terça-feira, 31 de agosto de 2010

Eleições: Diabo versus Capeta




Eleições são a época com mais mentiras por cubo quadrado. Nem me refiro à lábia dos políticos. A grande lorotadadoca é tentar convencer o eleitor de que ele é capaz de mudar radicalmente o rumo do país: basta teclar a correta combinação de números na urna. Como se os candidatos fossem muito diferentes entre si.

Se ao menos um postulante a um cargo público eletivo tivesse três células sem o gene da maracutaia ou da estupidez, eu iria à Terra Firme (a mistura paraense de Bagdá com Freetown) vestindo uma cueca de ouro com a foto do candidato. Mas não há, infelizmente. Nunca poderei satisfazer essa minha fantasia sexual.

Não existe diferença gritante entre Dilma e Serra. A maior distância entre os dois é de quem serão os padrinhos beneficiados com cargos e jogos políticos, após a posse. Eu sei que têm passados distintos, vestem seus diferentes tipos de roupas de baixo e têm características capilares próprias. Poderia ser a eleição do Rocky Balboa contra o vírus Ebola pra vereador de Constantinopla, não adianta: quem chega ao poder segue o mesmo padrão de comportamento.

E se algum candidato vem com discurso muito diferente, é hora de rezar para que mude de ideia. E com fé, porque já funcionou com o Lula. Um passo para trás e você lamenta ter saído do lugar. Melhor estagnar a regredir.


 


Então por que tanto fanatismo político? Fácil: política é igual futebol. Cada um escolhe um time para só ver virtudes e coloca um filtro no cérebro pra detectar apenas defeitos alheios. Eleição é uma mera disputa entre agremiações. Embate de ideias é passado; o presente não passa de uma escaramuça para saber quem vai herdar a carniça.


E por que os candidatos são tão semelhantes? Porque somos todos parecidos. Por um cargo DAS, somos capazes de dizer que mudamos de candidato - ou mudamos mesmo -, colocamos propaganda no carro e vamos a carreatas com um poster do candidato no c*. Não é tão diferente das trocas de favores políticos que tanto criticamos. Os eleitos realmente representam o povo, por isso são tão corruptos quanto ele. Tão ou mais, dada a abundância de oportunidades na vida pública.

Juro que, no dia de eleição, saio de casa como alguém que vai comprar roupa em um brechó. A que está só manchada é melhor que a rasgada. Posso até voltar satisfeito, mas não vou a desfile de modas com nenhuma delas.

Portanto, não sejamos hipócritas. Votem em quem acharem menos ruim. Eu, por exemplo, se pudesse, votaria em um anão: dos males, o menor. Já votamos muitos nos filhos, então é hora de escolher as, digamos, putas. Não eleja quem faz na vida pública aquilo que faz na privada. E, acima de tudo, ignorem quem faz piadas velhas sobre esse tema.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Problemática da Monotemática





Fixes tua vida em um só assunto e serás um chato. Sim, mais ou menos como destrinchei anteriormente, ao descorrer sobre tipos desagradáveis.

Todo mundo conhece alguémdo tipo que, no orkut, apenas com as cores do Flamengo, avatar do Flamengo, comunidades de famáticos pelo Flamengo e só falta uma foto com um pinto de borracha do Flamengo, cravado no orifício anal. Nada contra o Framengo. Ou melhor, várias coisas contra. Ah, vocês entenderam.


O que importa é que, tais pessoas monotemáticas são, na melhor das hipóteses, pessoas desinteressantes e de intelecto curto.

E o futebol não é o único alienador, como vi na fila de um show de metal progressivo em São Paulo, há pouco tempo. Antes de entrarmos no Creditcard Hall, eu e meus dois irmãos conhecemos um simpático paulistano. O clássico metaleiro que não curte nenhuma banda com menos de 20 anos de idade - a não ser aquelas que tocam exatamente como há 20 anos.

Já no começo do papo, meu irmão morreu de vergonha por eu ter revelado que ele assistira o show do Oasis. Com razão, claro. Numa fila para ver Dream Theater, alguém que gosta de Oasis merece arder numa fogueira com rebolation eterno. Mas, ao convencer que foi pro Oasis só por que minha mãe queria (papo furado), ele conseguiu escapar da inquisição metálica.

A conversa fluiu com temas do tipo Megadeath, Simphony X e Slayer. Às vezes, tinha uns trancos com Metallica (muito pop) e Angra (nacional?!), mas desandou de vez quando eu falei em Muse. Eu tinha que ter filmado a expressão do cara nessa hora. Me senti como uma freira flagrada dando pro padre. De quatro. No meio da praça.


Ah, odeio gente monotemática. A fissuração em um único assunto é pura pobreza espiritual. Se um dia colocarem uma bandeira de qualquer coisa no meu caixão, eu volto só pra puxar o pé do sacana de noite.

terça-feira, 30 de março de 2010

O Exercício da Boa Escrita



Ser escritor deve ser legal.  Tipo um sábio incompreendido que descarrega suas voltagens neuroniais numa genial sequência de letras. É aplaudido de pé ao descrever uma popozuda andando pela calçada. E quando todo mundo pede "mais um, mais um!", faz biquinho e não escreve mais nada.

Para fazer alguém pregar os olhos por horas na sua sequência de letrinhas, o escritor tem que ser safo. Quando eu era criança, não entendia como um adulto tinha orgasmos só de olhar páginas, ainda mais sem figuras! Ainda acho que meus leitores se atêm mais às figurinhas do que às letrinhas. É um fato comprovado por três pesquisas sérias sobre o assunto. E por mais umas tantas pesquisas gaiatas, também..


Não sei por que só olham para as figurinhas...


O passo fundamental para o aprendiz de Machado de Assis é pensar merda. Assim como um atacante chuta várias vezes para fora até acertar o gol, o escritor rumina bastante adubo antes de parir uma boa ideia. Um mestre da literatura, certamente, pensa em coisas inimagináveis. Mas se são inimagináveis, como é que ele pensa? Não sei, não sou um mestre da literatura.

O importante é que o papel só recebe o que passou pela mente. Antes de pescar algo original, vem muito sapato.


Uma arma indispensável é o backspace. Isso se estiver depois, claro. Antes, o mais indicado é o delete. Mas não se limite a eles. Shift e Ctrl ajudam na eliminação, em escala industrial, de fezes escritas. E quando o adubo abunda, não tem jeito, use a descarga virtual com Crtl + A + delete. Pois o bom escritor pode ter medo de pata de cobra, de pescoço caranguejo e de dente de papagaio, mas nunca de apagar algo que escreveu.

