domingo, 13 de março de 2011

10 músicas que formaram meu caráter




Amo música. Um simples toque no play faz transbordar minha mente de serotonina. Não há tédio que resista a um bom som. E são muitas que me dão prazer.

Só que eu nunca seria capaz de fazer uma lista das dez preferidas, é impossível. Por outro lado, dá para medir o impacto de músicas na minha vida em cada época. E é isso que me proponho a fazer neste post, inclusive em ordem mais ou menos cronológica. Não são necessariamente as melhores, mas sim as mais marcantes.

Ao olhar a lista, o leitor mais atento, inteligente, santista e bem-dotado deve observar que comecei a ser tocado pelo rock ainda novo e essa veia se fortaleceu com o tempo. Não faço ideia do porquê, já que nunca tive uma influência tão direta para gostar de músicas mais pesadas. Quando ouvia algo com um pouco mais de pegada e distorção sentia arrepios no útero e, meio sem entender, dizia para mim mesmo "é isso!".

Por exemplo, os únicos três segundos de distorção da música Camila, do Nenhum de Nós, eu colocava em repeat ad infinitum. Assim como ficava esperando ansioso pela parte final de Wasted Time, do Skid Row, pra ouvir os gritos orgásmicos do vocalista Sebastian Bach.

Cada música escolhida aqui é uma representante de um estilo que eu gosto. E todas, mas ou menos, contribuíram de alguma forma para eu ser quem sou. Aposto que vai ter gente que vai dizer "não conheço nenhuma dessas aí". Nesse caso apenas lamento a pobreza de seu gosto musical.

Confiram as músicas que formaram meu caráter e depois me digam se eu tenho um gosto esquisito ou se sou normal:


1 - Black or White - Michael Jackson (7 anos)




Lembro de forma cristalina de que, quando essa tocava música na rádio, eu e meus irmãos parávamos tudo. Eram os primeiros suspiros do rock na veia. Interessante isso ter acontecido pela música de um cara que só gravou dois bons rocks (essa e Give it to me).

Passeio o resto de minha vida inteira tentando gostar das outras músicas dele e desisti quando ele morreu. É bem chatinho.

2 - Twist and shout - The Beatles (10 anos)





Realmente não lembro de maneira exata se a primeira vez que ouvi foi em uma fita K7 com várias dos Beatles ou se foi no filme Curtindo a Vida Adoidado, naquela cena que parece de um musical. Só sei que marcou mais por causa do filme e, daí, eu colocava a fita para re-ouvir.

A música é totalmente diferente das outras dos Beatles. Ela é cantada aos berros, em ritmo de rock n roll, nunca entendi por quê. Só sei que ela fazia fervilhar o proto-metal dos meus ovários.

3 - Wasted Time - Skid Row (12 anos)




Em fim, metal. Começa como balada melancólica, tem solo no meio e termina com gritos desesperados. Tem coisa melhor? Por um bom tempo, achei essa música a mais bem executada desde que um músico neolítico começou a soprar em ossos com furinhos. Hoje em dia, mantenho opinião semelhante. Restou também a convicção de que Sebastian Bach é o melhor vocalista de metal que já existiu.

4 - Faroeste Caboclo - Legião Urbana (12 anos)




Aqui posso culpar diretamente meus dois irmãos mais velhos. Junto com eles - e com o caçula na cola - decorei 90% das letras. Dessas, ainda lembro perfeitamente de uns 80%. Existem várias outras marcantes do Legião Urbana, mas essa pode resumir em si mais ou menos tudo o que a banda significou.

A música começa com um violãozinho, tem seu momento rock e acaba bem agitada. Embora mais marcante, não é minha preferida. Sempre gostei mais de outas, mais pesadas, tipo 1965 (Duas Tribos), Perfeição e La Nuova Gioventú.

5 - Civil War - Guns n Roses (13 anos)




Fui ouvinte tardio dos Guns, mas não menos assíduo. Passei a ouvir depois que o @Rafaelfaraon selecionou em K7 as que ele achou serem as melhores músicas da banda. Estranhamente essa não constava na lista; conheci um pouco depois. Por algum tempo, era a minha resposta para "música preferida" naquelas listas de perguntas que adolescentes se encaminhavam pelo Zipmail.

Talvez minha preferida seja Breakdown - essa sim constava na fita. Não sei. Fiquem com Civil War como um resumo da ópera dos Guns e a síntese de como me marcaram.

6 - Espelhos Mágicos - Oficina G3 (14 anos)




Talvez seja o rock que mais toquei na vida. Claro, sem o rigor técnico do Juninho Afram, cujo solo, por um bom tempo, achei um dos mais bonitos já criados - hoje, ficaria só com uma menção honrosa.

Espelhos Mágicos é um rock direto, com riff bacana e teclado no fundo. O coro cria uma atmosfera apoteótica e o solo é o ápice. É a música do Oficina G3 mais tocada por bandas covers em igrejas (é evangélica, caso você não saiba). No mesmo álbum, a música de abertura, Davi, talvez seja melhor. Só não foi tão tocada porque a letra era menos direta e a execução, bem mais complicada.

7 - Carry On - Angra (14 anos)




Quando se depara com uma comunidade no Orkut com milhares de membros, cujo nome é "Toca Carry On", é sinal de que a música deve ter algo de muito especial. E tem.

Por essa banda eu fui apresentado ao heavy metal melódico e a solos de guitarra que pensei não existirem. No começo, achei a batida rápida demais, mas logo acostumei. Duas guitarras fazem duetos e se revezam em solos, enquanto que o vocalista faz falsetes que soam feminino. É uma música inigualável, incrível, estrobusecável (achei o adjetivo que a define).

8 - The Mirror - Dream Theater (15 anos)




No começo era só uma banda estranha e obscura que um amigo guitarrista nos apresentou. Aos poucos as músicas foram ficando palatáveis até chegar ao ponto de eu ir para São Paulo em uma grande caravana (eu, @victorfaraon e @rafaelfaraon) para assistir o show dos caras.

