sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014



As redes sociais são um Maçaranduba que sai na balada esbarrando nos outros. Logo alguém olha torto e rola a PORRADA. Nessa brincadeira, tem gente que apanha de graça. Mas convenhamos, tem uns que até merecem uns cascudos. Né, Sheherazade?

Aliás, esse sobrenome escroto devia ser amarrado pelado num poste. E levar peia junto com todo mundo que vibrou com as torturas do Bope no Tropa de Elite. Companheiro, você aprovou execução sumária, não venha virar casaca agora. Bem vindo ao time da Sheylaescangalhada, vista aqui essa blusa listrada.

Convenhamos, ela é muito corajosa de falar o que pensa. Duvido que você, seu medroso bunda mole, sendo âncora de jornal, teria peito de proferir uma merda de mesmo quilate.

O pior de tudo é que a doida nem escreve bem, pode ver. Ela só junta uns clichês estilo bate-papo de feira com uma pitada de polemiquismo. E aí serve tudo com essa cara de adolescente contrariada. Só que dessa vez, a tampa do saleiro do polemiquismo tava frouxa e caiu tudo de uma vez.

Aposto que boa parte do linchamento à Shehazarada vem porque ela é evangélica, com jeito de paty metidinha. Outra razão é que ela avacalhou com o PT dia sim dia não. A Sheratanga já deu opiniões pertinentes, mas sabe como é, um escorregão e agora se ela casar com o Rafinha Bastos todo mundo espera que o filho seja o Chucky.

Mesmo assim, entre prós e contras, não dá pra negar que o principal motor dessa avalanche contra a pobre é fruto de uma legítima defesa coletiva de uma sociedade sem jornalismo, contra um jornalismo de ignorância sem limite.



Pra ver a opinião dela clique aqui:

http://rachelsheherazade.blogspot.com.br/2014/02/adote-um-bandido.html

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Um pouco mais de CENTENÁRIO DO PAYSANDU




O Paysandu só não tá no fundo do poço porque já cavaram um pouco mais. Só que centenário não é dia de pensar nisso. Imagina o cara comemorar mais um ano de idade e todo mundo ficar lembrando que ele tem câncer da pleura? Sai dessa, cara.

Agora é dia de pensar no tempo em que o time parecia o Super Mário com estrelinha de invencibilidade. Não interessa se atualmente a gente morre encostando em qualquer tartaruguinha. Tudo bem, interessa sim. Mas não hoje.

Hoje o Paysandu é o segundo maior campeão estadual do Brasil. Campeão dos Campeões, da Copa Norte. Bicampeão da segundona. Só falta ser Supercampeão da Copa Yamada de Cuspe à Distância, mas agora não dá. Ouvi dizer que tem que esperar ampliar a sala de troféus pra poder ganhar mais campeonato.

Domingo o Papão deu de 6x0 na comemoração dos 100 anos e virou líder do Parazão. Mas pensando bem, deixa isso pra lá. Centenário é para se comemorar os cem anos e não o centésimo. Vamos pensar em chute do Iárley, em cabeceada do Robgol. E esquecer que o Milton Neves virou bicolor.

Ninguém vai ignorar as botafoguices recentes, mas deixa isso ali atrás da porta um instantinho. Hoje é dia de recordar o que faz cada bicolor encostar tranquilo a cabeça no travesseiro. O consolo é: nenhum clube em um raio de dois mil quilômetros já alcançou - e nem alcançará - glórias maiores.

Isso sim é centenário.

sábado, 1 de fevereiro de 2014




A SAUDAÇÃO AZULINA

Com sangue nos olhos, Roberval fechou a porta e girou a chave no carro. Ele adaptara o Voyage para viajar no tempo, motivado pela mais pura antítese do amor. O ódio era não contra um; mas muitos. Mais especificamente, os torcedores de uma coisa cujo nome não pode estar no mesmo texto que o de Roberval, sob pena de ele ter um ataque epilético-psicológico.

A viagem de teste fora um sucesso. Quer dizer, nem tanto. Não foi lá muito genial a ideia voltar a 2004, já que na época o adversário ainda estava em alta. Nada grave. Se o plano desse certo, nem haveria mais adversário.