A pior parte é a organização, chata como arrumar um quarto. É um trabalho braçal negligenciado por muitos jênios da literatura. Por quê? Dá muito trabalho. É nessa hora que o aspirante a Machado de Assis - tipo, um Foice de Assis - desamola. Sem um trato nas suas letrinhas, meu caro blogspectador, você não será sequer um Canivete de Assis. Nem Eça, nem Aquela de Queiroz. Esqueça.

Por fim - mas longe de ser conclusivo sobre assunto -, eu noto que os bons textos têm ritmo, pulsação. Letras de Machados afiados correm sem fazer esforço, como uma música, enquanto uma frase chama pela outra. Fluem como o ânus desliza suavemente pelo tobogã do Beach Park. E, acima de tudo, não usam metáforas idiotas como essa.

Textos ruins são como ruas com lombadas calombóticas a cada três metros. Já um bom texto parece mais com um carro no ponto morto que, de leve, escorrega ladeira abaixo.

domingo, 7 de março de 2010

Quando Falta Assunto

 
O blogueiro, nas últimas semanas


O maior sinal de decadência de um escritor, colunista ou blogueiro é quando ele resolve discorrer sobre a falta de assunto. O mais interessante é que os maiores mestres da palavra já caíram nessa vala comum. A princípio tentei evitar, mas depois de descobrir isso, considerei até uma honra me lambuzar nessa lama, que nem um pretinho do mangue.

Afinal, decadência mesmo é deixar um blog um mês sem atualizações decentes. Ainda bem que eu nunca passei por isso.

Mas, pra quem já ficou tanto tempo sem postar em blog, é evidente que o principal inimigo é a falta de assunto - e seu cão de guarda, a falta de inspiração. A sabedoria diz que, se não há nada para falar, o melhor é não falar nada. Como blogueiro não é sábio, na ausência de tema, ele fala sobre o tema ausente.

Tecnicamente falando, a falta de assunto é um vácuo na caixa craniana, uma bolha de ar ocupando espaço de onde deveria haver cérebro. Então, em vez de pensar, o portador dessa síndrome imagina apenas nuvens, folha de papel em branco, algodão doce sabor baunilha e uma tela de 21 polegadas com uma página do Word em branco.

A bolha de ar costuma entra no cérebro pelos ouvidos. Sim, quem ouve muita fofoca e papos sobre preço de roupas acaba embranquecendo a massa cinzenta. Mas a audição nem é o principal causador desse mal, e sim a visão. Quase todos os pacientes portadores de cabeça de vento se tornaram assim por meio de atividades inúteis, dentre as quais, a campeã é zapear por horas pela internet. Em segundo lugar, assistir o Domingão do Faustão; no terceiro, dá empate técnico entre ver novelas e ler Paulo Coelho.



Nessas horas, é melhor pensar no pior. Ruim mesmo seria se fôssemos profissionais das idéias. Um roteirista de programa de TV, por exemplo. O que ele faz no caso de bloqueio criativo? É tão desesperador quanto um atacante que não faz gol.


Ex-BBB assediado por paparazzi


Funesta, mesmo, é a falta de assunto jornalístico. Nesses casos, o botão automático dos produtores, hoje em dia é falar de algum ex-BBB. Em 10 edições, a Globo vomitou uns 200 pseudo-famosos para ser destrinchados por repórteres desocupados.


Num encontro com uma garota, a dificuldade no desenvolvimento de um bom assunto pode ser desesperadora. Quanto mais se pensa em algo interessante, mais páginas em branco do Word vêm à mente. Por outro lado, o excesso de papo não é, necessariamente, positivo. Na metade final do encontro com a catiroba moça, se ela desembesta a parlar como uma matraca, é um sinal de uma linda amizade brotando. Mas, se, no momento certo, calam-se os lábios e sobe o som com um fundo musical Good Times, surge, então, a oportunidade para o silêncio continuar, no beijar das bocas. Romântico, né?

Não.

E você, meu caro blogspectador? O que fazer em desesperadoras circunstâncias de inexistência de assunto?

sábado, 20 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sexo, Álcool e Carnaval

Colossal. Apenas colossal.


Carnaval. Não: carnaval e política. Ou melhor: carnaval, política e Paulo Coelho. É extensa a lista das coisas que me envergonham daqui do Brasil. Mas vamos nos ater à primeira.

Tenho vários elementos suficientes para odiar o carnaval. Fiquem apenas com dois: sou roqueiro e com criação evangélica. Ainda há um terceiro, muito marcante. Quando eu era criança, meu cérebro quase derretia de raiva quando eu queria ver desenho ou Jaspion, mas a Globo só passava aquela pasmaceira de gente colorida fingindo estar alegre.

Deixem-me argumentar de forma mais específica. Carnaval é a semana mundial da música escrota. Os sambas, todos iguais, são uma bola-no-saco. Por que os temas sempre são pra puxar o escroto de alguém? Por que não fazer algo com maior utilidade pública, como meter o pau no Bin Laden? Ou no Bush? Já imaginou um carro alegórico com torres gêmeas que, no final do desfile, despencam? E a ala de frente com brincantes empoeirados? Um sucesso.

Tematizar a economia, por exemplo, também seria perfeito. Um carro para a inflação, um para os juros... e os brincantes? Moedinhas e notinhas, com um dragão e um leão correndo atrás. Cara, sou um baú de ideias. Contratem-me. Mas tem que pagar muito bem pra me fazer participar de um evento tão escroto canalha feladamãe ah, não tenho adjetivos.


 
Típica fantasia psicológica masculina


As fantasias do carnaval são um convite para se mudar de galáxia. O pior é que as agremiações gastam uma fortuna acumulada com suor durante o ano, trabalham 26 horas e meia por dia para deixar tudo pronto, fazem um desfile sonífero de um dia e, pronto, passou. Antes tanto trabalho e dinheiro fossem para algo mais útil, tipo  E não me venha com esse papo de cultura e blá blá blá. Carnaval serve para nos estereotiparmos no exterior. Apenas isso.

Tirando a questão dos desfiles oficiais, rebolação de musas nuas e músicas sacais, continuo não gostando de carnaval. Não gosto dos blocos de rua. Não gosto do carnaval do interior. E também não gosto de abóbora, só pra constar.


No carnaval, o importante é ser discreto

Não vejo sentido em tanta sacanagem concentrada justo no período carnavalesco. Nada contra as raparigas seminuas ou à saliência em si, obviamente. Só preciso entender por que é tudo tão excepcionalmente aflorado nessa época, mais do que em qualquer outra, e de forma tão patética.