É claro que essa música é apenas uma amostra de um todo que até hoje abre novas marcas na minha veia musical. Ela faz parte do álbum Awake, desprezado pelo público, mas preferido por mim. Tem uma guitarra seca, pesada e gravíssima, com quebras de compasso e contratempos que outras bandas ainda imitam à exaustão.

9 - Tender Surrender - Steve Vay (18 anos)




De chorar. A melhor música instrumental de guitarra já executada, desde que aquele neolítico que eu falei deu o primeiro sopro no osso furado. E é o guitarrista mais revolucionário desde Jimmy Hendrix.

Ele faz menos sucesso que o Joe Satriani por se dedicar mais em loucuras guitarrísticas do que na melodia em si. Mas nessa música (se não me engano, é baseada em riff do Hendrix) ele une perfeitamente a técnica insana com harmonia primorosa.

10 - Halellujah - Jeff Bucley (26 anos)




Essa música me trouxe um êxtase que eu não sentia desde que Napoleão Bonaparte cruzou o rio Sena após campanha vitoriosa na Europa atravessando a Champs Elisées por baixo do Arco do Triunfo. A guitarrinha tocada com a sensibilidade de uma harpa e a voz com feeling perfeito me chamaram atenção de cara. Logo depois também notei que a letra é muito bonita, de clara inspiração bíblica ("Eu soube que havia um acorde secreto / Que Davi tocava, e que agradava o Senhor / Mas você não liga para música, não é?").

A música é, na verdade, de Leonard Cohen. Mas como eu duvido que a versão original barre a do Bucley. Nem nem quero ouvir-la para não estragar.

terça-feira, 1 de março de 2011

Manual do Tuiteiro em 10 Passos




1 - Retuíte quem te elogiou;

2 - Siga desconhecidos só para ser seguido de volta e dê unfollow caso não obtenha a recíproca;

3 - Lembre-se: chute no saco dói menos que unfollow;

4 - Colocar "(Clarisse Lispector)" no final de uma tuitada aumenta em 67% a possibilidade de ser retuitado;

5 - Mantenha esta nota mental: 2a feira = reclamar, 6a feira = comemorar, Meio dia = fome, Tarde = sono, Matrugada =  insônia;

6 - Bem humorado = conte uma piada. Mau humorado = reclame de piadas alheias;

7 - Retuíte o cara da moda, não importe a merda que ele fale;

8 - Se der unfollow em alguém, entre sempre no perfil dela para saber o que ela tuíta;


9 - Quando der um branco, não houver mais o que tuitar e for a hora de largar o computador para abrir um livro, tuíte a letra de uma música;

10 - Mas se o branco permanecer e você continuar com a necessidade de falar qualquer coisa, se mate. É melhor do que correr o risco de tuitar um horóscopo.


















segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Fenômeno e outras ronaldices



Uns com tanto, outros com tão pouco. O clichê reflete bem meu sentimento ao ver um cracaço se despedindo dos gramados por motivos alheios à sua vontade, enquanto que outro caminha pelo campo encarando a pelota com tédio. Pode parecer estranho, mas no dia da aposentadoria do Ronaldo eu fiquei mais triste com seu chará diminutivo, Ronaldinho.


Isso ainda no Barça. Imagina agora...

Sou um insensível por não me abater com o Fofômeno anunciando que parou de jogar bola? Convenhamos, ele já não joga há mais de um ano, você é que não percebeu. De lá para cá os meu sentimento por Ronaldo se aproxima da vergonha alheia, algo que ele não merece. E pra falar a verdade, o único Ronaldo que realmente me encantou foi aquele de 1993 a 1999, época em que ele ainda sabia driblar, tipo o Messi hoje.

Se é triste ver um Felômeno sendo corroído por bixeiras nos joelhos, pior ainda é quando o cara tem tudo para arrebentar por no mínimo 10 anos, mas só aproveita dois. Embora tenha tido uma carreira mais vitoriosa, acho que Ronaldo olhe Ronaldinho com uma pontinha de inveja. O Gaúcho tem saúde para jogar até os 40 anos, mas não faz questão. Já chegou se arrastando aos 30, e isso sem uma única grande lesão.

Não adianta choramingar por Ronaldo como se ele tivesse morrido, como faz a imprensa ufanista. O mais importante é que o caso-ronalducho sirva de exemplo para Ronaldinho criar vergonha na cara e aproveitar com dignidade seus últimos anos como jogador profissional. A não ser que Gaúcho justifique em sua coletiva de despedida do futebol que sua momó crônica para o esporte é sintoma de um raro fungo africano do Haiti que afetou seus ovários e o único tratamento é por meio de um supositório kidbengala-size no orifício anal. Assim tudo bem. Aí eu me calo.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A morte dos escritores


Não quero mais ser escritor. Só se for como um hobbie, tipo ser jogador de futebol e músico. O escritor está fadado a um fracasso maior do que o de músico. E por motivo semelhante. Assim como se tornou praticamente impossível ganhar algumas merrecas com venda de CDs - por causa do formato mp3 -, em um futuro próximo ninguém mais vai querer comprar livros, culpa dos e-readers.

Adicione a isso o fato de escritores não poderem direcionar seu ganha-pão para recitações públicas de suas obras literárias, da maneira como músicos faturam com shows.

Daqui a pouco tempo, o público comprador de livros será o mesmo de CDs. Gente que pode se dar ao luxo de gastar apenas pelo prazer ancestral de ter um produto oficial e com propriedades táteis. E isso prejudica não só escritores, mas também jornalistas (EU EU EU!), porque o conteúdo de jornais e revistas passa a ser pirateado.