Motor ligado, pé no acelerador, rastro em flashes e Roberval volta a janeiro de 1914. Ele guardou o carro num mato perto da Doca e pegou carona de carroça para visitar conselheiros do Norte Clube. Os caras estavam indignados por que o time havia perdido a chance de ser campeão paraense de 1913. Em uma atitude moderna - mas sem apoio da Unimed -, os dirigentes tentaram o tapetão naquele ano, e nada. De raiva, começaram a organizar um clube novo.

O plano de impedir isso deu certo mais rápido do que o imaginado. Os mais fracos de mente mudavam de ideia por qualquer lanterna; o meio chato ganhava um MP3 player; o mais cabeça dura não resistia a uma câmera Polaroid cuspindo imagens instantâneas. Em três dias, esvaziou-se o ímpeto dos que queriam fundar outro time.

Estava tudo certo pra dar errado. Ou tudo errado pra dar certo.

Só que, um dia antes da votação, Roberval parou pra meditar e ficou mufino. Lembrou as grandes vitórias nos clássicos. Pensou nos rebaixamentos do adversário. Uma nostalgia o dominou ao recordar o Mangueirão abarrotado com as duas torcidas se provocando. Tentou se imaginar xingando torcedores do Norte Clube. Muito sem graça. Quando se deu conta de que, sem o rival não há tabu, uma lágrima escorreu. Não podia perder o prazer dos 33 jogos, a maior glória do time.

Então ele salta da cadeira e vai atrás dos conselheiros subornados. De um a um, diz que é para votar, sim, pela criação de um clube novo. Os caras ficaram sem entender, assustados. Nada que um Macbook Air não resolvesse e a manipulação no sentido contrário deu certo. A votação terminou a favor do novo clube e a turma se reuniu dia 2 de fevereiro para a reunião inaugural.

Melancólico, Roberval entrou no carro e voltou a 2 de fevereiro 2014, já planejando a próxima viagem. Passou numa farmácia pra comprar o purgante que colocaria na bebida do Castor, quando voltasse a 1996. Entrou em casa em silêncio e levantou a tampa do notebook. Logou no Facebook e postou:

"Parabéns pelo centenário, Mucuras"


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014



Tenho três irmãos que deram certo. Minha mãe teve quatro filhos, então a média tá ótima. Imagina o cara acertar 75% da prova? Passa em qualquer concurso. O atacante que arremata 3/4 dos chutes põe o Messi pra engraxar-lhe as chuteiras. Parabéns, mamãe. Não é um chute pra lateral que desmerecerá seu labor.

Sinto-me como um erro da Matrix. Aliás, se eu estivesse lá seria um problema. Nenhum cabo encaixaria no meu plug da nuca. Teriam que fazer gambiarra pra me conectar na Matrix. Aí eu ia entrar lá só pra querer ficar dando cambalhota no ar, vê se pode. Na primeira oportunidade os caras iriam diluir escondido a pílula azul no meu suco e me devolver à ilusão superficial da vida.

Sempre fui estranho - desde o tempo em era bem fora de moda, diga-se. Ainda assim, hoje, que é mais aceita, minha esquisitice está fora dos padrões normais de estranheza aferidos pelo Inmetro.

Mas calma que sou um estranho inofensivo, sob controle. Ser normal me exige esforço equivalente ao de segurar um peido. Aguento o necessário, me libero assim que der.

Já fui pior, minha loucura era institucionalizada. Fui sócio-criador da Associação dos Faladores de Merda do Colégio (Afomc), na 5ª série. Nossa missão era produzir textos com o menor nexo possível. Uma das obras primas - que dariam inveja a qualquer Djavan - foi autoria de um amigo de verborragia nonsense. Era uma página sobre nada, apenas com frases desconexas. Só lembro do final: "...celenteradamente falando sobre cultura afro-asiática".

Achei por acaso essa obra prima da poesia modernista, cinco anos mais tarde, e quase tive um ataque epilético de tanto gargalhar. Mostrei pro colega mais risonho da turma, no Ensino Médio, e ele olhou com cara de "e daí" e só sorriu por educação.

Tá vendo, mãe? Parabéns de novo. O cara era filho único e não deu certo.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014



Se o Faustão tivesse Facebook, ele sentiria orgulho da sabedoria que transmite do Domingão. A juventude brasileira desligou a TV aos domingos pra despejar merda na internet a semana toda.

O que já se teorizou sobre os rolezinhos dá impressão de que são compostos por teóricos do socialismo científico. Tipo o artista consagrado que solta um pum e é interpretado como um protesto contra floriculturas multinacionais.