O interessante é que a proposta original era uma festa cristã justamente com renúncia aos prazeres da carne, daí a palavra carnaval. E aí inverteram o processo, de forma que meninas querendo dar vão às ruas com homens querendo comer. Para garantir a cópula, ambos ingerem álcool de forma a baixar consideravelmente o nível de exigência estética do parceiro.

Assim como o Natal é a época em que tenho que ser bonzinho, fingir perdoar meu colega, doar brinquedos para uma comunidade quilombola do interior das Ilhas Faroe e aturar musiquinhas típicas no shopping center, na folia de fevereiro eu tenho que pirar, beber tudo e comer todo mundo. Senão não é folia. Nem fevereiro.

A você, meu caro leitor, que vai cair na folia, lembre-se que não são os últimos dias de sua vida; que fígado não é meramente estético; que cancro duro é pior que cancro mole; que herpes genital é pior que os dois; e que ressaca moral não tem cura.

Então, amigo, divirta-se mesmo assim e depois me conte, pra eu poder rir de sua cara.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

Reflexões sobre a cornice humana



Um dia, cheguei com um amigo e perguntei:

- Tu trais tua mulher?
- Sempre que consigo - respondeu, confiante.

Outro dia, numa conversa com outros dois amigos, questionei um deles:

- Por que tu não tá mais casado?
- É que minha mulher me deixou porque achou que eu tivesse tido um caso com outra.
Daí eu perguntei:
- E tu teve?
- Sim. O ser humano não foi feito para a monogamia. Há uma forte corrente antropológica que... - o terceiro integrante da conversa interrompe:
- Ei rapaz, fala por ti.
- Então tu nunca traiu tua esposa? - perguntei pra este
- Cara, tô separado há seis meses.
- E a separação não tem nada a ver com traição?
- Ei, continua aí contando tua história - concluiu, com um sorriso cínico.

Em mais um diálogo, com um amigo que, até antes desse papo, eu considerava como exemplo de dignidade humana, para justificar sua atual promiscuidade - em solteirice - ele dizia:

- Rapaz, em seis anos de relacionamento, nunca traí minha namorada. Aliás, só teve uma vez. Não, teve outra também, mas é que estava só eu e ela numa rede de noite, ela me atentou e não teve jeito.
- Hum. - disse eu.
- Mas tirando essas duas, nunca traí minha ex-namorada! - completou, com orgulho.

Visão animal artística de Tessalia e Michel, com a ex dele em primeiro plano

Deixe-me explicar minha teoria. Quando nascemos, tomamos vacina infectada pelo vírus da safadeza (o cão foi que botô pra nós beber). Ele se replica inocentemente na infância e só começa a dar os primeiros sinais durante o nascimento da saliência adolescente. Durante a puberdade, o paciente sente os primeiros desconfortos e luta contra os sintomas. Mas quase todos se entregam ao ver que a sacanagem é generalizada, aceita, bem vinda e até estimulada entre os seus iguais.

Infidelidade no meio masculino é tão normal quanto assaltante na Terra Firme. Ambas atitudes são crimes igualmente estúpidos e injustificáveis. Aliás, a traição ainda é pior, porque vai contra alguém que o bandido diz amar, enquanto o roubo é contra qualquer bunda-mole que dê...mole.

Pesquisa da UFRJ aponta que 60% dos homens confessam a traição contra 47% das mulheres.
O interessante é que, em vez de combater a doença, as pessoas simplesmente se rendem a ela. Não só os homens; todo mundo. Por exemplo: estudo da USP constatou que apenas um em cada quatro brasileiros casados espera que o parceiro seja fiel. Isso significa que 75% das pessoas casadas acreditam que serão traídas. Há outras pesquisas que mostram uma certa improbabilidade de um homem chegar aos 80 anos sem nunca ter pulado a cerca. E existem a Associação dos Cornos de Rondônia e a Associação dos Mal Amados do Ceará. Sério.

Num local normal de trabalho, os homens são divididos em dois grupos: os pilantras e os bem intencionados. Os cafajestes se dividem entre os que traem abertamente e os que traem sorrateiramente; já os quase bonzinhos ou tentam não trair, ou não traem. Ninguém desse último grupo foi encontrado para conceder entrevista.

A maioria anda assim


 
A bacanagem humana é o principal sinal de que o mundo está perdido, falido. E não adianta fugir para as montanhas. Até porque o friozinho e a escuridão de lá tornam o ambiente favorável para a sacanagem. Não, nunca estive lá.

Aos homens, não adianta reclamar, porque vocês sabem que é assim.

Às mulheres, resta apenas reclamar, porque vocês também sabem que é assim.

O dia que eu descobrir o antídoto para esse vírus, aviso vocês.

Eu só quis dizer.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A mente de um blogueiro




Eu sou normal. Cresci da maneira que minha glândula adeno-hipófise esperava ao lançar o hormônio somatotrófico pelo meu corpo. Meu cérebro também se desenvolveu bonitinho, sem retardos nem poderes telepáticos. Só uma parte dele é que não quis se desvincular totalmente da infância: minha imaginação.

Assim como hoje sou um adulto comum, fui uma criança regular em todos os aspectos. Inclusive por gostar de viajar com os pensamentos, como o Doug Funnie fazia para se desatrelar da realidade na pele do Homem Codorna. Nunca cheguei ao ponto de tomar atitudes baseadas em fantasias, como o personagem de desenho; por outro lado, acho que eu viajava mais pesado em algumas conversas neuroniais.



Minha cabeça continua assim; só muda o conteúdo


Minhas dificuldades na escola começaram porque, enquanto o professor falava, eu construía um mundo mental paralelo. Até hoje, eventualmente me pego em um pensamento que se torna tão real e intenso - quase como um subsonho - que, ao "acordar", me assusto e fico com o coração batendo mais forte. Construo involuntariamente roteiros complexos, cheios de suposições fantasiosas, em qualquer momento de menor atividade corporal e mental. Ao fim, vai tudo direto para o Aterro Sanitário Cerebral do esquecimento.

Na verdade, ia. Alguma coisa eu distribuo entre diálogos freudianos com minha gatinha, meditações transcedentais e auto-lavagem cerebral. A parte igualmente irrelevante, mas com algum sentido, eu organizo e escrevo neste blog, enquanto que os pensamentos mais isolados escorregam no Twitter como se numa privada. E mesmo assim a maior parte das imaginações fúteis ainda sobra. Essas, sim, vão para o Aterro Sanitário Cerebral.

