domingo, 24 de fevereiro de 2013

Crônicas de Nada: comprei um Iphone


Realizei meu sonho: comprei um Iphone.

Pode não parecer, mas é um sonho até poético. Sempre que olho o céu noturno, lembro do meu novo brinquedinho. Sério. É que a quantidade de parcelas que vou ter que pagar ultrapassa o número de estrelas.

Apesar de ter sido mais caro que um par de rins com uma pedra de crack dentro, tô tirando de letra pra quitar. Bastou-me deixar de almoçar. Com essa economia, sobrou até uns trocados pra eu comprar, estrategicamente, um aplicativo que conta o número de estrelas do céu.

E nem me olhem com essa cara feia que almoço diário nunca constou na lista de sonhos da classe média. Tudo bem que tenho sobrevivido apenas com a quantidade de calorias minima para não definhar por inanição, mas e daí?

Tá, eu admito que pneumonia não era o naipe de entrevero que eu esperava contrair. Mas antes que vocês chamem a ambulância, quero anunciar que essa pequena enfermidade está sob total controle, desde que baixei um aplicativo do Iphone que aumenta a quantidade de Células T no meu organismo.


Iphone é assim mesmo: a gente compra pra entrar na moda, mas acaba se apaixonando pelo que tem dentro mesmo. Aposto que não fui o único a conseguir salvar meu casamento depois de ter baixado um aplicativo que responde automaticamente a pergunta "onde você está" feita pela minha esposa no Whatsapp. Quase que eu estrago tudo porque demorei a perceber que eu podia configurar mais de um lugar como resposta, daí ela tava começando a achar que eu virei acionista da padaria da esquina.


As infinitas possibilidades trazidas pelos aplicativos me fizeram ganhar uma boa grana com essa área. Depois de alguns esboços, eu já tinha quase terminado o protótipo do gadjet que faz fotossíntese humana. Fui todo untado de clorofila pra apresentar o projeto à empresa que iria distribuí-lo, mas os caras lá não se ligaram muito na onda e preferiram investir em outra ideia minha: a do aplicativo que filtra posts poéticos no Facebook.

Além de conseguir voltar a comprar almoços, essa minha invenção me fez juntar um dinheirinho pra eu comprar - parceladamente, claro - um Ipad. Só ainda não achei um aplicativo que mostre a utilidade dele. Enquanto isso, voltei a olhar as estrelas do céu com um certo pesar no bolso.

4 comentários:

Anônimo disse...

Rapá, és um poeta disfarçado de locutor de rádio do Tuitaí.
Dedé Mesquita

D.D disse...

Sorrisos aqui...Há um bom tempo estou tentando me livrar da ideia do consumismo...Gostei demais da graça literária!Abraços

Filiblog disse...

ehehh valeu dedee

brigaduuu tb DD
:D

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