Rolezinho é zoeira. Um multiplayer extended version 4.0 de se tocar a campainha e sair correndo. Zerar é rir da cara de assustado dos outros. Num país que pariu arrastões funciona que é uma beleza.

Interessante é que tem rolezinho todo dia no Shopping Castanheira e ninguém fala nada.

Deve ser divertido pra caramba participar. E uma tortura psicológica estar no outro lado. Os moleques deram cheque mate: ou os caras ignoram (deixam os consumidores apavorados, de vez em quando); ou agem de forma estabanada, como ocorreu. Uma reação era necessária, mas filtrar melanina na porta do shopping provavelmente não foi a melhor opção.



***

Também já dei meus rolês. Ainda criança, integrei o coral para o Caganalata. Ele era um sem-teto que usava o terreno baldio - vizinho ao meu prédio - pra esvaziar as entranhas intestinais. Legal que não fazia o cocô no mato; o cara se preocupava em acondicionar seu subproduto alimentar num recipiente metálico, daí o apelido. Só que, devido a nossa interrupção sonora (berros de "EI CAGANALAAATA!"), nem sempre seu o procedimento era concluído com êxito.

Como se já não bastasse a miséria, o coitado não tinha paz nem pra cagar. Se fosse hoje, então, a fabricação de torpedo dele estaria no Youtube. Mas a gente cresce e percebe que não precisa sacanear outros pra se divertir.

Seu sei que nessa idade ninguém é santo, mas o rolezinho pelo menos assusta barões. Já eu, carrego o sentimento de culpa de forçar o corte prematuro do rabo do macaco de um mendigo. 

Então, por favor me ajudem a achar o Caganalata. Compartilhem este post, vai que ele se deu bem e hoje tem Facebook.

Me ajudem a levar essa mensagem de carinho.

Caganalata, nós amamos você.

domingo, 12 de janeiro de 2014

No aniversário de Belém eu lembro de uma das cidades mais feias que já vi: Rio de Janeiro. O preibói que só anda pela Zona Sul já tá me achando doido. Mas manda ele passear pela parte de dentro da cidade. Vai ter vontade de baixar a calcinha da Elza Soares pra aliviar a vista.

Quando se fala de Rio de Janeiro, logo se pensa em paraíso, praias, mulheres semi-nuas correndo em câmera lenta. E uns tirinhos de fuzil viajando entre morros, também. Ou seja, oura propaganda.

Mas a verdade é que o Rio é um emaranhado de peças que não se encaixam, um Frankenstein. Alagamentos, assaltos, trânsito, morros e praias são o padrão. De vez em quando desce o estande do inferno e vira um caos. Tão Belém!

O Rio de Janeiro é uma Belém ao extremo. No nas belezas, nas agruras, no marketing. Se a gente tivesse um pingo dessa publicidade - e estrutura turística ao menos homeopática - Belém seria uma concorrente do Nordeste, uma Fortaleza Amazônica.

A gente não faz  nem o dever de casa mais básico, que é maquiar a cidade pra enganar uns turistas trouxas. Basta esconder a parte podre que as lindezas saltam à vista.

Se nem os gringos se agradam, que resta a nós, pobres moradores?

Falar mal de Belém

E visitar o Rio nas férias

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014



Reclamar do BBB dá tanto prazer quanto acompanhar BBB, aponta estudo. Mas pode ver que quase todo mundo que hoje desdenha do BBB já foi espectador assíduo de pelo menos uma edição.

Eu mesmo. Lembro nitidamente da euforia no começo e me apeguei aos nossos HERÓIS da segunda edição. A melhor até hoje foi a terceira, com o embate entre Alemão x Alberto, e um pano de fundo composto por Fani, Iris, Flavia e Natalia.

Continuei acompanhando de longe, com interesse decrescente, até a edição 11. Espiei tão pouco que nem consegui escolher um pra torcer. Só percebia quem era chato demais pra ganhar. Com o tempo, a figura mais insuportável da casa foi virando favorita. Cada palavra de Maria, a Louca, tinha o efeito de um coito interrompido, pra mim.

Exceto pela estética, Maria, a Louca, encarnava muito do que uma mulher precisa ter pra eu fugir na direção contrária. Num é possível que um cancro desse ganhe. E ganhou.