Do aterro, leva um tempo até a aniquilação total do esquecimento. Enquanto isso, todas as besteiras em que eu já pensei vêm à tona durante meus sonhos, como se alguém pegasse o lixeiro da cozinha e espalhasse o conteúdo por toda a casa. Quando acordo, faço uma rápida faxina para separar o que é útil ou não e sigo a vida, em produção ininterrupta.



"Imaginação é mais importante que conhecimento"
Se o cara falou, tá falado


Minha mente é fértil por que o adubo abunda. Eu sei que todo mundo tem imaginação, todos pensam besteira. Mas, provavelmente - e hoje, com alguma influência de cinco anos de jornalismo - às vezes acho que minha produção de fantasias é um pouco mais acelerada.

Por exemplo, há pensamentos que são divertidos como hobbies. Se alguém interrompe, depois eu fico cavucando minha mente para recaptar aquela imaginação que me entretinha.

O tipo de pensamento mais bacana é a fantasia: "Como seria se eu morasse em São Paulo? Ou em Nova Iorque?". São legais também as suposições inviáveis, tipo: "O que eu faria com R$ 40 milhões?"; "E se eu fosse famoso?"; "E o Remo na Libertadores?".

Quando eu era pré-adolescente e pegava muito ônibus, ficava me imaginando durante o trajeto como eu seria se fosse o motorista. Deixaria moleques de 10 anos subirem pela frente sem pagar? Já na adolescência, passei a hipotetizar eu como professor, o que quase me faz escolher Licenciatura em História para o vestibular.

Já supus de tudo. O resultado é mais ou menos assim: "eu como...

- Ator seria uma mistural de Mateus Nachtergaele com o Fiuk de caganeira;

- Jogador de futebol seria meio Bebeto, o chorão cai-cai; e meio Jonas do Grêmio, que perde gol demais;

- BBB seria um cara meio nonsense, mas sairia logo do programa por não me encaixar em nenhuma das tribos, mesmo sendo inofensivo;

- Astronauta morreria na minha espaçonave por esquecer de apertar um botão importante, no tédio do espaço;

- Advogado seria uma atração pros estagiários de direito. Excessivamente bem humorado ao falar, fugindo de todos os estereótipos e constantemente repreendido pelo juiz;

- Presidente da República falaria quase tanta merda quanto o Lula, mas não faria tanta assim;

- Músico cansaria de repetir minhas músicas o tempo todo e entraria no ostracismo;

E, finalmente, como:

- Jornalista tentaria ser um blogueiro de sucesso.



E você, como seria?

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Previsões para 2010




Primeiro, um banho de tacacá podre em um ofurô furado. Depois, 36 horas em meditação ininterruptas, com pernas cruzadas, ouvindo um mantra (Om shiva Om Shakti Namah Shiva Namah Shakti!). Pra terminar, sal grosso entre os dedos do pé, plantando bananeira. Pronto. Completada minha preparação, estou apto a dizer como será o tão esperado ano de 2010.

De cara, não quero iludir ninguém. Para muitos, 2009 foi um desastre em aspectos pessoais, por isso torcem logo pela virada de ano. Apenas lembrem-se: um ano nunca é tão ruim que o outro não possa ser pior. Por isso, é melhor esperar o pior. Assim, nunca se decepciona.

Em termos astrológicos, me chama atenção uma curva na inclinação do delineamento entre Vênus e uma depressão polar na camada de ozônio. Se Marte e a supernova ZO637492-X permanecerem na mesma sintonia cíclica, haverá sérios problemas. Para os ETs, apenas. Aqui, continua tudo a mesma bosta.

Também não posso deixar de citar que 2010 é o ano do azul, regido pelo peixe-boi, pela bigorna, pelo bicho-geográfico e pelos cefalópodes. Sabe o que isso significa? Nada. Absolutamente nada. Ou melhor, pode significar alguma coisa, sim. Que, em vez de ficar só torcendo para tudo ao redor melhorar, você mesmo deve se tornar uma pessoa melhor.

Vamos às previsões:



Política



Para eles, muito a comemorar


Ano eleitoral é agitado. As pessoas só vão sacar que tem que trocar de presidente depois da Copa do Mundo. Mas, cedo ou tarde, têm que tomar a decisão, que acabará por se limitar em: Dentinha Russê e Vampiro Nilson-Serra. Serra ganha.

Todas as mandingas do Lula não serão suficientes. Ele vai tentar dobrar a Bolsa Família, tornar o IPI negativo e aditar o projeto de transposição do rio São Francisco, fazendo o rio dar piruetas por todo o Nordeste. Não vai adiantar. Mas vai até bater na trave.

Haverá seis grandes escândalos políticos, envolvendo tanto pares do presidente quanto a oposição. Mas isso não vai fazer nem cosquinhas nas pesquisas eleitorais, já que Lula não sabia. A campanha petista vai encalhar em outro problema. Três semanas antes do segundo turno das eleições, a imprensa golpista vai descobrir que Dilma é chegada a fazer festas com suecas loiras peladas e gogo-boys. E um vídeo da ministra rebolando de cinta liga, cantando "Hoje eu tô solteira!" no meio da festa, vai cair no You Tube (Lula realmente não sabia, porque não fora convidado). Eu sei, isso não é crime. Mas é suficiente para fazer o PT perder o apoio da igreja e dos setores castos da sociedade.


No Pará, Ana Júlia Carepa é reeleita. A explicação é simples: máquina nas mãos faz reeleger até o capeta com bigode de Hitler para a arquidiocese de Belém. Além disso, ela vai conseguir manter o sigilo de suas festinhas de suingue.



Esporte
 
Fér plêi total no mundo dos esportes
 



Nem se empolgue muito. Brasil fica em 3º lugar na Copa, depois de perder nas semi-finais. Acho que para a Espanha. Não tenho certeza. Na hora que eu estava recebendo essa informação do além houve uma interferência por uma chuva de raios solares que bateu no polo oeste e instabilizou o telégrafo celeste. Mas pelo menos deu pra descobrir que a campeã será a Alemanha.

Vai ser o mesmo lero-lero de sempre. Brasil perde e ocorre uma caça às bruxas. Alguém TEM que ser jogado na fogueira em uma situação dessas, né não? Adianto-vos: o Luis Fabiano vai fazer um gol contra e vai perder uns tantos outros no jogo das semi. Depois dessa copa, quando alguém der uma pixotada, pisar na bola ou fizer qualquer lance digno de Bola Murcha, vão dizer que a pessoa deu uma Luis Fabianada.

Cruzeiro é campeão brasileiro. Na libertadores, o Lanús, da Argentina, elimina Internacional, Corinthians e Framengo ganha a taça.