Como a abundância de recursos não me caracteriza, logo me apressei a comprar um aparelho que me fizesse economizar algumas estalecas em livrarias. Aproveitei a boa vontade do meu irmão, quando ele viajou para os EUA. A ideia inicial era comprar um Kindle, da Amazon, porque meu objetivo era apenas ler, sem muita frescura mesmo. Mas acabei comprando um aparelho que parece ser o filho pobre do cruzamento entre o Ipad e o Galaxy: o Nookcolor, recém lançado no exterior e sem venda no Brasil.

Como não tenho muita frescura, foi o ideal. O Nookcolor me permite não só ler, como o Kindle, mas navegar na internet e ler revistas, como no Ipad. E foi baratinho: R$ 480.

Não sei se já disse isso antes, sou uma mistura de gladiador visigodo com o Analista de Bagé, ou seja, sem frescura. Então, eu baixo livros sem formatação ideal, até em formato do Word, e leio na moral. E a constatação foi interessante. Notei que a leitura em e-reader é bem mais rápida do que naqueles antigos livros à base de trituração de árvores. Virar página toma muito mais tempo do que se imagina. É verdade; um amigo que tem o Kindle fez a mesma observação.


Quando se trata de ler revistas, aí o processo fica um pouco mais lento, pois a tela do Nookcolor, assim como a do Kindle, tem só 7 polegadas, bem menor que uma página A4. Mesmo assim, vale muito a pena. Passei a devorar Superinteressantes com a voracidade de um prisioneiro ostrogodo. E sem pagar R$ 10 por edição.


Me peguei fazendo em livrarias o mesmo que fazia em lojas de CDs no começo da popularização do formato MP3. Vou à loja para ver os melhores exemplares, perturbo o vendedor e, no fim, baixo na internet.

Você, meu caro leitor, pode estar achando que estou consumindo a madeira do meu próprio barco ou cavando a minha própria cova, já que leio sem pagar o que outros jornalistas escrevem. De certa forma, sim. Só que essa é a tendência É melhor aproveitar agora do que tentar nadar contra uma tsunami. Ou vocês acham que estão ganhando a guerra, meus caros integrantes do Metallica?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Por que não fazer previsões para 2011

Resisti à cuíra de antever o próximo ano. Sério cara, o futuro pertence a Deus. É melhor viver o hoje, trabalhar já e rir de piadas sem graça agora. Para que se inquietar? Principalmente por um ano sem graça, que não vai ter eleição nem Copa do Mundo...

...mas falando sério aqui, galera, a verdade é que minhas habilidades com a bola de cristal são menores do que as com a bola de futebol. Ao chegar dezembro, resolvi dar uma olhadinha sobre o que eu tinha previsto para este ano e vi um fiasco: acertei quase nada.

O problema é que quando eu falei em uma supernova ZO637(4)92-X, na verdade eu me referia à supernova ZO637(5)92-X. Por conta desse equívoco, minhas previsões tomaram um rumo totalmente diferente da realidade e deu nessa catástrofe. Espero que ninguém tenha perdido milhões na Bolsa de Valores por minha causa.

De qualquer forma, confira comigo no replay meus muitos erros e escassos acertos:


TEXTO PUBLICADO EM 31/12/2009:




Primeiro, um banho de tacacá podre em um ofurô furado. Depois, 36 horas em meditação ininterruptas, com pernas cruzadas, ouvindo um mantra (Om shiva Om Shakti Namah Shiva Namah Shakti!). Pra terminar, sal grosso entre os dedos do pé, plantando bananeira. Pronto. Completada minha preparação, estou apto a dizer como será o tão esperado ano de 2010.

De cara, não quero iludir ninguém. Para muitos, 2009 foi um desastre em aspectos pessoais, por isso torcem logo pela virada de ano. Apenas lembrem-se: um ano nunca é tão ruim que o outro não possa ser pior. Por isso, é melhor esperar o pior. Assim, nunca se decepciona.

Em termos astrológicos, me chama atenção uma curva na inclinação do delineamento entre Vênus e uma depressão polar na camada de ozônio. Se Marte e a supernova ZO637492-X permanecerem na mesma sintonia cíclica, haverá sérios problemas. Para os ETs, apenas. Aqui, continua tudo a mesma bosta.

Também não posso deixar de citar que 2010 é o ano do azul, regido pelo peixe-boi, pela bigorna, pelo bicho-geográfico e pelos cefalópodes. Sabe o que isso significa? Nada. Absolutamente nada. Ou melhor, pode significar alguma coisa, sim. Que, em vez de ficar só torcendo para tudo ao redor melhorar, você mesmo deve se tornar uma pessoa melhor.

Vamos às previsões:



Política
Para eles, muito a comemorar


Ano eleitoral é agitado. As pessoas só vão sacar que tem que trocar de presidente depois da Copa do Mundo. Mas, cedo ou tarde, têm que tomar a decisão, que acabará por se limitar em: Dentinha Russê e Vampiro Nilson-Serra. Serra ganha.

Todas as mandingas do Lula não serão suficientes. Ele vai tentar dobrar a Bolsa Família, tornar o IPI negativo e aditar o projeto de transposição do rio São Francisco, fazendo o rio dar piruetas por todo o Nordeste. Não vai adiantar. Mas vai até bater na trave.

Haverá seis grandes escândalos políticos, envolvendo tanto pares do presidente quanto a oposição. Mas isso não vai fazer nem cosquinhas nas pesquisas eleitorais, já que Lula não sabia. A campanha petista vai encalhar em outro problema. Três semanas antes do segundo turno das eleições, a imprensa golpista vai descobrir que Dilma é chegada a fazer festas com suecas loiras peladas e gogo-boys. E um vídeo da ministra rebolando de cinta liga, cantando "Hoje eu tô solteira!" no meio da festa, vai cair no You Tube (Lula realmente não sabia, porque não fora convidado). Eu sei, isso não é crime. Mas é suficiente para fazer o PT perder o apoio da igreja e dos setores castos da sociedade.