Meu tesão pelo BBB à época já tava meia bomba. Com mais esse golpe, não teria pílula azul que desse jeito. Vi minha mentalidade entrar em choque com a opinião pública. Não fazia mais sentido.

Além disso, saí da redação de jornal. As capas dos periódicos e os comerciais de TV eram quase toda minha fonte Big Brodeana. Hoje, o tema jaz no fundo do oceano da minha ignorância. Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe.

Mentira, num tenho raiva nada. Mas é que achei uma parada bem mais legal do que ver BBB: acompanhar as discussões cíclicas anuais entre defensores e detratores do programa. Funciona muito bem quando o debate do MMA (é esporte ou não?) perde o efeito.

Por exemplo agora.

#Partiu

ZZzzzzZZZZzzzzZZzzzzzz

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Esportistas sanguinários


Para antes de adormecer, recomendo a leitura de pessoas dizendo que MMA não é esporte. Porque esse tema me dá sono. Mas dei uma canelada em Morfeus para vir aqui humildemente pronunciar verdades irrefutáveis sobre o tema. Ê.

Bem, a tática de dizer que uma coisa que desgosto não se enquadra numa classificação maior é velha, reducionista, parcial e ignorante. É igual dizer:

- Tecnobrega não é musica

Há pouco mais de um século, quase todos os artistas falavam:

- Impressionismo não é arte.

Eu entendo que sua raiva seja tão grande que dizer "não gosto" não traduz toda a radioatividade que você carrega no útero. Mas, sei la, leia um livro de poesia do nosso Boca do Inferno, o Gregório de Matos. Ou use outra figura de linguagem que não o paradoxo. Porque essa sua lógica tá mais torta que umas canelas que já vi por aí.

Esportista atingido por tomate jogado pela torcida

MMA é esporte, segundo o Aurélio:

"Conjunto de exercícios físicos que se apresentam sob a forma de jogos individuais ou coletivos, cuja prática obedece a certas regras precisas e sem fim utilitário imediato; desporto: o esporte aperfeiçoa as qualidades físicas do homem"


Ai você diz "mas ah, esse não é o ~meu conceito~". Nesse caso, publique seu próprio dicionário.

MMA é muito violento, mas continua sendo esporte. Se não for, Jogos Mortais não é filme, Jackass nem se diga e o Tarantino é açougueiro. Normalmente, quem desclassifica MMA como esporte, também não gosta de Jogos Mortais, Jackass e Tarantino. Beleza.

MMA banaliza a violência? Sim. Um pouco mais que outros esportes como boxe, karatê e muai thay. A maioria dos espectadores vibra com sangue, mesmo. É a galera atraída por uma curiosidade pré-mórbida. Aquela mesma sensação de ir a uma feira de anatomia, achar horrível mas não querer ir embora.

Entendo quem acha feio UFC. Mas Happy Three Friends é bem pior. É um desenho animado com uns coelhinhos bonitos que sempre se dão mal. Terminam decapitados, dissecados, esquartejados, com sangue jorrando à Kill Bill. Happy Three Friends não é cartoon.

Sinta-se livre pra achar estúpido participar de MMA. Julgue moralmente. Diga que é um esporte horroroso de gente masoquista. Assine uma petição contra o canal Combate. Tudo bem. Mas vai continuar sendo esporte.





sábado, 28 de dezembro de 2013


Trabalhei sete anos no Liberal. Há dois anos, não pisava lá. Na época que me demiti, achei que seria uma amputação, um chute no saco. Que nada. Me senti livre como uma gazela saltitante aos pés do monte Hermon - ainda que mantida minha heterossexualidade intacta.

Enfim, foi libertador.

Durante o tempo ausente, não parava pra pensar sobre o assunto. Quando visitei a redação, um monte de lembranças e sentimentos represados caíram de uma vez.

Interessante como nada mudou, exceto pelo bebedouro, que hoje é mais elegante. Tem algumas caras novas, claro. A visita foi boa pra eu avaliar o tempo em que trabalhei lá. Foi sensacional. Redação é o melhor primeiro emprego possível. A gente aprende muito, se vê em situações escalafobéticas, entrevista doidos varridos, tem lições todo dia. Muito do que sou hoje, é mérito da redação. Como nem sou grandes coisas, imagina a merda que seria sem o Liberal, né?