Por aqui, o Papão sobe para a Série B. Amém.


Economia



...o país do futuro...


A pujança da economia brasileira vai desabrochar assim como uma bombinha que dá o famoso "peido de velha". Toda a empolgação mundial em torno do Brasil vai sucumbir, assim como já aconteceu com os Tigres Asiáticos e até com a vizinha Argentina, em tempos não muito distantes.

Um dos motivos serão os malabarismos de lula para conquistar setores da população e reeleger Dilma. A outra razão é que a história de "Brasil muito safo e tal" era só fogo de palha, mesmo.


Celebridades



Gramúr, muito gramúr


Uma paraense não será escolhida para o Big Brother Brasil. Ela vai ficar na fase prévia e, mesmo assim, virar celebridade local. Quase todas as mulheres do BBB posarão nuas para a Playboy. Uma delas virará repórter da Globo.

Uma penca de pseudo-famosos morrerá e só choraremos depois de olhar quem era pela Wikipedia, para lembrarmos que tal pessoa era assistente de câmera de uma minissérie que passou depois do Corujão na década de 80.

Recebo uma mensagem no meu celular espiritual que o Axl Rose vai morrer em 2010. Ele e o Robin Williams. Coitado, não vai poder aproveitar in loco a cocaína e as prostitutas que fizeram Rio de Janeiro virar sede das Olimpíadas de 2014.



Geral


Entremos confiantes no novo e desconhecido ano



- O Sri Lanka não vai invadir a Rússia.

- O Fábio Jr. casará e descasará. Duas vezes.
- Um super-boeing com 549 africanos negões-zulus cairá e matará todos carbonizados, no trecho entre Nigéria e África do Sul. Mas ninguém vai dar a mínima. Serão cinco segundos no Jornal Nacional.
- Ronaldo engordará 3kg e fará 24 gols.

- Um monomotor cairá e matará os três passageiros, entre eles, uma criança loirinha sueca de quatro anos. O mundo ficará de luto por sete dias e a minha empregada vai chorar ao ver a reportagem de 10 minutos no Jornal Nacional.
- Nova e revolucionária mídia social dominará o mundo. Nela, as pessoas postarão raios-x, sonhos, exames médicos e fotos do próprio cocô.
- Um urso panda recém-nascido vai ficar órfão na Austrália, comovendo o mundo inteiro. O assunto será debatido em mesas-redondas durante seis meses, movimentando a cúpula das Nações Unidas e fazendo a bandeira nacional do Congresso ficar a meio pau.

e

-  Você rirá dos meus novos posts!

QUE VENHA DOIS MIL E DEEEEEEEEEZ!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Dez crimes marcantes de 2009



 
Em vez de um ano com grandes crimes de repercussão, 2009 teve dezenas de homicídios de menor vulto. Assassinatos de policiais continuam, como foi a morte do Cabo da Rotam ainda em janeiro deste ano, cuja reação policial causou a morte de cinco suspeitos. Ladrões linchados e acidentes cruéis também permanecem no noticiário policial. O que chamou atenção neste ano, contudo, foi a forma sistemática com que passaram a ocorrer homicídios por acerto de contas, normalmente relacionados à venda de drogas.

Em uma breve revisão pelo que tem foi noticiado pelo jornal Amazônia, é possível verificar mais de dez assassinatos desse tipo por mês. Há épocas em que ocorrem diariamente ou até vários em um dia só, como foi na Semana Santa, em abril. As 14 mortes registradas no último dia do ano passado e em 1º de janeiro deste ano, também com muitos acertos de contas, soaram como uma mostra de o que estava reservado para a a segurança pública do Estado em 2009.

Janeiro foi, inclusive, um dos momentos mais críticos e tensos em termos de violência. O assassinato do médico Salvador Nahmias, dia 12 de dezembro de 2008, iniciou uma certa comoção popular. Diante desse quadro caótico - e em seguida ao assassinato do procurador Marcelo Castelo Branco, ainda no dia 8 -, houve troca do comando da Polícia Militar. O maior receio era em relação ao Fórum Social Mundial, que se realizou em seguida, em Belém. Na ocasião, o Secretário de Segurança Pública, Geraldo Araújo, admitiu que a situação era grave.

Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), consolidados em outubro deste ano, de fato, comprovam o que o secretário já observara em janeiro. O número de homicídios aumentou 24% de janeiro a outubro, em relação ao mesmo período do ano passado. A violência continua sua escalada, enquanto que os esforços contrários não têm se demonstrado suficientes para barrá-la.

Relatos dos crimes violentos de 2009 poderiam preencher edições inteiras do jornal. Como exemplos da violência neste ano, foram selecionados 10 crimes emblemáticos. Eles servem de reflexão para pais, mães e principalmente para as autoridades, de que, se não houver medidas drásticas, a retrospectiva policial de 2010 poderá ser ainda mais assustadora.


Dia 1º de janeiro: 14 mortes na virada de ano

A manchete sobre as 14 mortes na virada do ano, logo na primeira edição de 2009, contrastou com a bela foto de fogos de artifício, na capa do jornal Amazônia. A notícia parecia mostrar que os muitos votos de felicidades para 2009 não surtiriam efeito no aspecto da segurança pública.

As mortes foram, principalmente, por acidentes de trânsito e por baleamentos. Os acidentes resultaram em 37 feridos. Um deles, no dia 31, foi na avenida Pedro Álvares Cabral. A batida de um microônibus causou a morte de duas mulheres, enquanto que outros 15 passageiros ajudaram a lotar o Hospital Metropolitano de Belém. No dia seguinte, outro acidente com microônibus, na avenida João Paulo II, deixou mais 15 pessoas feridas. Foram sete vítimas fatais de arma de fogo e de faca, quase sempre por acerto de contas.

Dia 8 de janeiro: morre procurador

No dia 7 de janeiro, o procurador da Prefeitura de Belém, Marcelo Castelo Branco, foi baleado na cabeça e morreu, dentro de seu carro, no bairro do Umarizal. Ele nem era o principal alvo do crime. Dois bandidos que haviam acabado de roubar uma farmácia queriam o carro do procurador para a fuga. Não se sabe se Marcelo demorou demais a sair do veículo ou se resistiu ao assalto. O fato é que ele não foi o único morto a tiros naquela noite. Os dois assaltantes também foram baleados, pela polícia, e um deles morreu no Pronto Socorro Municipal do Umarizal.