No Pará, Ana Júlia Carepa é reeleita. A explicação é simples: máquina nas mãos faz reeleger até o capeta com bigode de Hitler para a arquidiocese de Belém. Além disso, ela vai conseguir manter o sigilo de suas festinhas de suingue.



Esporte
 
Fér plêi total no mundo dos esportes


Nem se empolgue muito. Brasil fica em 3º lugar na Copa, depois de perder nas semi-finais. Acho que para a Espanha. Não tenho certeza. Na hora que eu estava recebendo essa informação do além houve uma interferência por uma chuva de raios solares que bateu no polo oeste e instabilizou o telégrafo celeste. Mas pelo menos deu pra descobrir que a campeã será a Alemanha.

Vai ser o mesmo lero-lero de sempre. Brasil perde e ocorre uma caça às bruxas. Alguém TEM que ser jogado na fogueira em uma situação dessas, né não? Adianto-vos: o Luis Fabiano vai fazer um gol contra e vai perder uns tantos outros no jogo das semi. Depois dessa copa, quando alguém der uma pixotada, pisar na bola ou fizer qualquer lance digno de Bola Murcha, vão dizer que a pessoa deu uma Luis Fabianada.

Cruzeiro é campeão brasileiro. Na libertadores, o Lanús, da Argentina, elimina Internacional, Corinthians e Framengo ganha a taça.

Por aqui, o Papão sobe para a Série B. Amém.


Economia
...o país do futuro...


A pujança da economia brasileira vai desabrochar assim como uma bombinha que dá o famoso "peido de velha". Toda a empolgação mundial em torno do Brasil vai sucumbir, assim como já aconteceu com os Tigres Asiáticos e até com a vizinha Argentina, em tempos não muito distantes.

Um dos motivos serão os malabarismos de lula para conquistar setores da população e reeleger Dilma. A outra razão é que a história de "Brasil muito safo e tal" era só fogo de palha, mesmo.


Celebridades
Gramúr, muito gramúr


Uma paraense não será escolhida para o Big Brother Brasil. Ela vai ficar na fase prévia e, mesmo assim, virar celebridade local. Quase todas as mulheres do BBB posarão nuas para a Playboy. Uma delas virará repórter da Globo.

Uma penca de pseudo-famosos morrerá e só choraremos depois de olhar quem era pela Wikipedia, para lembrarmos que tal pessoa era assistente de câmera de uma minissérie que passou depois do Corujão na década de 80.

Recebo uma mensagem no meu celular espiritual que o Axl Rose vai morrer em 2010. Ele e o Robin Williams. Coitado, não vai poder aproveitar in loco a cocaína e as prostitutas que fizeram Rio de Janeiro virar sede das Olimpíadas de 2014.



Geral

Entremos confiantes no novo e desconhecido ano



- O Sri Lanka não vai invadir a Rússia.
- O Fábio Jr. casará e descasará. Duas vezes.
- Um super-boeing com 549 africanos negões-zulus cairá e matará todos carbonizados, no trecho entre Nigéria e África do Sul. Mas ninguém vai dar a mínima. Serão cinco segundos no Jornal Nacional.
- Ronaldo engordará 3kg e fará 24 gols.
- Um monomotor cairá e matará os três passageiros, entre eles, uma criança loirinha sueca de quatro anos. O mundo ficará de luto por sete dias e a minha empregada vai chorar ao ver a reportagem de 10 minutos no Jornal Nacional.
- Nova e revolucionária mídia social dominará o mundo. Nela, as pessoas postarão raios-x, sonhos, exames médicos e fotos do próprio cocô.
- Um urso panda recém-nascido vai ficar órfão na Austrália, comovendo o mundo inteiro. O assunto será debatido em mesas-redondas durante seis meses, movimentando a cúpula das Nações Unidas e fazendo a bandeira nacional do Congresso ficar a meio pau.

e

-  Você rirá dos meus novos posts!

QUE VENHA DOIS MIL E DEEEEEEEEEZ!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Homem de Gelo Derretido




JUNHO DE 2002

O cara era testudo, moreno e feio. Olhou para seu lado direito uma vez e depois para frente, antes de iniciar um pique de meia dúzia de passos em velocidade ascendente até martelar a bola, sem garantias de que a trajetória não seria interrompida por uma luva. Minha única certeza durante aqueles milesegundos era: "não queria estar na pele do Rivaldo".
E nem era um momento tão mortal. Era a primeira partida da Copa do Mundo contra a Turquia; em derrota, haveria como recuperar pontos contra Costa Rica e China. O nervosismo de estreia e o fato de o pênalti ser decisivo para desempatar o jogo nos últimos instantes foram suficientes para eu me sentir incapaz de chutar aquela bola com um pingo de confiança de que ela não iria acertar um refletor.

Um dos grandes futebolistas mundiais era conhecido como Homem de Gelo. Quando Denis Bergkamp dominava a bola de frente para o goleiro, ele parecia pausar o jogo para, tranquilamente, dar um peteleco certeiro na bola. Para reforçar o apelido, nem comemorava. Sua expressão entre os segundos antes e depois do gol não sofria alteração perceptível nem sob leitura a laser.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas, eim Joseph Climber. E eu também já tive que bater meus pênaltis.





JUNHO DE 1999

Se eu tivesse sido abduzido por um ET ao menos eu teria uma explicação plauzível para o fato de, do dia para a noite, ter sentido vontade de entrar no time de vôlei do Cesep. Dadas às raríssimas vezes em que eu havia praticado o esporte até então, logo me vi inapto a estapear a bola durante um pulo, nos treinos. Ou eu acertava o vento durante minha ascensão ou batia com o pulso, depois do ápice. Tal qual numa primeira aula de direção, achei que nunca conseguiria. E assim como na direção, consegui.