Enquanto eu fazia a social com a galera, tive inevitável constatação: sete anos foi muito. Eu deveria ter saído antes.

Demorei por culpa da minha mente fraca na época. Eu achava que a circunstância tinha me jogado no impresso e dificilmente eu conseguiria mudar. Acabei me acomodando. Hoje, não me sinto mais vitima do acaso. Aprendi que quem vence na vida introduz um pinto no ânus do destino - metaforicamente falando, claro - e faz as coisas acontecerem.

Eu tava virando um funcionário publico. E hoje, que sou funcionário publico de fato, tô mais inquieto. Quero inventar, aprender outras coisas, mudar.

Resumindo, aprendi muito trabalhando no Liberal.

Mas aprendi mais ainda quando saí.

E já estamos trabalhando para que 2014 seja o ano mais maluco da minha história.

Agora confira comigo no replay a retrospectiva do Vai Filipe em O Liberal:

Passeando em Salinas 


 Pauta de comunidade
 Pauta nos furos de Icoaraci, atrás de argila
 Fazendo gols pelo time do Amazônia
 Dibrando todo mundo
 Lero lero com delegado
 Entrevistando celebridades
 Pausa para pose. Obrigado.
 Galera das antigas do Amazônia
 Maravilhosa matéria com base em boletim de ocorrência
 No fim do trabalho, a sagrada padaria.



terça-feira, 19 de novembro de 2013



É tipo a dança das cadeiras. Quando a música parou de tocar, todo mundo sentou, só PT ficou em pé. Como se o PT tivesse sido vítima de uma roleta russa. Todo mundo fazia as mesmas besteiras, mas calhou justamente de os petistas servirem de laranja na história.

É quase isso. A diferença é que o PT não se via como mais um partido. Fazia de tudo pra se proclamar o maior arauto da honestidade, o cavaleiro da pureza moral. Esse foi o problema.

Tipo a história do santarrão no meio de uma turma pra lá de promíscua. Enquanto a galera tá na suruba, beleza. Mas vai o crentão passar a mão na bunda de alguém... claro que a galera cai matando. Quanto mais você se auto proclama alguma coisa, mais os outros vão tentar achar brechas pra te desmentir.

Chega até a ser engraçado ver petistas procurando pelo em ovo, dizendo o Joaquim Barbosa é feio, foram cartas marcadas, um complô da mídia. Tipo um remista tentando se convencer de que o Paysandu é pior. Remo já foi melhor, hoje não é.

Em termos de futebol, esse paradoxo de argumentação nem incomoda tanto. Futebol é brincadeira. Só que, quando entra na política, o cara já fica parecendo esquizofrênico.

Petistas fingem não entender a razão de se admirar Joaquim Barbosa, depois da condenação de mensaleiros. É óbvio. Barbosão é petista, mas não colocou seu gosto político acima do seu senso de justiça. Votou no Lula e na Dilma, foi nomeado pelo Lula e não mostrou rabo preso com o partido que apoia. Isso deveria ser básico, corriqueiro, mas hoje é tão raro que até eu vou bem ali soltar uns fogos.

Voltei. Obrigado pela espera. Pois é, então se eu admiro a atitude do ministro, faço parecido com ele. Não é porque antipatizo com o PT que não posso reconhecer pontos positivos. E também não é por que gostei de uma atitude do Barbosão que eu vou ignorar as merdas que ele fizer.

Assim como a maior parte da população brasileira, eu tô empolgado com a prisão dos mensaleiros. Mas se isso não for só o primeiro de muitos passos pra se amputar muitos outros ratos de todos os outros partidos, a punição ao PT vai ter se tornado um dos maiores atos de corrupção da história.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Adeus ao ativismo de sofá


Você tem vontade de ajudar os outros mas nunca dá o primeiro passo? Se sente culpado de ser inerte diante do sofrimento no mundo? É um exímio ativista de sofá?

Tenho uma sugestão.


Existe uma pequena ONG que dá aulas de pré-escolar pra crianças de Icoaraci. É o Centro Social Nova Esperança (Cesne), que tem quatro funcionários responsáveis por 140 crianças do bairro do Paracuri. Os moleques têm refeições e aulas de verdade, lazer e um monte de coisa que a gente teve dos pais, mas eles dificilmente teriam se não fosse por doações.




Conheço o fundador, as fotos eu tirei em uma visitas à creche. O trabalho é sério, mas pesado. Os funcionários têm que ser pagos em dia, claro, com décimo terceiro e todos os direitos trabalhistas.