Dia 17 de janeiro: cabo da Rotam morto

O cabo da Rotam Paulo Sérgio da Cunha Nepomuceno, 32, foi morto a tiros durante um roubo em um comércio no bairro do Curuçambá, no dia 17 de janeiro. Ele voltava para casa, no conjunto Stélio Maroja, quando teria sido reconhecido pelos assaltantes na saída da loja e levou seis tiros. A reação policial no sábado e domingo movimentou 18 viaturas e resultou na morte de cinco dos assaltantes supostamente envolvidos no crime, sempre sob justificativa de reação dos suspeitos, seguida por troca de tiros. Dois dos acusados mortos eram filho de outro cabo da Polícia Militar, Paulo Dias dos Santos.

Dia 10 de março: chacina em Garrafão do Norte

Cinco pessoas foram mortas por parentes, a tiros e facadas no dia 10 de março, em reserva indígena dos Tembé, próxima ao município de Garrafão do Norte. Os acusados, irmãos Roberto Gomes de Souza e Antônio Wilson Gomes de Souza, foram presos seis dias mais tarde, no município de Viseu. Eles estavam armados com três espingardas, dois terçados e munição, além de estarem com dinheiro supostamente das vítimas mortas. O motivo da chacina seriam desavenças sobre a divisão de um roçado entre os irmãos - os dois presos e o terceiro, morto por eles. Entre as vítimas, estavam a mulher do terceiro irmão e suas duas filhas, de 9 e 13 anos.

5 de abril: 15 mortos em 48 horas, entre eles, um esquartejado


Assim como na virada de ano, a maioria dos mortos nos dias 4 e 5 de abril - Domingo de Ramos - foi vítima de acidentes de trânsito, enquanto que os demais foram alvo de tiros e facadas. Entre estes, o caso que mais chamou atenção foi o de um corpo encontrado esquartejado na estrada do Bagé, no conjunto Catalina, domingo. O corpo estava tão desfigurado que não chegou a ser reconhecido. A cena foi chocante até para os policiais mais experientes. O indivíduo morto foi enterrado como indigente e sua identidade permanece desconhecida até hoje.

12 de junho: Fujões matam investigadores

Dois policiais civis e dois bandidos foram mortos no dia 12 de junho. Os investigadores Adenildo Rodrigues da Silva e Ivan Damasceno de Oliveira foram assassinados por dois presos que haviam acabado de fugir da Seccional da Marambaia. As circunstâncias do crime formaram um quebra-cabeça difícil de ser solucionado, uma vez que os fujões estavam algemados e, no fim das contas, os policiais foram baleados pela mesma arma que um deles, Adenildo, carregava. Ainda na fuga pelo bairro da Marambaia, após matarem os policiais, os dois bandidos trocaram tiros com policiais militares, mas dessa vez levaram a pior, sendo atingidos e morrendo.

28 de setembro: adolescente linchado

No dia 28 de setembro, um adolescente de 16 anos foi linchado após tentar assaltar um ônibus, no bairro do Telégrafo. Durante todo o ano foram comuns as ocorrências de bandidos sendo espancados pela população, após tentativa frustrada de assalto, assim como se tornou normal ver menores de idade cometendo crimes violentos. Nesse caso, os dois elementos estavam presentes e o caso terminou em morte. Ao anunciar o assalto, o ladrão levou uma facada no pescoço, dentro de um coletivo na avenida Pedro Álvares Cabral. Moradores do bairro ainda subiram no ônibus para descarregar a fúria sobre o assaltante e trucidá-lo.

20 de novembro: duplo homicídio

Um duplo homicídio ocorrido no dia 20 de novembro, no bairro do Icuí, teve todas as características de acerto de contas. As duas vítimas - um homossexual em um recém saído do presídio -, andavam juntas pelo loteamento Parque Icuí, quando foram abordadas por desconhecidos. Quando um deles foi baleado na cabeça, o outro tentou fugir, mas não foi longe; também foi atingido na cabeça e morreu na hora, a cerca de 30 metros do companheiro. Do pouco que a polícia conseguiu desvendar no mesmo dia estava a grande possibilidade de que o caso se tratava de acerto de contas. O fato de o homossexual ser conhecido como dependente químico fortaleceu a suspeita de que ele tivesse alguma dívida com traficantes.

Dia 27 de novembro: latrocínio em Maracanã

Um assalto a banco do município de Maracanã, no dia 27 de novembro, terminou com um morto. O pai de um estagiário do banco, Romildo Ferreira Santana, ao saber do crime, foi até a agência para ver o que estava acontecendo. Ele acabou cruzando com os mais de 10 bandidos que saíam com cerca de R$ 700 mil roubados. O assaltante disparou uma rajada de metralhadora no peito de Romildo, que morreu na hora. Vários outros tiros foram disparados, deixando o carro da polícia civil, estacionado em frente à agência, crivado de balas. Até hoje, sete dos cerca de 15 bandidos que participaram do assalto, foram presos.

17 de dezembro: policial e bandidos mortos em tiroteio

Três pessoas morreram e três ficaram feridas em uma troca de tiros no dia 17 de dezembro, no bairro de Nazaré. Dois bandidos que tentaram assaltar clientes de uma agência bancária localizada na travessa 3 de Maio, foram mortos pela polícia. Mas antes disso, eles chegaram a matar também o cabo da Polícia Militar Moisés Pinheiro, em troca de tiros durante a fuga. Uma idosa foi feita refém e três policiais ficaram feridos.


Publicado no jornal Amazônia, dia 27/12/2009

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

As nove filhas de Zeus




Desconsidere o QI e a voz. Não importa se fazem um lindo trabalho humanitário ou se são pansexuais. Apenas condense em uma mulher as qualidades estéticas dessas nove moças e terás a perfeição.

São musas. Também no sentido mitológico da "figura feminina que inspira a criação". Originalmente, a palavra faz referência às nove filhas de Mnemosine e Zeus, deuses cultuados na Grécia antiga. Todas eram maravilhosas, cada uma com sua marca registrada.

Teoricamente, não me bato muito se a mulher é baixa ou alta, morena ou branca, bem magrinha ou um pouco fofinha, tanto faz. Como tenho uma leve preferência pelas branquelas, elas acabaram prevalecendo nessa lista. Nada contra melanina. Eu só quis dizer.

Outro padrão que pode ser captado nessa minha lista é que acho legais as moças com um quê de simplicidade, doçura e anjelicalidade (?), meio como eram descritas as amantes imaginárias de poetas do Romantismo. Ao mesmo tempo, me atrai uma pitada de acidez, tatuagem e piercing, sem exageros. O exemplar humano do gênero feminino que consegue ser amável e sensual ao mesmo tempo tem alguma chance comigo. Ê.




