domingo, 12 de agosto de 2012

Um pseudo policial: por onde anda Filipe Faraon


Galera passeando de barco com brinquedinhos



Como a maioria já deve saber, saí quase foragido de Belém e minha vida deve ficar bem diferente até o fim de dezembro, aqui em Brasília.

Levei peia na última fase do concurso da Polícia Federal. A academia estava marcada pra começar no dia 6 de agosto e eu já me sentia fora. No dia 7, a Justiça me deu uma forra e deixou eu cursar. A confirmação chegou às 18h10 daquela terça-feira. O prazo limite de matrícula era a quarta-feira, 8, às 17 horas. Então tive que atabalhoadamente correr atrás de documentos, arrumar roupas pro enxoval, preparar mala, comprar passagem e embarcar em poucas horas.

Foi muito diferente de como sonhei. Queria muito ter sido aprovado no dia 17 e ter marcado a prometida comemoração com amigos e todos que me ajudaram de alguma forma. Mas a correria foi tão grande que nem tive tempo de falar "galera, tô viajando". A notícia pegou todo mundo de surpresa e meu aniversário já vou passar isolado por aqui.

Será?


Apesar de eu estar saltitante por aqui desmontando pistola como uma criança brinca de lego, a situação ainda não é confortável como um pé enfiado numa crocs. Aliás, a coisa ainda está meio meio feia, tal qual um pé encarcado numa crocs.

Não é muito provável, mas pode acontecer de minha liminar ser cassada e eu interromper a academia no meio. Mas digamos que eu vá até o fim e me forme. Isso não quer dizer que logo em seguida vou andar com uma bazuca nas costas, apontando a carteira funcional e gritando PULIÇA FEDERAO por aí. É que o juiz permitiu só que eu fizesse a academia.

Com vocês, uma Glock

Claro que vou pedir também pra ele deixar eu ser nomeado e tomar posse, mas convenhamos, enquanto não for julgado o mérito a possibilidade de o magistrado me deixar caçar bandidos trabalhar como policial é pequena. Ou seja, o prospecto mais factível é: Filipe termina a academia de polícia no dia 21 de dezembro, volta pra Belém e espera uns cinco anos para o processo transitar em julgado e, só aí, ser nomeado - ou não, em caso de decisão judicial desfavorável.

Então, irmãos, não iludis uns aos outros dizendo "Filipe passou no concurso". Não passei. É possível virar esse jogo, mas trata-se de um processo longo e doloroso. Não há nada garantido. O que não quer dizer que eu esteja mal. Galera, tô ótimo, muito feliz.

Aliás, me deem licença que preciso desmontar uma Glock aqui...


 Novo naipe: depois de cinco anos de barba no queixo...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Amigo de pecadores





Agoniado por uma avalanche de problemas que, em vez de se resolverem, aumentavam cada vez mais, ele não percebeu que não parava pra orar. Pior; não entendeu por que não pedia solução, em oração. Até que chegou a uma conclusão e falou pra Deus:

- Não oro porque não mereço ser atendido.

Ao que prontamente Deus respondeu:

- E é por isso que vou te atender.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Um escritor mequetrefe


Há sempre uma voz no ouvido de um grande escritor dizendo "escreva, escreva". Tipo como Forrest Gump captava sussurros de "corra, corra" - ainda que fosse rumo ao nada.

Não sei se por uma elevada perda auditiva minha ou por alguma espécie de rouquidão crônica dessa misteriosa voz, não tenho escutado nada do tipo. A razão mais provável, como quase sempre, é a mais óbvia: vai ver não sou um grande escritor.

Mas convenhamos, o buzinaço de "escreva, escreva" no ouvido não é garantia que eu iria tornar minha produção lá muito prolífica. Até porque, se ficar ouvindo uma voz insistente fosse suficiente pra me tirar da inércia, eu teria estudado mais durante o Ensino Médio. Né, mãe?

O importante é que, por um exercício extremo de teimosia, volto a remover a poeira desta caderneta virtual, com o cristalino objetivo de amolar você. Exatamente você, seu masoquista, que vez por outra dá uns cliques aqui pra catitar estas merdas de posts e depois sair por aí dizendo que o blog do Anderson é bem melhor.


Tudo bem, não me importo. Ele me serve de inspiração, sabia? Até colei na parede do meu quarto a impressão de um print do Bêbado Gonzo pra ficar atirando dardos. É que eu penso que se o Anderson, um jornalista pedreirense mequetrefe, consegue ter muitos leitores, eu também posso. Afinal, sou igualmente jornalista, pedreirense e bem mais mequetrefe que ele.


Pra atrair a atenção de leitores, claro, criei factoides, como esse ridículo paralelo com o Anderson e a completa repaginação do Oásis da Inutilidade. Para a reformulação, contratei uma equipe de designers franceses, que seguiu o moderno conceito do Greenwashing, conjugado com o GUI Grafical User Interface. O resultado, como você pode ver, alcança  rigorosamente o padrão internacional de MBS, que em sânscrito, significa a "Mesma Bosta de Sempre".

Os posts também passarão pelo crivo de um concílio formado por jornalistas, escritores e publicitários com renome internacional. O objetivo será garantir que a leitura que chegará a você alcança os elevados patamares da MBS. Essa é uma forma de o nosso blog combinar com a internet, que, assim como a TV, a minha e a sua vida, continua rigorosamente a Mesma Bosta de Sempre.