SETEMBRO DE 2000


Ao, finalmente, adquirir a habilidade de colocar pressão suficiente na bola a uma altura que ultrapassasse a da rede, os Jogos Estudantis Paraenses (JEPs) já haviam começado. Após a primeira partida, me senti enciumado de o meu time ter conseguido ganhar do Ulisses Guimarães sem mim - eu me recuperava de uma fissura no polegar esquerdo.

Recordo-me apenas de duas coisas no segundo jogo: o time adversário era inacreditavelmente ruim e eu já conseguia bater na bola durante o auge do meu pulo. Tal coincidência foi suficiente para nosso triunfo.

Da terceira partida lembro-me tão pouco que, na verdade, nem sei se ela existiu. Só sei que passamos às  quartas-de-finais para enfrentar o Colégio Estadual Antônio Lemos (Ceal). Na ocasião, além de fazer coincidir o ápice da minha mão com o da bola, eu já conseguia tirar um pouco do bloqueio. O problema era o fantasma do passado. Nos dois anos anteriores o Cesep fora eliminado dos JEPs nas quartas-de-finais, mesmo com times bem melhores que o nosso.

O jogo se encaminhou para um empate até que o ponto da partida ficou nas mãos do Ceal. Eles contra-atacaram cruzado, não muito forte, mas bem colocado. Foi na minha direção. Se eu errasse, o time estaria fora. Acertei uma recepção espírita e inédita: aparei a bola com o antebraço esquerdo. E em vez de a bola tomar uma trajetória obscura como o de costume, ela correu para perto do levantador. Viramos de forma épica e, assim como os algozes do Cesep em 1999, comemoramos com um "montinho".



Nos sentimos mais ou menos assim

A alegria era tão grande que, quando nos encontrávamos no colégio, nos sentíamos como gladiadores que ganharam a luta contra leões mordendo-lhes a jugular. Certo dia, na saída, um colega de time se despediu da namorada e veio falar comigo: "não sei o que é melhor: se namorar ou ser semi-finalista dos JEPs!". Eu, então contando 17 anos e zero namoros, achei aquela comparação ridícula. "Claro que é melhor ser semi-finalista, otário!", gritei dentro de mim.

Da semi-final, só boas lembranças. Me vi capaz de direcionar a bola para a esquerda e para a direita, extraindo razoável potência dos escassos músculos da minha destra. Com a vitória, o nível de serotonina no nosso cérebro aumentou ao ponto de nos levar a um estágio posterior ao nirvana, em que já começávamos a visualizar algumas das 72 virgens.

A verdade é que quem nos aguardava eram machos, e todos bons de bola. E remover montanhas deveria ser um exercício de fé prévio obrigatório ao de crer que venceríamos um dos times que disputavam a outra semi-final. Souza Franco ganhou da Escola Técnica e minha família toda foi assistir a final.

Entre meus três irmãos, o Victor foi o mais interessado na partida, por ter sido tripulante do time cesepeano naufragado do ano anterior. Ele estava ansioso para confirmar que eu já conseguia fazer boa recepção e raramente errar uma cortada, como lhe garanti. Afinal, ele foi testemunha ocular da minha ausência de habilidades durante os primeiros treinos, no ano anterior, e sabia água não se transforma em vinho todo dia.

A vitória tranquila no primeiro set mostrou que eu falava a verdade. Nesse jogo - e apenas nesse - adicionei a habilidade de enxergar previamente onde havia espaço para cortar: se entre o bloqueio, à esquerda ou à direita. Eu sei que antes eu já escolhia o lado, mas era um lance de fé. Agora não, eu via antes de cravar.


Isso, Filipe. Tira do bloqueio.

Só que a fé fraquejou. Minha mente não conseguiu sustentar aquela vitória parcial. Eu não acreditava que nosso time estava ganhando do Souza Franco, que antes parecia ser tão superior. Daí, eu e o resto da minha equipe desandamos a errar e o máximo que arranjamos foi um tie break.

Mas o lance que me derrubou ocorreu antes. Conseguimos uma boa cortada, eles recepcionaram de maneira precária e o levantador só fez jogar a bola de forma aleatória para o alto. Daí, o melhor jogador deles veio correndo e gritando "aaaahhhhh!" pela quadra inteira. Naquele instante vimos que não convenceríamos nem como cosplays de gladiadores. Aquele sim era o Maximus. De uma bola tortíssima o cara extraiu uma cortada tão potente que nos surpreendeu o fato de não ter aberto uma cova na quadra.

O set decisivo chegou a estar 13 x 13, até errarmos um saque. Eles sacaram, recebemos bem a bola e o levantador a ajeitou no meio pra mim. Eu atacava pelas laterais e pelo meio, mas preferia mil vezes o meio. Era muito mais fácil porque havia mais espaço para olhar e cortar. Moleza.

Seria moleza se não significasse uma espécie de pênalti de Copa do Mundo nas minhas mãos. E sem um controle remoto bergkampiano. Dei as passadas prévias. Saltei faminto. Era tanta a vontade que descoordenei sutilmente o tempo do pulo com o da viagem da bola. Girei o braço com violência, mas acertei a bola apenas com os dedos. A esfera seguiu em altitude constante até o infinito e além (por infinito e além, entenda-se arquibancada).


Eu sei, meus detratores dirão que é 20º lugar...


NOVEMBRO DE 2010

Exceto pela estupidez de desperdiçar uma bola fácil por conta do descontrole emocional que culminou em excesso de vontade, no fim das contas fiquei feliz. Ao analisar das fraldas ao túmulo de minha vida esportiva como atacante de vôlei, seria uma extravagante auto-flagelação avaliar tudo com saldo negativo. Contudo, ser responsável pelo choro de alguns colegas de time provou que o único motivo por que eu poderia ser chamado de Homem de Gelo é de ter "gelado" na hora H.