Calíope, a de bela voz:

Carla Bruni



Só descobri sua existência quando ela começou a satisfazer seus instintos sexuais com o presidente da França, há dois anos. Como é cantora, se encaixa perfeitamente como a filha de Zeus de bela voz, embora esse não seja um atributo analisado aqui.

A pobre está começando a ficar um pouco passada, já que esse mês completa 42 anos. Mas o que a incluiu nessa lista foram seus incríveis charme e elegância, coisas que não se perdem com o tempo.

Como primeira-dama francesa, Carla Bruni sacou que não poderia andar com qualquer trapo. E mais; tinha que fazer o povo esquecer das fotos sensuais e de peito de fora que já tinha tirado, por conta da carreira como modelo. Bruni acertou em cheio na cara de moça-recatada-que-no-fundo-é-safada. E também nos trajes, ao ponto de, quando aparece na TV, me faz parar para assistir, mesmo que ela esteja em um leilão de búfalos africanos.





Clio, a Proclamadora
Luisa Micheletti



Tem a minha idade, foi baixista de uma banda e ganha a vida falando de música. Aliás, esqueçam isso. Ela é gata e se enquadra com perfeição no adjetivo "estiloso". E não, ela não é filha do presidente hondurenho golpista.

Fui apresentado televisivamente a ela este ano (demorou porque não pega MTV em casa). De cara, achei-a bonitona e charmosa. Em termos de apresentação dos clips, ela não me chamou atenção. Aliás, nenhum atributo dela analisado separadamente faz alguém babar. Luisa não é do tipo popozuda garota molhada do verão. Mas o todo é extremamente atraente, isso sim.






Erato, amável
Michelle BBB 9


Se não fosse tão bonita, a então Miss Pernambuco teria sua aparição pelo Big Brother Brasil esquecida um mês depois. Principalmente porque passou só uma semana no programa. Os critérios para escolha de uma miss costumam ser bem diferentes dos meus, só que nessa vez os jurados acertaram em cheio.

Uma das coisas ruins do fato de ser conhecida apenas pela beleza, por exemplo, é que ninguém sabe que o sobrenome dela é Costa. Até que seria útil se ela fosse ao cartório acrescentar "BBB" no final.  Acho que ela só não faz isso pra não virar, de cara, irmã de outros milhares de BBBzes que tiverem a mesma ideia.

Outro lado desagradável para a pobrezinha é que foi muito difícil encontrar uma foto boa dela que não fosse meio pornográfica. Desculpem-me os puritanos.

Então, eu não sei o que ela faz da vida hoje, não lembro como é a voz dela, nem sei se ainda está viva. Só sei que, para o meu gosto, foi a BBB mais bonita até hoje.




Euterpe, a doadora de prazeres
Cameron Diaz


Com essa cara de safada, não poderia deixar de ser a Doadora de Prazeres. Entre as filhas de Zeus, deve ter sido a que engravidou mais nova do namorado e deu mó trabalhão desde cedo.

Tecnicamente, podemos detectar várias características que a afastam da perfeição. Continua magrinha, mais de 20 anos depois de iniciar carreira como modelo. Depois de ser a loira do Máscara, engatou um monte de papéis importantes em filmes legais, quase sempre aproveitando sua sensualidade natural. Acho que ela ficaria sensual até como freira. Até com burca. Até sem roupa! :-P

Próxima!



Melpômene, a poetisa
Bar Refaeli


Numa análise fria, essa israelense é a mais bonita das raparigas listadas aqui. O único possível defeito seria o pézão; ela calça 40. Mas olhe novamente para a foto acima - sabendo que ela tem 1,74 - e me responda se essa informação é realmente relevante. Não, né? Se você se importar muito com isso, lembre que o nome dela é bacana. É onde você, meu caro colega cachaceiro, costuma encher a cara.

O leitor pode estar se perguntado como eu fui conhecer a moçoila. Foi na capa do Jornal Amazônia! Isso, quando ela começou a ficar mais badalada, ao namorar Leonardo di Caprio logo depois que ele terminou com a Gisele Bundchen. Não costumo ficar babando de graça por qualquer quenga mulher que enfeita a frente do jornal, mas nesse caso, me chamou muita atenção e tive que verificar quem era.

Se você ainda está em dúvida, jogue o nome Bar Refaeli no google.imagens. Rápido vai concordar comigo. É tão gata que fica mais bonita nas fotos naturais do que nas posadas como modelo.


Ah, e por que "a poetisa"? Simples. Porque modelo calada é poeta, como diria Romário. Como nunca ouvi a voz dela...



Polímnia, a de muitos hinos
Scarlett Johansson



Não é à toa que seduz o velho tarado Woody Allen. Espero que ela não tenha tido que passar por um teste do sofá, pra não estragar minhas fantasias. Scarlett Johansson tem alguns traços marcantes e um sorriso muito bonito. Tá bom, chega. Se eu ficar falando só de sorriso dessas mulheres, vão me chamar de gay.

Não lembro de já ter assistido um filme em que ela atuasse. Pouco tenho a falar sobre essa moça, exceto o óbvio, detectado pelas retinas de qualquer surdo (?).

Next!





Tália, a que faz brotar flores
Megan Fox


Se eu já não tenho muito a falar da Johansson, imagina dessa aqui. Não vi nem trailer de Transformers, o filme que a tornou mais famosa. Foi por matérias jornalísticas sobre filme que descobri sua existência. E não foi preciso olhar duas vezes para sacar Megan Fox como uma ultra-musa-power-mega-fit-tabajara.

E, mulheres, não adianta torcer o nariz. Ela mantém a beleza mesmo sem posar de modelo, como fazia antes de virar atriz. Pois é, outra modelo que virou atriz.

Cuti cuti, Megan Fox é a mais nova da lista: 23 anos.

Olhe mais uma vez para a foto. Isso, aproveite.

Já chega. Próxima!



Terpsícore, a rodopiante
Mel Lisboa


Eu sei que ela não tem nada a ver com dança. Mas é que essa não podia faltar, pô. Até porque nenhuma das nove filhas de Zeus tem como característica "seduzir o vizinho tiozão", pra eu poder encaixar a Mel Lisboa.

Bem, os inteligentes sacaram que eu me referia à minissérie Presença de Anita, que passou na Globo. Mas não é preciso mentalizar o fetiche que ela causou na época para homenagear (sem trocadilhos, seus mão-peluda) Mel Lisboa com o título de musa. Ela é - ou pelo menos era na época - sensual demais. Pra piorar, com uma beleza simples, sem traços fortes, olhos verdes ou qualquer qualidade muito chamativa se analisada separadamente. A virtude é formar um conjunto excepcionalmente harmonioso.