Mas meu maior objetivo, na verdade, é evitar que tais cenas se repitam:

 "Estivemos conversando e percebemos que tá na hora de você atualizar seu blog"

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Crônicas de Nada: A aula inaugural do Capitão Nascimento




Depois de largar as funções de chefe do Bope e secretário adjunto de segurança, já predominavam os fios de cabelo branco nas laterais da careca do Capitão Nascimento. É claro que ele se aposentou como coronel, só que as pessoas continuavam chamando o cara de capitão. Essa foi a única injustiça contra a qual ele cansou de se queixar.

Por isso, Nascimento se apresentou como Capitão mesmo à sua turma de cursinho da Polícia Federal, em Belém. Tinha acabado de se aposentar e, como bom Chuck Norris cover, ficava todo empolado só de pensar na possibilidade de ficar em casa criando uma casca no saco de tanto coçar, sem ter o que fazer. Por isso o emprego de professor.



Depois de deixar claro que não tiraria foto com ninguém, prometer que daria uma passadinha na Terra Firme e de dizer que não conhecia nenhum tal de Éder Mauro, Capitão Nascimento começou a aula com um discurso típico de auto-ajuda. Só que invertido.

- Daqui percebo uma coisa: os senhores são todos uns fracassados. É claro, se estivessem no emprego dos sonhos, não precisariam se humilhar sentando de novo o cu nessas carteiras vagabundas. É isso, todos  ganham bem menos que os R$ 7,5 mil do edital. E o pior é que aqui na sala só tem de meia idade pra cima.

A turma arregalou os olhos e engoliu seco. E o capitão continuou:

- Pra começar, temos que deixar logo claro que quase ninguém dessa sala aqui vai passar. Aliás, provavelmente ninguém. No concurso passado, só foram aprovados pro teste físico 13 pessoas de Belém. E mesmo que alguém passe, o que adianta? A tia lá atrás, por exemplo, - aponta pra uma dona de casa gordinha, no fundo da sala - aposto que não aguenta correr nem 500 metros.

A mulher fica com vergonha e olhos se enchem de lágrima.

- Se eu fosse vocês, nem perderia tempo com essa merda. Vão pra casa ver Big Brother. Por que não fazem um curso de culinária? E tu, viadinho - aponta pra um rapaz que vestia colete à Carlos Minc - é tu mesmo aí, com cara de boiola. É melhor ir se requebrar em uma boate gay, porque tu não aguenta nem uma semana no curso de formação.

Com essa, a tia arrumou as coisas com as mãos tremendo e saiu chorando da sala.

- Estão pensando que é assim, vão passar no concurso e aí é só vida boa mamando nas tetas do estado? Esqueçam! Os aprovados vão ficar em área de fronteira por pelo menos três anos, sabiam? Lá não tem ninguém gritando "manhê, acabei!" depois de cagar.

A essa altura, um terço dos alunos já tinha saído da sala. Satisfeito, o Capitão Nascimento decidiu começar efetivamente a aula.

- Peguem seus cadernos e anotem. Na aula de hoje os senhores vão aprender o conceito de estratégia. Em grego, strategia, em latim, estrategia, em francês, estrategie...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Crônicas de Nada: A Fuga



É um momento tenso. Um movimento em falso e já era.

O ideal é fazer o trajeto de noite; a escuridão favorece o fugitivo. Mas não é tudo. É necessária técnica - o que apurei com anos de treino. Só que não há habilidade que garanta o êxito. A gente sempre tem que contar com um pouco de sorte.

O princípio básico é você fingir ser qualquer um, apenas um na multidão. Pokerface mesmo, sabe? Esse é até meu ponto fraco. Só jogo poker pela internet. Não adianta nada.



Mas dou a largada. Começo com o primeiro passo na calçada. Há pessoas passando. Carros, ônibus, motos. Dobro à direita e sigo adiante. Aí entra o passo número dois: o jeito de caminhar. Nem penso em apertar o passo, andando para o chão. Eles farejam de longe os apressados. O segredo é a naturalidade. Como em uma dança, meu ritmo tem que ser igual ao de todos no salão - nesse caso, da rua.

A ansiedade atrapalha. Eles identificam tensão em um raio de 1,5 quilômetro. Se exalar de você, "crau".

Dobro à direita de novo, desvio de dois buracos do chão. Começo a me flagrar tenso e olho no relógio, pra disfarçar. Olho de boa, sem parecer apressado. Tento caminhar meio gingado, feliz. Já venci metade do caminho, mas ainda não há nada garantido.

Eles estão no outro lado da rua. Eu sei disso porque estão sempre lá. Não posso olhar, seria fatal. Eles me veem, mas não chamo atenção, faço parte da paisagem deles. Sou como um carro, uma velhinha segurando um bebê, um cachorro que passa. Apenas ando.

Quem chega a este ponto sem ser observado já tem grande chance de êxito. Isso se já não estiver sendo seguido, claro. Mas não posso olhar para trás. Se me seguem, perdi, não há o que fazer; se não, devo apenas ir adiante com o plano. Suo frio. Meu suvaco começa a ficar melado, mas ninguém percebe.

Passo por um trecho mais escuro, embaixo de umas árvores, fico mais tranquilo. Desvio de uma mesa e algumas cadeiras. As pessoas estão conversando naturalmente. Olham-me, mas não me veem. Melhor assim. Alguém atento perceberia que minha blusa já está suada no suvaco. Faltam só uns dez passos.