O episódio até me ensinou que, se você é Roberto Baggio em vez de Rivaldo, é menos arriscado se profissionalizar na organização de letras em páginas de jornal.


xxx


MENSAGEM CARINHOSA AOS COLEGAS DE TIME: João Augusto, Maurício Salsicha, Rodolfo, João Paulo, Paulo Pretz, Miro e o resto...


FOI MAL

terça-feira, 9 de novembro de 2010

10 maneiras de ser respeitado no meio jornalístico



Mais cedo ou mais tarde o foca percebe que precisa de algo mais para imegir socialmente entre os novos colegas jornalistas. Ser legal não é suficiente. Ser bonita(o) serve, mas apenas para o sexo oposto - e às vezes para o mesmo, também. Ser muito inteligente causa discórdia. Para que o pobre neófito redacional não se sinta perdido ao adentrar no viveiro de cobras malcriadas da redação, eu ofereço aqui carinhosamente algumas dicas preciosas. Mas atenção: não me responsabilizo por eventuais efeitos colaterais.

1 - Seja escroto


Caso você ainda não saiba, ser bonzinho está totalmente fora de moda. Só é respeitável o jornalista que tem pinta de malvado e fala muito palavrão. É claro que poucos são maus de verdade, mas o importante é a aparência. Você nem precisa ser totalmente perverso; basta demonstrar um certo viés negativo, obscuro, como se estivesse perdendo a luta para não se deixar levar pelo lado negro da força.

Quando as pessoas olharem para você, não é necessário que vejam um psicopata completo. Meio psicopata já basta. Sua imagem deve deixar uma leve incerteza no ar sobre se você realmente tropeça velhinhas na rua, cuspiu no tapete do Papa ou peida em elevador cheio.


2 - Fale mal de tudo


É uma clara continuação do primeiro tópico: nunca algo estará satisfatório para alguém realmente malvado. No seu jornal, o pauteiro é burro, o editor é anta, o chefe é jumento, a empresa é uma Arca de Noé e os textos publicados são todos uns excrementos - exceto o seu e de um ou outro amigo próximo. Aliás, quando o seu texto sai ruim, a culpa é do editor. E se você é editor, obviamente, os repórteres é que são os analfabetos.

Se este procedimento for feito da maneira correta, em vez de ser execrado você será respeitado. Eventualmente poderá ser demitido, mas continuará respeitado.


3 - Use drogas


Não só as lícitas, seu bundão. Mas comecemos por elas. Encher a cara é elementar para interagir, de preferência tendo várias histórias hilárias de porres. Quanto maior o ridículo já passado por conta do álcool, maior respeito ser-lhe-á imputado.

Um dia desses conheci um antigo repórter da Província e do Diário perambulando como mendigo na rua, barba de noé, fala atrapalhada, mas frases coesas. Ele contou rápido sua história, citou muitos jornalistas que conhecia e no final, disse "perdi para a cana...". De súbito, me veio um respeito enorme por ele.

O cigarro também dá um certo ar de confiabilidade. Não se preocupe, ninguém olha para seu pulmão preto. E cada vez menos jornalistas se preocupam em negar o uso da maconha, já tão comum. O fininho é útil, pois dá um ar de guerrilheiro zapatista. Já outros entorpecentes não são assim muito necessários, mas se quiser usar, tanto faz. O que é um peido pra quem tá cagado?


4 - Tenha pose


No fundo, jornalistas se acham. No raso, têm certeza. Treine o olhar de Clark Gable, segure o cigarro com pose de atores dos anos cinquenta e mentalize "eu sou safo" como um mantra. Tudo isso ajudará a convencer os outros e você próprio do estupendo glamour da profissão. Você tenta se segurar, mas isso exala inevitavelmente do seu ser.

Sua pose deve mostrar o quanto você é mau. Na hora do trabalho, é interessante alternar momentos de gargalhadas em altos decibéis com olhares de seriedade profunda. Só não alterne demais os dois momentos, porque esquizofrenia e bipolaridade ainda não são desejáveis na redação. A não ser que você seja chefe, claro.

5 - Auto promova-se


 De vez em quando comece frases com expressões do tipo "quando eu ganhei o prêmio tal..." e "porque a minha manchete de ontem...". Jornalista não tem o menor pudor em se exibir. Em qualquer trunfo passe verniz, multiplique por três e propague com um certo tédio, como se já fosse corriqueiro na sua vida.

Em momentos que quiser mostrar sua humildade e modéstia, solte frases com a seguinte fórmula: "Fulano nunca ______(algo que você já fez) e já tá se achando". Por mais ridícula que a auto promoção soe, é incrível como funciona. É uma espécie de marketing pessoal extremo.

Óbvio que se você exagerar, vai acabar sendo mal visto. A não ser que seja chefe, claro. Chefe é sempre mal visto.

6 - Seja uma pseudo-enciclopédia


Seja metido a saber de tudo. Soltar jargões profissionais de qualquer área faz você parecer muito safo. Afinal, em poucos meses de labuta, qualquer estagiário já entrevistou macumbeiros, astronautas, artistas querendo aparecer, políticos querendo desaparecer, físicos nucleares, policiais torturadores e até acopladores de carga de caneta Bic. Basta escrever uma matéria especial sobre construção civil para o jornalista ganhar especialização em engenharia.

Assim, você sempre sabe um pouco mais do que todo mundo. Sobre qualquer fato relevante na política e economia, você é capaz de soltar "mas isso não é tudo" ou "tem muita coisa por trás disso que vocês não sabem...". Nunca revele o segredo, claro. Apenas deixe no ar que seu conhecimento sobre o tema tem a espessura e profundidade de um buraco negro alargado pelo Kid Bengala.

7 - Seja competente

De forma alguma chega a ser uma condição impreterível, mas até que ajuda. Mas atenção: só tem o efeito esperado se praticada em conjunto com as últimas duas dicas.


