso virtual usar o computador sozinho, alguém foi perturbado sem piedade, a cada cinco minutos, por pelo menos seis meses.

Cada usuário de computadores com cabelos brancos virtuais já precisou de alguém 30 anos mais novo (também virtualmente falando, claro) para operar tecnologias. E isso não vem de agora; diálogos assim são comuns desde milênios Antes de Cristo:

- Sobrinho, vem cá!
- Que foi?
- Como é que faz para usar essa roda aqui?
- Ah...tá bom - responde o moço, enquanto anda com os pés arrastando no chão.


Marca #4: Formalidade

Cá pra nós (#velhice), é engraçado conversar com um velho pela internet. O cara começa todas as frases com letras maiúsculas e põe todos os pontos em seguida, como se estivesse escrevendo uma monografia dentro das ABNT. Ora bolas, o cara tem gírias supimpas pra dedéu, de estourar a boca do balão!

Mas aí vem o problema: como entender o que o adolescentezinho está dizendo? É simples, não dá. A conversa termina em poucos minutos.

Quando o tecnovelho já tá começando a se acha um "geek" - na verdade ele não se acha isso, porque não sabe o que "geek" significa, ele esbarra em um problema simples: a língua inglesa. Depois de metralhar o pobre sobrinho com perguntas óbvias como "cadê o arquivo que eu baixei agora?", o cara passa a perturbar com coisas do tipo "o que significa 'erase all'?".

9 comentários:

Anônimo disse...

Sou louca por vc, Filipe.
Te acho lindo e interessante.
Delicioso.
Um dia quero ficar com vc.
Beijos de uma admiradora.

Anônimo disse...

heehehe,

o Blog tem suas utilidades, hein ?

Anônimo disse...

Eu até vim comentar mas acabei rindo e esqueci o comentário! Desculpa...

gi disse...

heehehe,

o Blog tem suas utilidades, hein ? (2)

PS: na verdade, acho que foi tu mesmo que escreveu essa tão arrebatadora declaração de amor só pra ficar contando vantagem!

Anônimo disse...

perdi o rumo do que ia escrever .... to que nem o anonimo das 08:43... sucesso com o blog.

Michy disse...

Texto Bom. A Marca #4 é a minha cara! Rsss...
Mas me surpreendeu muito a utilidade desse Brógui!
3 de Dezembro às 14:53 uma declaração de Amor? Mas pera lá... N era p/ te Xingar aqui? Rssss...
Eu ri! Mas acho que a pessoa n devería ser Anônimo... queremos saber quem é!
Beijos Chatonildo!

Jacqueline disse...

Interessante essa de Tecnovelho.
Só acho que os geeks de hoje estão se tornando JustTecnos e não valorizam o que o Velho e Bom pré-internet tem de bom.
...
Penso que um dia seremos nós, atuais, velhos. Anciãos pra uma nova tecnologoa que, com certeza, nossos filhos e netos entenderão beeem melhor que nós, "da época do orkut".

Danielle disse...

Aeeeeeeeeee, Felepe ganhando todassss!!! Eu vim aqui olhar os 82948 comentarios... nem tem! Mentiroso!

Filiblog disse...

Anônimo 1:

Desculpa se vc for de verdade, mas até agora acredito que seja brincadeira de alguém.

Anônimo 2 e 3:

Não entendo por que tu postou anonimamente. Não falou nada comprometedor. Mas obrigado pela participação :)

Gi:

Tua teoria é que eu escrevi, a minha é de que um homem escreveu. :P

Anônimo 4:

Obrigado. Mas pra quê a anonimidade? Ah, fique a vontade. Melhor comentario anonimo do que não comentário.

Michy:

Muuuuito obrigado!

Tá todo mundo querendo desvendar quem é esse anônimo mesmo!

Jacqueline:

Eu realmente me pego pensando sobre isso q tu falou, de que o geek de hoje será o tecnovelho de amanhã. Justamente por isso a segunda foto do post tem a legenda que tem, de que o vovô de hoje era safo em telégrafo há décadas.

Será assim? o.O

Danielle:

Alto lááá! Eu não disse que haveria 6545676 comentários. Eu disse apenas que o próximo post só vem no 84º comentário.

E felicidades no casamento! :D