Cheguei, agora é agir rápido. Ligo o carro, engato a primeira e arranco logo. Só depois ligo o farol, coloco o cinto de segurança e baixo os vidros. O sangue desce do corpo, os músculos relaxam. Olho-me no espelho do carro, orgulhoso, e falo pra mim mesmo: parabéns, você acaba de economizar um real do flanelinha.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Por que os homens traem

?


Os homens são as maiores vítimas do próprio machismo. Tipo o comandante que alimenta a caldeira do navio com madeira do casco. Aí afunda e não sabe por quê.

Antes de desabrocharem os primeiros pentelhos, o cara já é estimulado a ser pegador. Aliás, enquanto se troca a fralda do bebê, a família adora fazer comentários sobre o pinto do moleque e dizer que logo logo ele vai estar comendo muita ****** quando crescer.

Quanto mais pegar, mais macho é. Tem que desejar a seminua do outdoor, a caixa peituda do supermercado, a transeunte de vestido transparente. Legal. Só que na hora de se comprometer, o cara continua - involuntariamente - inclinado a querer outras.

A lógica é simples e acontece em muitos outros aspectos da vida. Ex-fumante, por exemplo, acostumado a acender um cigarro depois de botar o pelé pra nadar cagar, sempre vai sentir muita vontade de fumar quando sentar na privada. Atos repetidos viram hábitos. Maus hábitos viram vícios. E qualquer grande prazer é um vício em potencial.

Claro que isso não justifica nem alivia traição. Mas mostra que a história é bem mais complicada do que pensam as mulheres - especialmente as traídas. Já tratei superficialmente do assunto, mas foi necessária uma pesquisa aprofundada. Não com base em mim ou na minha experiência, mas sim no que observo dos casais por aí. 

Segundo meus estudos empíricos, pelo menos 85% dos homens precisam de meia centena de sessões no psicólogo pra largar essa taradice. Ou sessões de tortura, aos que recusarem o tratamento. Só que quase todos buscam o caminho mais fácil, a pokerface - também conhecida como "cara de pau".

Mas aí entra um ingrediente interessante. Acredito que 30 a 40% das mulheres tenham mente masculina, para o bem e para o mal. Assim como homens, elas fazem uma clara separação entre amor e sexo e muitas têm lá suas dificuldades pra andar na linha.

Não importa, pelo menos funcionam como uma espécie de vingança feminina. Com o diferencial de fazerem tudo muito bem, tipo o crime perfeito, sabe? É que o homem, quando se acostuma a trair, começa a ficar destrambelhado. Inconscientemente acha que nunca vai ser pego. Mais ou menos como um motorista apressado vai ganhando confiança ao volante e fazendo cada vez manobras mais perigosas. Até dar com o nariz no poste.

Mulher não. Toda frieza que falta no relacionamento sobra no planejamento da pulada de cerca. Se não contar pra amigas, nunca ninguém saberá. O ato escapa até do radar dos videntes. Elas são o chicote dos traidores contumazes, esses que têm seu par, comem todo mundo e se acham o máximo por isso. Mal sabe  que, na melhor das hipóteses, está só empatando com a namorada.

Mulher é capaz de se atirar cegamente no relacionamento, mas não é tão burra quanto acham os adúlteros. Bem feito.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Crônicas de Nada: O inxirimento do meu melhor amigo




Vou logo abrir o jogo: morri. E não foi nada honroso. Cravaram-me um gargalo de Cerpa na jugular. Cerpa! E o pior: o assassino era meu melhor amigo. Estranho, né? Eu explico.

Me dava bem com o Gustavo desde a época do colégio. Até fazíamos competições para ver quem ficava com fulana de tal. Até o fim dos estudos, eu ganhava por 5x3. Talvez aí esteja a origem do problema. Até hoje, ele acha que a competição continua.

Mas calma lá, sempre foi um embate saudável. Nunca brigamos por mulher. A questão é que o Gustavo continuou querendo se provar mais pegador que eu, até enquanto namorava. Mesmo sem estímulo meu, ele se gabava das puladas de cerca e das gostosas que pegava. Beleza.

Certo dia, como de costume, marcamos para tomar um uisquezinho entre amigos no Bar Fuleiral. Como de costume, ele se atrasou. Enquanto eu tomava a primeira dose, liguei e ele respondeu que já ia chegar; estava só pagando a conta do motel. Beleza.

Gustavo chegou meia hora depois, com cara cínica, de mãos dadas com a namorada, mais cínica ainda. Rolava o papo, com outros três amigos, eu ficava só matutando que piada sem graça faria sobre o casal que acabara de saciar seus impulsos sexuais. Até que não resisti e comentei com a namorada dele:

- E aí, foi bom pra você?
- Bom o que?
- A saliência...
- Que saliência?
- A sacanagem!
- Que sacanagem?
- O inxirimento!
- Quê?!
- Ué, o Gustavo disse que vocês estavam no motel
- Motel? Eu não tava, ele acabou de me pegar em casa...  – respondeu, séria, quase com raiva.

Durante essa conversa, Gustavo me fitou com olhos arregalados, ficou empolado, suvaco pinicando e rosto enrubescido. Até que não resistiu, puxou uma garrafa de Cerpa Gold da mesa ao lado, quebrou-a com um golpe na mesa e me gargalou com o movimento de um lutador de esgrima. Minha única reação foi responder “O quê? Não! Cerpa?!”.

Beleza.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

POLÊMICA: apanhei da turma do SIM

Campanha do SIM fuçando meu Twitter



Me sinto como um médico que cai de para-quedas no fogo cruzado entre franceses e russos em plena Moscou de 1814. Naquela época tinha para-quedas? Não interessa, só sei que foi assim.