8 - Seja estranho


Jornalista não é muito normal e tem orgulho disso. A esquisitisse é uma forma de se diferenciar dos seres inferiores - tipo publicitários, marqueteiros e afins. Então aflore seu lado underground e regue sua genialidade incompreendida. Use roupas "originais", tenha seu próprio "estilo" e demonstre "personalidade", assim mesmo, entre aspas. Lembre-se: qualquer coisa diferente e de difícil compreensão tende a ser respeitada.




9 - Dê para alguém


Não é só dar uma vezinha. E também não é para qualquer um. Namorar um superior ou veterano de redação pode ajudar na interação com os demais colegas. Vale para relações homo e hetero, já que redações são apinhadas de viados. Se não funcionar para ganhar o respeito de todos, ao menos de seu par você já conseguiu.


Agora, se quiser sair dando para todo mundo, ninguém vai reclamar. Só temo que isso afaste você do objetivo deste post.

10 - Integre-se a uma


Essa aqui vale até para grupos de cefalópodes. Se depois de tudo isso você não ganhar a simpatia dos colegas, faça vestibulinho pra publicidade e seja feliz.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Eleições: Diabo versus Capeta




Eleições são a época com mais mentiras por cubo quadrado. Nem me refiro à lábia dos políticos. A grande lorotadadoca é tentar convencer o eleitor de que ele é capaz de mudar radicalmente o rumo do país: basta teclar a correta combinação de números na urna. Como se os candidatos fossem muito diferentes entre si.

Se ao menos um postulante a um cargo público eletivo tivesse três células sem o gene da maracutaia ou da estupidez, eu iria à Terra Firme (a mistura paraense de Bagdá com Freetown) vestindo uma cueca de ouro com a foto do candidato. Mas não há, infelizmente. Nunca poderei satisfazer essa minha fantasia sexual.

Não existe diferença gritante entre Dilma e Serra. A maior distância entre os dois é de quem serão os padrinhos beneficiados com cargos e jogos políticos, após a posse. Eu sei que têm passados distintos, vestem seus diferentes tipos de roupas de baixo e têm características capilares próprias. Poderia ser a eleição do Rocky Balboa contra o vírus Ebola pra vereador de Constantinopla, não adianta: quem chega ao poder segue o mesmo padrão de comportamento.

E se algum candidato vem com discurso muito diferente, é hora de rezar para que mude de ideia. E com fé, porque já funcionou com o Lula. Um passo para trás e você lamenta ter saído do lugar. Melhor estagnar a regredir.


 


Então por que tanto fanatismo político? Fácil: política é igual futebol. Cada um escolhe um time para só ver virtudes e coloca um filtro no cérebro pra detectar apenas defeitos alheios. Eleição é uma mera disputa entre agremiações. Embate de ideias é passado; o presente não passa de uma escaramuça para saber quem vai herdar a carniça.


E por que os candidatos são tão semelhantes? Porque somos todos parecidos. Por um cargo DAS, somos capazes de dizer que mudamos de candidato - ou mudamos mesmo -, colocamos propaganda no carro e vamos a carreatas com um poster do candidato no c*. Não é tão diferente das trocas de favores políticos que tanto criticamos. Os eleitos realmente representam o povo, por isso são tão corruptos quanto ele. Tão ou mais, dada a abundância de oportunidades na vida pública.

Juro que, no dia de eleição, saio de casa como alguém que vai comprar roupa em um brechó. A que está só manchada é melhor que a rasgada. Posso até voltar satisfeito, mas não vou a desfile de modas com nenhuma delas.

Portanto, não sejamos hipócritas. Votem em quem acharem menos ruim. Eu, por exemplo, se pudesse, votaria em um anão: dos males, o menor. Já votamos muitos nos filhos, então é hora de escolher as, digamos, putas. Não eleja quem faz na vida pública aquilo que faz na privada. E, acima de tudo, ignorem quem faz piadas velhas sobre esse tema.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A Problemática da Monotemática





Fixes tua vida em um só assunto e serás um chato. Sim, mais ou menos como destrinchei anteriormente, ao descorrer sobre tipos desagradáveis.

Todo mundo conhece alguémdo tipo que, no orkut, apenas com as cores do Flamengo, avatar do Flamengo, comunidades de famáticos pelo Flamengo e só falta uma foto com um pinto de borracha do Flamengo, cravado no orifício anal. Nada contra o Framengo. Ou melhor, várias coisas contra. Ah, vocês entenderam.


O que importa é que, tais pessoas monotemáticas são, na melhor das hipóteses, pessoas desinteressantes e de intelecto curto.

E o futebol não é o único alienador, como vi na fila de um show de metal progressivo em São Paulo, há pouco tempo. Antes de entrarmos no Creditcard Hall, eu e meus dois irmãos conhecemos um simpático paulistano. O clássico metaleiro que não curte nenhuma banda com menos de 20 anos de idade - a não ser aquelas que tocam exatamente como há 20 anos.

Já no começo do papo, meu irmão morreu de vergonha por eu ter revelado que ele assistira o show do Oasis. Com razão, claro. Numa fila para ver Dream Theater, alguém que gosta de Oasis merece arder numa fogueira com rebolation eterno. Mas, ao convencer que foi pro Oasis só por que minha mãe queria (papo furado), ele conseguiu escapar da inquisição metálica.

A conversa fluiu com temas do tipo Megadeath, Simphony X e Slayer. Às vezes, tinha uns trancos com Metallica (muito pop) e Angra (nacional?!), mas desandou de vez quando eu falei em Muse. Eu tinha que ter filmado a expressão do cara nessa hora. Me senti como uma freira flagrada dando pro padre. De quatro. No meio da praça.