Essa simplicidade e, inclusive, um dos pontos a favor da Mel Lisboa, em relação às últimas quatro musas listadas. Além disso, os traços são mais brasileiros, o que eu também considero como vantagem.





Urânia, musa da astronomia

Paola Oliveira




Astronomia? Claro, tem mó cara de quem gosta de falar de horóscopo, mas não tem problema. Na foto ela está calada. Tenho que admitir que a Paola Oliveira foi a última escolhida da minha lista. E mesmo assim, esteve constantemente em risco de ser trocada por outra, tipo a Mila Jovovich. Mas ela já está escolhida e eu não vou me arrepender. É muitíssimo bonita, com traços nacionais simples.

Fiz questão de colocar uma imagem "antiga" dela, antes de fazer sucesso hoje em dia na novela das 8 com cabelo e maquiagem diferentes. Quis mostrar que ela é bonita também sem a maquiagem que puxa os olhos dela para a diagonal superior. E que o cabelo assim e assado também não muda nada do meu conceito sobre ela.

Estranho eu escolher uma mulher de novela, já que eu não vejo essas chatices. Não assisto novelas; são as novelas que me assistem, enquanto eu trabalho. A TV fica ligada e, quando essa desgraça de Paola Oliveira aparece, meu zóio apontam espontaneamente para a tela.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Marcas de um Tecnovelho


Vovô conversando com a neta pelo MSN


"Maldita inclusão digital!", bradam os iniciados no mundo virtual, ao ver asneiras de neófitos pela internet. Minha preocupação maior nem é com esses, uma vez que todos um dia já fomos iniciantes e, em tese, aprendemos com o tempo. Agora, um tecnovelho - isto é, um ser de idade mais avançada e pensamento travoso para lidar com a tecnologia - sempre será um tecnovelho.

O conceito não trata estritamente da idade da pessoa. Pode haver um tecnovelho de 20 anos, desde que pense e aja como um idoso virtual; assim como um geek de 50. Tecnovelhice é um estilo de vida que transcende o numeral que representa sua idade.

Um estilo de vida marcante, acrescento. Detectável a centenas de metros de distância. Exala odor característico, perceptível até por quem está ao outro lado da tela de um computador. Existe um padrão de comportamento em tecnovelhos, determinado por características especiais no DNA, com uma curva acentuada à esquerda em sua dupla hélice (?).

São figuras constantes no Tolices do Orkut, verdadeiros mestres do humor involuntário. É claro que essa limitação não os torna inferiores ou desprezíveis. É uma turma gente boa, quase sempre. Na hora em que pergunta "como faz para...", todo mundo sai correndo, rola pelo chão, pula pela janela e evacua o lugar como se tivessem soltado uma bomba química.

Com as características que vou passar agora, é possível detectar um tecnovelho num raio de três quilômetros. Se você tem ou conhece alguém com duas dessas características, é batata (isso foi uma velhice): trata-se de um idoso cibernético.





O vovô de hoje ensinou o velho de ontem a operar um desses

Marca #1: Celular berrante


Qualquer aparelho móvel que emita sinais sonoros com intensidade superior a 40 decibéis pertence a um tecnolvelho. A premissa - falha - dos idosos é que o celular tem que dar um berro da mesma altura do telefone fixo da casa dele. Para piorar, o desgraçado do velho adora esquecer o celular numa mesa enquanto vai ao banheiro. Enquanto o celular se esgoela, todo mundo para, se entreolha e olha pro celular, possivelmente um modelo popular há três anos (até porque velho não sabe mexer num Blueberry).

Quase sempre é o Nokia Tune ou algum daqueles toques clássicos do tempo do celular monofônico, num volume capaz de fazer o ambiente sacudir até o nível 4,5, na escala Richter. Quando o tecnovelho sai do banheiro e pega o celular, vem mais uma característica marcante: fica olhando para a telinha por uns cinco segundos, tempo suficiente para ler quem está chamando, lembrar de onde a pessoa e decidir se vale ou não a pena atender.


Marca #2 : Digitação datilográfica


O cara castiga as pobres letrinhas com pesadas marteladas. Ou então tá matando formigas em cima do teclado. Sei lá. Só usa um dedo em cada mão para pressionar as teclas. Os mais calmos usam os indicadores, enquanto que os escrotos usam o cotocal, para ver se consegue furar o teclado com uma dedada de 15 toneladas, capaz de perfurar rochas.

Além disso, o tecnovelho olha atentamente para o teclado, para conseguir achar o "backspace", "delete", "enter" e similares. Salvar o documento? Arquivo, salvar. Copiar e colar? Vai em editar. Não usa uma única tecla de atalho. O sobrinho já ensinou o Ctrl C + Ctrl V zilhares de vezes, mas o velho empaca, sempre esquece e, no seu íntimo, acha mais fácil usar a barra de menus para esse objetivo.


Marca #3: Super-sobrinho



Aliás, sobrinho é a salvação da lavoura (#velhicedetected) dos tecnovelhos. Sem ele, o cara não saberia nem ligar o PC. Em síntese, para chegar o ponto de o idoso virtual usar o computador sozinho, alguém foi perturbado sem piedade, a cada cinco minutos, por pelo menos seis meses.

Cada usuário de computadores com cabelos brancos virtuais já precisou de alguém 30 anos mais novo (também virtualmente falando, claro) para operar tecnologias. E isso não vem de agora; diálogos assim são comuns desde milênios Antes de Cristo:

- Sobrinho, vem cá!
- Que foi?
- Como é que faz para usar essa roda aqui?
- Ah...tá bom - responde o moço, enquanto anda com os pés arrastando no chão.


Marca #4: Formalidade

Cá pra nós (#velhice), é engraçado conversar com um velho pela internet. O cara começa todas as frases com letras maiúsculas e põe todos os pontos em seguida, como se estivesse escrevendo uma monografia dentro das ABNT. Ora bolas, o cara tem gírias supimpas pra dedéu, de estourar a boca do balão!

Mas aí vem o problema: como entender o que o adolescentezinho está dizendo? É simples, não dá. A conversa termina em poucos minutos.

Quando o tecnovelho já tá começando a se acha um "geek" - na verdade ele não se acha isso, porque não sabe o que "geek" significa, ele esbarra em um problema simples: a língua inglesa. Depois de metralhar o pobre sobrinho com perguntas óbvias como "cadê o arquivo que eu baixei agora?", o cara passa a perturbar com coisas do tipo "o que significa 'erase all'?".