Mas, resistindo a tentação dos gracejos, foi incrível ver que fui atacado pelos partidários da criação do estado de Tapajós, por conta de uma matéria que escrevi para o Portal Terra. Eu me limitei a descrever aqui o desagrado que causou a opinião de Paulo Henrique Amorim, veiculada na propaganda política do SIM, mas fui escrachado aqui, como se eu fosse um antirrevolucionário em plena Paris de 1789 (adoro datas históricas né?).

O texto é surreal. A começar por superestimar minha importância, dizendo que usei minha "influência para atacar nacionalmente, em uma matéria totalmente tendenciosa". Também é pura viagem dizer que eu incito ódio entre os dois lados da campanha. Já o significado de "isonomia da imprensa" eu não consegui decifrar.

Stalkearam-me, para intimidação. Eu rio só de imaginar os caras procurando alguma opinião séria minha aqui no blog e no meu twitter, não encontrando e pensando "putz, esse cara só fala merda". 

Confesso que, logo de cara, fiquei meio assustado pensando se não tinha escrito alguma besteira. Mas em questão de segundos vi que os ataques a mim eram tão vazios que nem fazia sentido eu me justificar, no blog deles. Como sou um aproveitador, resolvi jogar em casa, com a minha torcida do Oásis da Inutilidade, e dar a resposta aqui, para ganhar ibope e dar sobrevida a esta moribunda caderneta virtual.

O mais interessante de tudo é que não vejo problema nenhum no fato de Paulo Henrique Amorim ter apoiado a divisão. Ué, todo mundo aqui dá pitaco sobre o conflito Israel X Palestina, qual é o problema? O tiro no pé foi a turma do SIM ter escolhido o jornalista para falar na propaganda da campanha, porque a opinião dele é pouquíssimo relevante para os paraenses, assim como meu ponto de vista é de mínimo interesse para os palestinos e israelenses. Mas se me convidarem pra falar sobre o assunto na Al Jazeera, eu vou. Só não garanto voltar vivo de lá.



Ao Paulo Henrique Amorim, tem apenas uma coisa que gostaria de falar:

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Futebol: o pior esporte do mundo.





Não existe pior. Chamar futebol de esporte é uma concessão conceitual, já que os atletas se cansam durante a partida. Na verdade, trata-se de uma atividade mista, uma espécie de jogo-de-azar/esporte. Com o defeito de, quase sempre, ser chatíssimo de se assistir.

Em termos de diversão, comparo o futebol a uma criança recém-nascida que hiberna 16 horas por dia. Ver o moleque dormindo logo enjoa; a família quer que ele sorria, chore, peide, qualquer coisa que saia da mesmice. E só tem o privilégio de ver as melhores partes aquela pessoa que passa enfadonhos plantões com a cria: sua mãe.

No futebol é a mesma bosta coisa. A força de Murphy faz com que a gente se programe pra assistir só as partidas que calejam o globo ocular, enquanto que, quando acontecem coisas assim, ficamos sabendo por amigos (todos menos a gente) e temos que nos contentar com o resumo dos gols na voz marcante de Léo Batista. A não ser os fanáticos, que fazem plantão em frente à TV, esperando o raio cair no mesmo lugar de novo. A esses, o pútreo odor do meu flato, já que fanático de qualquer raça é chato pra caramba.

Cara, é sério: poucos esportes têm a possibilidade de não acontecer nada durante o embate. O MMA tem o mesmo risco, mas a emoção por minuto é bem mais densa. Até o grande concorrente de pior esporte do mundo, a Fórmula 1, obrigatoriamente terá um vencedor no fim. Mas esqueça F1; é apenas uma competição tecnológica, em que o piloto só sua pelo medo de morrer.

Inteligentes foram os norte-americanos. Transformaram o soccer em football incluindo o elemento da porrada. A mesma coisa rola no hockey: golzinho pra cá, golzinho pra lá e, de vez em quando, uma pausa para afagos.

Esportes tendem a ser mais emocionantes quando têm pontuação o tempo todo. No basquete, tênis, vôlei, é tudo lá é cá. No futebol, a gente tem que esperar lateral, tiro de meta, falta, marcação até a bola chegar na entrada da área e o Zé Augusto chutar pra arquibancada.


A emocionante partida de futebol, segundo Skank


E por falar em arquibancada, assistir jogos no estádio pode ser interessante. Desde que se vá com radinho, grupo de amigos, cerveja, em um jogo de série A - ou com a certeza de vitória do nosso time.


Outro grande problema são as injustiças. Futebol depende quase tanto da sorte quanto pinball. A imponderabilidade das zebras irritantes são bem-vindas. Dizem que é o esporte mais praticado no mundo por ser imprevisível. Assim, Pedra-papel-e-tesoura deveria estar pelo menos nas Olimpíadas.

A essa altura você deve estar pensando "ah, então o Filipe odeia futebol". Não. Eu também gosto de coisas ruins. E não tenho culpa, sou uma mera vítima do sistema. Fui encucado de maneira osmótica a ser futebolisticamente patriótico e perdi a luta contra isso (mentira nem lutei). Um dos motivos é que, apesar de tedioso para se assistir, jogar futebol injeta litros de serotonina no cérebro, por ser uma atividade física estafante. E a cada gol, rola um turbo extra de neurotransmissores do prazer.

Portanto, amiguinhos, esqueçam essa porcaria de esporte que é o futebol. E acima de tudo, torçam para o Paysandu.