Ah, odeio gente monotemática. A fissuração em um único assunto é pura pobreza espiritual. Se um dia colocarem uma bandeira de qualquer coisa no meu caixão, eu volto só pra puxar o pé do sacana de noite.

terça-feira, 30 de março de 2010

O Exercício da Boa Escrita



Ser escritor deve ser legal.  Tipo um sábio incompreendido que descarrega suas voltagens neuroniais numa genial sequência de letras. É aplaudido de pé ao descrever uma popozuda andando pela calçada. E quando todo mundo pede "mais um, mais um!", faz biquinho e não escreve mais nada.

Para fazer alguém pregar os olhos por horas na sua sequência de letrinhas, o escritor tem que ser safo. Quando eu era criança, não entendia como um adulto tinha orgasmos só de olhar páginas, ainda mais sem figuras! Ainda acho que meus leitores se atêm mais às figurinhas do que às letrinhas. É um fato comprovado por três pesquisas sérias sobre o assunto. E por mais umas tantas pesquisas gaiatas, também..


Não sei por que só olham para as figurinhas...


O passo fundamental para o aprendiz de Machado de Assis é pensar merda. Assim como um atacante chuta várias vezes para fora até acertar o gol, o escritor rumina bastante adubo antes de parir uma boa ideia. Um mestre da literatura, certamente, pensa em coisas inimagináveis. Mas se são inimagináveis, como é que ele pensa? Não sei, não sou um mestre da literatura.

O importante é que o papel só recebe o que passou pela mente. Antes de pescar algo original, vem muito sapato.


Uma arma indispensável é o backspace. Isso se estiver depois, claro. Antes, o mais indicado é o delete. Mas não se limite a eles. Shift e Ctrl ajudam na eliminação, em escala industrial, de fezes escritas. E quando o adubo abunda, não tem jeito, use a descarga virtual com Crtl + A + delete. Pois o bom escritor pode ter medo de pata de cobra, de pescoço caranguejo e de dente de papagaio, mas nunca de apagar algo que escreveu.

A pior parte é a organização, chata como arrumar um quarto. É um trabalho braçal negligenciado por muitos jênios da literatura. Por quê? Dá muito trabalho. É nessa hora que o aspirante a Machado de Assis - tipo, um Foice de Assis - desamola. Sem um trato nas suas letrinhas, meu caro blogspectador, você não será sequer um Canivete de Assis. Nem Eça, nem Aquela de Queiroz. Esqueça.

Por fim - mas longe de ser conclusivo sobre assunto -, eu noto que os bons textos têm ritmo, pulsação. Letras de Machados afiados correm sem fazer esforço, como uma música, enquanto uma frase chama pela outra. Fluem como o ânus desliza suavemente pelo tobogã do Beach Park. E, acima de tudo, não usam metáforas idiotas como essa.

Textos ruins são como ruas com lombadas calombóticas a cada três metros. Já um bom texto parece mais com um carro no ponto morto que, de leve, escorrega ladeira abaixo.

domingo, 7 de março de 2010

Quando Falta Assunto

 
O blogueiro, nas últimas semanas


O maior sinal de decadência de um escritor, colunista ou blogueiro é quando ele resolve discorrer sobre a falta de assunto. O mais interessante é que os maiores mestres da palavra já caíram nessa vala comum. A princípio tentei evitar, mas depois de descobrir isso, considerei até uma honra me lambuzar nessa lama, que nem um pretinho do mangue.

Afinal, decadência mesmo é deixar um blog um mês sem atualizações decentes. Ainda bem que eu nunca passei por isso.

Mas, pra quem já ficou tanto tempo sem postar em blog, é evidente que o principal inimigo é a falta de assunto - e seu cão de guarda, a falta de inspiração. A sabedoria diz que, se não há nada para falar, o melhor é não falar nada. Como blogueiro não é sábio, na ausência de tema, ele fala sobre o tema ausente.

Tecnicamente falando, a falta de assunto é um vácuo na caixa craniana, uma bolha de ar ocupando espaço de onde deveria haver cérebro. Então, em vez de pensar, o portador dessa síndrome imagina apenas nuvens, folha de papel em branco, algodão doce sabor baunilha e uma tela de 21 polegadas com uma página do Word em branco.

A bolha de ar costuma entra no cérebro pelos ouvidos. Sim, quem ouve muita fofoca e papos sobre preço de roupas acaba embranquecendo a massa cinzenta. Mas a audição nem é o principal causador desse mal, e sim a visão. Quase todos os pacientes portadores de cabeça de vento se tornaram assim por meio de atividades inúteis, dentre as quais, a campeã é zapear por horas pela internet. Em segundo lugar, assistir o Domingão do Faustão; no terceiro, dá empate técnico entre ver novelas e ler Paulo Coelho.



Nessas horas, é melhor pensar no pior. Ruim mesmo seria se fôssemos profissionais das idéias. Um roteirista de programa de TV, por exemplo. O que ele faz no caso de bloqueio criativo? É tão desesperador quanto um atacante que não faz gol.


Ex-BBB assediado por paparazzi


Funesta, mesmo, é a falta de assunto jornalístico. Nesses casos, o botão automático dos produtores, hoje em dia é falar de algum ex-BBB. Em 10 edições, a Globo vomitou uns 200 pseudo-famosos para ser destrinchados por repórteres desocupados.


Num encontro com uma garota, a dificuldade no desenvolvimento de um bom assunto pode ser desesperadora. Quanto mais se pensa em algo interessante, mais páginas em branco do Word vêm à mente. Por outro lado, o excesso de papo não é, necessariamente, positivo. Na metade final do encontro com a catiroba moça, se ela desembesta a parlar como uma matraca, é um sinal de uma linda amizade brotando. Mas, se, no momento certo, calam-se os lábios e sobe o som com um fundo musical Good Times, surge, então, a oportunidade para o silêncio continuar, no beijar das bocas. Romântico, né?

Não.

E você, meu caro blogspectador? O que fazer em desesperadoras circunstâncias de inexistência de assunto?