Enquanto isso, confiram comigo:



AS MAIORES ZEBRAS DA HISTÓRIA:







1 - Brasil 1 x 2 Uruguai (final da Copa de 1950): Não importa se o Uruguai tinha mais tradição no esporte, o Brasil já estava mais que maduro para ser campeão e jogava em um Maracanã com 200 mil pessoas.


2 - EUA 1 x 0 Inglaterra (Copa de 1950): A Inglaterra era uma potência e o futebol nos EUA era tipo o basebol aqui.


3 - Alemanha 3 x 2 Hungria (final da Copa de 1954): Não importa se a Alemanha jogava em casa, a Hungria de Puskas (um quase Pelé) tinha esquartejado todo mundo desde as Olimpíadas de 1952. Na copa, abriu 2x0 nos primeiros 15 minutos contra todos os adversários, incluindo aí o Brasil (nos ganhou de 4x2) e a própria Alemanha.


4 - Coréia do Norte 1 x 0 Itália (Copa de 1966): Como você pode perceber, um a zero é o placar mágico das zebras, né não?


5 - Portugal 0 x 1 Grécia (final da Eurocopa de 2004): Grécia sempre foi um time abaixo do medíocre. Nessa Eurocopa, ganhou quase todo mundo só de 1x0, com uns chutes em que a bola batia no teto e entravam no gol. Portugal jogava muito bem, em casa, com Felipão no banco, Cristiano Ronaldo começando, mas deu zebra.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Prefeitura de Belém contabiliza três travessias pela passarela da Júlio César


Reuters - A Prefeitura Municipal de Belém divulgou, em coletiva de imprensa realizada esta manhã, o balanço de dados sobre a utilização da passarela na avenida Júlio César, inaugurada há um mês. Até agora, houve três travessias.

A primeira pessoa a atravessar foi a sobrinha do prefeito, durante a inauguração da passarela. A moça subiu, posou aos fotógrafos e desceu pelo outro lado. As outras duas travessias foram feitas pela mesma pessoa. Na semana passada, uma idosa de 87 anos usou a passarela para ir ao outro lado da avenida e, logo em seguida, notou que errou o caminho e atravessou de novo, voltando para onde estava.

Durante o último mês, o número de travessias pela faixa de pedestres da avenida, a poucos metros da passarela, permaneceu estável, em torno de 240 mil.

sábado, 26 de março de 2011

Bastidores, presepadas e uma entrevista com Iron Maiden

Mr. Smith na strato

Até os 15 anos, poderia ser confundido com qualquer adolescente roqueiro de Londres. Inclusive quando largou a escola, começou a tocar guitarra e formou uma bandinha com colegas. A mudança começou quando foi convidado para tocar em uma banda que estava no limiar do sucesso global.

Seguido ao estouro, fez milhares de turnês, vendeu milhões de álbuns e passou a ser considerado um dos melhores e mais influentes guitarristas do mundo.

Na sexta-feira, conforme havia se comprometido, pegou o telefone e...

XXX


Até os 15 anos, poderia ser confundido com qualquer outro metido a roqueiro de Belém. Começou a tocar guitarra na adolescência, formando bandinhas com amigos. Chegou a ser considerado o melhor jornalista do quarteirão, do desabitado bairro onde vive às custas do pai.

Na última sexta-feira, conforme o esperado, ouviu o telefone tocar, atendeu e...


- Hello, my name is Filipe and i`m a journalist from Belem
- Oi.
- Hehehehehe oi.


Mr. Che Philips na strato


Foi assim que dois caras com realidades totalmente distintas começaram um diálogo de 12 minutos por telefone. Um estava dentro de uma redação cheia de jornalistas, enquanto que o outro, presumo, estava cercado de mulheres semi-nuas oferecendo um drink naquelas taças que parecem funil, com uma frutinha pendurada. Ao menos assim imagino, embora eu não tenha ouvido sussurros femininos. Talvez porque a mulher estivesse ocupada com ...ah, não me interessa.

Mas, convenhamos, pra quem só tinha entrevistado celebridades do tipo Roberto Jeferson, Mulher Melancia e Jerry Adriani, falar com Adrian Smith, um dos guitarristas da lendária banda de heavy metal Iron Maiden, é uma leve subida de nível. Igualmente incomum foi eu ter entendido 91,2% do que ele falou, sob um inglês britânico com o qual parecia, em vez de expelir, engolir algumas palavras. Por exemplo, a pronúncia dele de "Iron Maiden" era algo do tipo "ao mêdn".

Também me chamou atenção a intensidade do uso de bengalas de linguagem como "é...", "poisé", "então", "tipo..." e "...você sabe...". Chegou até a gagejar uma ou outra hora, pra achar as palavras de forma a ser  melhor entendido. Mas claro, manteve uma distância segura da vergonha que passou o repórter com seu inglês em avançado estágio de oxidação.

Também fiquei decepcionado com o atraso dele, logo um sir britânico. Ligou três minutos depois do combinado. O papo foi rápido, mas até rendeu. Só não deu tempo de eu passar umas dicas de guitarra pra ele. Fica pra próxima.

Só uma observação importante: não fui o único responsável pelo resultado dessa entrevista. Escalada para tal labor, a Andressa Gonçalves me passou a bola porque foi marcado para um horário que ela não podia. Como um bom sanguessuga que sou, aproveitei algumas perguntas que ela já tinha formulado e assumi sozinho os méritos por esse grande feito.

Mas falando sério, agradeço ela por ter confiado em mim para a entrevista e por ter deixado eu aproveitar de um trabalho que ela já tinha feito. Em outras palavras, ela driblou o goleiro e tocou pra mim.

  
Pronto, chega de enrolação. Confiram comigo no replay:



(Publicado em 27.03.11 em O Liberal e no jornal Amazônia)

A expectativa pela chegada da turnê The Final Frontier a Belém domina não só o público, mas também os integrantes do Iron Maiden. Em entrevista pelo telefone, o guitarrista Adrian Smith, 54 anos, demonstrou que a ansiedade pelo show não é exclusiva dos fãs. Ele se disse animado para conhecer o público da cidade, uma das poucas dessa turnê que ainda não foi visitada pela banda.

Quando o assunto é Brasil, integrantes da banda logo lembram as memoráveis apresentações nas três edições brasileiras do Rock In Rio, tema citado com nostalgia por Adrian. Não é à toa que o país é um dos mais privilegiados nessa tour, com seis apresentações da banda; só perde para Alemanha e Austrália, ambos com sete.

Um três guitarristas do Iron Maiden, Adrian é inseparável do vocalista, Bruce Dickinson. Entraram na banda na mesma época, no início da década de 1980, pouco antes de o grupo estourar mundialmente com o álbum Number of The Beast. No início da década de 1990, saíram para lançar dois álbuns solo, e voltaram em 1999. Adrian participou da gravação dos últimos quatro CDs da banda, inclusive o aclamado The Final Frontier, lançado ano passado e base do repertório da atual tour.

Com linguagem coloquial e simpatia, Adrian falou sobre Grammy, o sucesso do novo álbum e lembrou seus tempos de fã da banda Deep Purple.







O Liberal - Você sabia que um grupo de fãs esperou uma fila de 15 horas até que os ingressos começassem a ser vendidos, em novembro?

Adrian Smith - Sério? Isso é espetacular.

O Liberal - Eles queriam ser os primeiros a comprar ingressos.

Adrian Smith - Isso é ótimo! Nunca tocamos em Belém antes, então estamos curiosos para ver. No resto do Brasil as reações, desde que tocamos no Rock In Rio, há 20 anos, têm sido fantásticas. Então, parece que vai ser um bom show, sabe?

O Liberal - Iron Maiden deve ser a maior banda a tocar em Belém. Isso faz o show ficar ainda mais especial para vocês?

Adrian Smith - Sim, é sempre excitante ir aonde você ainda não tinha tocado. Então, é claro que estamos animados. Estamos tocando em muitos lugares nessa turnê e pouquíssimos deles ainda não conhecíamos, e Belém é um deles. Estamos animados com isso.

O Liberal - Porque a banda toca em lugares fora do grande circuito, onde outras grandes bandas não costumam ir, como Indonésia, Cingapura e agora Belém?

Adrian Smith - Eu acho que as coisas estão muito diferentes e mudando rapidamente com a internet. As pessoas têm mais acesso a músicas e bandas. Acho que por isso Iron Maiden se torna mais conhecido. Nós estamos em um avião enorme, o Ed Force One, então somos capazes de chegar a esses lugares. E a gente sempre toca onde a gente sente que deve tocar. Quando surge uma possibilidade de tocar em um lugar diferente, a gente sempre leva em consideração a hipótese. Nós temos meios para ir até lá, nos divertir, então, você sabe, porque não tocar lá?

O Liberal - Em uma entrevista para a revista Roling Stone da Indonésia, Bruce Dickinson (vocalista do Iron Maiden) não pareceu muito empolgado por ter ganhado o Grammy esse ano. Isso não significou nada para a banda?

Adrian Smith - Bem, para ser honesto, eu não sei bem... assistindo a cerimônia do Grammy a gente percebe que é tudo muito “showbusiness”, muito “Hollywood”, enquanto que Iron Maiden está a milhões de quilômetros de distância disso. Preferimos parecer uma banda real, cometemos erros, não somos perfeitos. Eu acho que as pessoas apreciam...(silêncio)... eu quero dizer, nada contra o Grammy, é legal ser reconhecido. Então, é, eu quero dizer, você sabe... por outro lado, muita gente vai dar importância ao Grammy e eu não vejo nada de errado nisso. Se, se, se...se isso faz as pessoas ficarem curiosas sobre a gente, então está ótimo.

O Liberal - Em uma mão vocês têm o Grammy, mas na outra, vocês estão no topo das paradas em 28 países. Imagino que isso signifique mais...


Adrian Smith - Sim, exato. É incrível.

O Liberal - E é o último álbum, e não uma coletânea de músicas antigas, que as pessoas estão ouvindo e adorando. O que isso significa para você?

Adrian Smith - Bem, a gente acha que é importante criar e tocar novas músicas. Pessoalmente, eu acho muito satisfatório escrever algo e ser criativo. Eu imagino que nós poderíamos sair em turnê e tocar nossas músicas antigas, o público provavelmente ficaria bastante feliz. Não queremos isso; queremos criar novas músicas, fazer novos shows e realmente continuar a nos desafiar.

O Liberal - Qual é a principal diferença entre os seus primeiros fãs, dó início da década de 1980, para os atuais, que vão para os shows hoje em dia? Há muitos jovens hoje; eles são diferentes dos jovens que iam aos shows de 30 anos atrás?

Adrian Smith - Bem, os jovens da década de 1980 ficaram mais velhos (risos). É verdade, temos muitos fãs jovens, o que é maravilhoso. Quem me dera que eu soubesse o segredo; eu iria engarrafá-lo e vendê-lo. Eu acho que parte do motivo é porque não há muitas outras bandas fazendo isso.

O Liberal - Por que será?

Adrian Smith - É muito incomum uma banda estar na ativa por tanto tempo quanto Iron Maiden, sabe, e continuar em turnês e manter o ritmo... E, eu acho que um monte de jovenzinhos que vêm aos nossos shows nunca estiveram em uma apresentação de rock antes, nunca viram alguém tocando solos de guitarra e nunca ouviram as melodias. Em muitas bandas que você ouve há uma atitude heavy metal e têm o som pesado, mas se você parar para ouvir nosso som, vai perceber que há muito de melódico.

O Liberal - Mas os fãs de hoje são, em algum aspecto, diferentes daqueles de muitos anos atrás?

Adrian Smith - Não. Eu lembro quando eu era criança e fui ver Deep Purple. Foi muito emocionante ver uma banda de rock e os caras tocando os instrumentos, muito legal. É isso que a juventude quer ver, ao menos é a única coisa que eu posso imaginar que eles possam querer. Com certeza não é pelas nossas aparências.

O Liberal - Vocês foram influenciados por Deep Purple, mas também influenciaram muitas grandes bandas como Dream Theater e Metallica. Como você se sente em relação ao fato de que o primeiro show que eles assistiram, quando jovens, talvez tenha sido o seu e agora eles contam histórias semelhantes à que você contou agora?

Adrian Smith - Pois é, estamos na estrada por um bom tempo, fazendo muitos shows em muitos países, para muita gente, o que acaba influenciando muita gente. Você nunca esquece o primeiro show que viu. Acho que as pessoas pegam essa inspiração para alimentar sua própria criatividade. Isso é ótimo.

O Liberal - Os fãs brasileiros devem estar curiosos de por que o país não vai aparecer no próximo DVD, enquanto que Argentina e Chile foram escolhidos. O que você diria a esses fãs, já que eles podem ter ficado com um pouco de ciúme?

Adrian Smith - Bem, você sabe, nós já fizemos o Rock In Rio e não se pode fazer algo maior do que aquilo.

domingo, 20 de março de 2011

domingo, 13 de março de 2011

10 músicas que formaram meu caráter




Amo música. Um simples toque no play faz transbordar minha mente de serotonina. Não há tédio que resista a um bom som. E são muitas que me dão prazer.

Só que eu nunca seria capaz de fazer uma lista das dez preferidas, é impossível. Por outro lado, dá para medir o impacto de músicas na minha vida em cada época. E é isso que me proponho a fazer neste post, inclusive em ordem mais ou menos cronológica. Não são necessariamente as melhores, mas sim as mais marcantes.

Ao olhar a lista, o leitor mais atento, inteligente, santista e bem-dotado deve observar que comecei a ser tocado pelo rock ainda novo e essa veia se fortaleceu com o tempo. Não faço ideia do porquê, já que nunca tive uma influência tão direta para gostar de músicas mais pesadas. Quando ouvia algo com um pouco mais de pegada e distorção sentia arrepios no útero e, meio sem entender, dizia para mim mesmo "é isso!".

Por exemplo, os únicos três segundos de distorção da música Camila, do Nenhum de Nós, eu colocava em repeat ad infinitum. Assim como ficava esperando ansioso pela parte final de Wasted Time, do Skid Row, pra ouvir os gritos orgásmicos do vocalista Sebastian Bach.

Cada música escolhida aqui é uma representante de um estilo que eu gosto. E todas, mas ou menos, contribuíram de alguma forma para eu ser quem sou. Aposto que vai ter gente que vai dizer "não conheço nenhuma dessas aí". Nesse caso apenas lamento a pobreza de seu gosto musical.

Confiram as músicas que formaram meu caráter e depois me digam se eu tenho um gosto esquisito ou se sou normal:


1 - Black or White - Michael Jackson (7 anos)




Lembro de forma cristalina de que, quando essa tocava música na rádio, eu e meus irmãos parávamos tudo. Eram os primeiros suspiros do rock na veia. Interessante isso ter acontecido pela música de um cara que só gravou dois bons rocks (essa e Give it to me).

Passeio o resto de minha vida inteira tentando gostar das outras músicas dele e desisti quando ele morreu. É bem chatinho.

2 - Twist and shout - The Beatles (10 anos)





Realmente não lembro de maneira exata se a primeira vez que ouvi foi em uma fita K7 com várias dos Beatles ou se foi no filme Curtindo a Vida Adoidado, naquela cena que parece de um musical. Só sei que marcou mais por causa do filme e, daí, eu colocava a fita para re-ouvir.

A música é totalmente diferente das outras dos Beatles. Ela é cantada aos berros, em ritmo de rock n roll, nunca entendi por quê. Só sei que ela fazia fervilhar o proto-metal dos meus ovários.

3 - Wasted Time - Skid Row (12 anos)




Em fim, metal. Começa como balada melancólica, tem solo no meio e termina com gritos desesperados. Tem coisa melhor? Por um bom tempo, achei essa música a mais bem executada desde que um músico neolítico começou a soprar em ossos com furinhos. Hoje em dia, mantenho opinião semelhante. Restou também a convicção de que Sebastian Bach é o melhor vocalista de metal que já existiu.

4 - Faroeste Caboclo - Legião Urbana (12 anos)




Aqui posso culpar diretamente meus dois irmãos mais velhos. Junto com eles - e com o caçula na cola - decorei 90% das letras. Dessas, ainda lembro perfeitamente de uns 80%. Existem várias outras marcantes do Legião Urbana, mas essa pode resumir em si mais ou menos tudo o que a banda significou.

A música começa com um violãozinho, tem seu momento rock e acaba bem agitada. Embora mais marcante, não é minha preferida. Sempre gostei mais de outas, mais pesadas, tipo 1965 (Duas Tribos), Perfeição e La Nuova Gioventú.

5 - Civil War - Guns n Roses (13 anos)




Fui ouvinte tardio dos Guns, mas não menos assíduo. Passei a ouvir depois que o @Rafaelfaraon selecionou em K7 as que ele achou serem as melhores músicas da banda. Estranhamente essa não constava na lista; conheci um pouco depois. Por algum tempo, era a minha resposta para "música preferida" naquelas listas de perguntas que adolescentes se encaminhavam pelo Zipmail.

Talvez minha preferida seja Breakdown - essa sim constava na fita. Não sei. Fiquem com Civil War como um resumo da ópera dos Guns e a síntese de como me marcaram.

6 - Espelhos Mágicos - Oficina G3 (14 anos)




Talvez seja o rock que mais toquei na vida. Claro, sem o rigor técnico do Juninho Afram, cujo solo, por um bom tempo, achei um dos mais bonitos já criados - hoje, ficaria só com uma menção honrosa.

Espelhos Mágicos é um rock direto, com riff bacana e teclado no fundo. O coro cria uma atmosfera apoteótica e o solo é o ápice. É a música do Oficina G3 mais tocada por bandas covers em igrejas (é evangélica, caso você não saiba). No mesmo álbum, a música de abertura, Davi, talvez seja melhor. Só não foi tão tocada porque a letra era menos direta e a execução, bem mais complicada.

7 - Carry On - Angra (14 anos)




Quando se depara com uma comunidade no Orkut com milhares de membros, cujo nome é "Toca Carry On", é sinal de que a música deve ter algo de muito especial. E tem.

Por essa banda eu fui apresentado ao heavy metal melódico e a solos de guitarra que pensei não existirem. No começo, achei a batida rápida demais, mas logo acostumei. Duas guitarras fazem duetos e se revezam em solos, enquanto que o vocalista faz falsetes que soam feminino. É uma música inigualável, incrível, estrobusecável (achei o adjetivo que a define).

8 - The Mirror - Dream Theater (15 anos)




No começo era só uma banda estranha e obscura que um amigo guitarrista nos apresentou. Aos poucos as músicas foram ficando palatáveis até chegar ao ponto de eu ir para São Paulo em uma grande caravana (eu, @victorfaraon e @rafaelfaraon) para assistir o show dos caras.

É claro que essa música é apenas uma amostra de um todo que até hoje abre novas marcas na minha veia musical. Ela faz parte do álbum Awake, desprezado pelo público, mas preferido por mim. Tem uma guitarra seca, pesada e gravíssima, com quebras de compasso e contratempos que outras bandas ainda imitam à exaustão.

9 - Tender Surrender - Steve Vay (18 anos)




De chorar. A melhor música instrumental de guitarra já executada, desde que aquele neolítico que eu falei deu o primeiro sopro no osso furado. E é o guitarrista mais revolucionário desde Jimmy Hendrix.

Ele faz menos sucesso que o Joe Satriani por se dedicar mais em loucuras guitarrísticas do que na melodia em si. Mas nessa música (se não me engano, é baseada em riff do Hendrix) ele une perfeitamente a técnica insana com harmonia primorosa.

10 - Halellujah - Jeff Bucley (26 anos)




Essa música me trouxe um êxtase que eu não sentia desde que Napoleão Bonaparte cruzou o rio Sena após campanha vitoriosa na Europa atravessando a Champs Elisées por baixo do Arco do Triunfo. A guitarrinha tocada com a sensibilidade de uma harpa e a voz com feeling perfeito me chamaram atenção de cara. Logo depois também notei que a letra é muito bonita, de clara inspiração bíblica ("Eu soube que havia um acorde secreto / Que Davi tocava, e que agradava o Senhor / Mas você não liga para música, não é?").

A música é, na verdade, de Leonard Cohen. Mas como eu duvido que a versão original barre a do Bucley. Nem nem quero ouvir-la para não estragar.

terça-feira, 1 de março de 2011

Manual do Tuiteiro em 10 Passos




1 - Retuíte quem te elogiou;

2 - Siga desconhecidos só para ser seguido de volta e dê unfollow caso não obtenha a recíproca;

3 - Lembre-se: chute no saco dói menos que unfollow;

4 - Colocar "(Clarisse Lispector)" no final de uma tuitada aumenta em 67% a possibilidade de ser retuitado;

5 - Mantenha esta nota mental: 2a feira = reclamar, 6a feira = comemorar, Meio dia = fome, Tarde = sono, Matrugada =  insônia;

6 - Bem humorado = conte uma piada. Mau humorado = reclame de piadas alheias;

7 - Retuíte o cara da moda, não importe a merda que ele fale;

8 - Se der unfollow em alguém, entre sempre no perfil dela para saber o que ela tuíta;


9 - Quando der um branco, não houver mais o que tuitar e for a hora de largar o computador para abrir um livro, tuíte a letra de uma música;

10 - Mas se o branco permanecer e você continuar com a necessidade de falar qualquer coisa, se mate. É melhor do que correr o risco de tuitar um horóscopo.