Sou sócio do Cesne. Tenho até vergonha de dizer que só dou com R$ 50 por mês. Tem gente que dá R$ 20, outros R$ 100, R$ 500. Por amor a cada uma das crianças, por amor aos pais delas, pra ajudar na educação delas, tenho certeza que R$ 20 não vão arrombar o orçamento de ninguém.

Ainda que não seja por amor. Mesmo que seja só pra poder reclamar do governo com mais propriedade. Só pra dizer que não ajuda em nada. Vamos lá.

Convido todos a conhecer o projeto. Uma oportunidade ótima vai ser no dia 30 de novembro, dia do Chá da Creche. O evento serve para arrecadar dinheiro para cobrir despesas de fim de ano. Também é oportunidade de divulgar o que foi feito durante o ano e falar das principais necessidades.

É um jantar leve. A comida é comprada e feita pelos mantenedores da creche. O valor do ingresso, R$ 25, vai inteiro para cobrir custos da ONG. Claro que esse não é o preço do jantar; é pura doação.

Eu vou lá.

Quem vai também?

Chegou a hora de compartilhar algo além de posts solidários.

Chá do Cesne:
Dia 30 de novembro, sábado
Hora: 18h30
Valor: R$ 25
Local: Salão da Igreja Batista Nova Esperança. Travessa Perebebuí, 2818, entre Almirante Barroso e João Paulo II

Dados do Cesne:
CNPJ: 34.639.815/0001-37
Endereço: Travessa Soledade, nº 25, bairro Paracuri, Icoaraci
CEP: 66810-070
Conta: agência 1672, c/c 49.230-2, 273 - Bradesco.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Um sofá para surfar



Quem é louco de abrigar um desconhecido em casa? Eu.

Não só eu. Sou apenas em milhares do site couchsurfing.org. Embalado pela filosofia fraterna, acabei de abrigar por cinco dias um canadense que eu nunca tinha visto na vida.

O começo foi estranhão, claro. Mas logo a presença do Hurly se tornou natural, como seria a de qualquer outro conhecido. No segundo dia quase falo "quem é esse canadense que eu mal conheço e já considero pakas?", só que ele não entenderia o contexto e daria muito trabalho de explicar em inglês.

Me senti com sorte por ter recebido o Hurly. Ele já foi hóspede ou hospedou desconhecidos por pelo menos 150 vezes, sem uma única experiência negativa. É quase um professor no assunto. Sempre diz que couchsurfing é muito mais do que só ter um lugar pra dormir; é uma troca de experiências culturais.

Tudo que ele não queria era dar trabalho e de vez em quando ainda lavava a louça. Seria injusto eu proibir, né não? E o objetivo dele não era sair tresloucadamente visitando a maior quantidade de pontos turísticos por dia. Ele queria conhecer o ritmo da cidade, entender como funciona o dia a dia e conquistar mais um continente à sua escolha daí, tirar conclusões comparativas.

Por exemplo, se um canadense tem um objeto esbandalhado, em vez de consertar, logo compra outro. Se o cara é assaltado, não faz a menor ideia de como se portar. Por lá a preocupação com um corpo sarado parece ser menor. E por aí vai.
Hurly na verdade é um canadense meio paraguaio. Não só por ter nascido nas Filipinas, mas também porque sente frio num ar condicionado a 17 graus. Poxa, o cara é cidadão canadense, acostumado a rolar de sunga no gelo, abraçar pinguim a 30 graus negativos. Vou reclamar no call center.

Outro problema ~gravíssimo~ é que ninguém acertava a pronúncia do pobrezinho. Hurly. É tipo rãrlhi. Um nome filipino talvez fosse mais fácil para não falantes de inglês. Whatever.

Só sei que foi firme. Tô até pensando no próximo azarado a aterrissar por aqui. Além de lavar a louça, acho que vai limpar o banheiro, varrer o teto, comprar pão e levar o cachorro pra cagar. Façam fila. Hóspedes com habilidades de cozinheiro têm mais chance.


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Crônicas de Nada: comprei um Iphone


Realizei meu sonho: comprei um Iphone.

Pode não parecer, mas é um sonho até poético. Sempre que olho o céu noturno, lembro do meu novo brinquedinho. Sério. É que a quantidade de parcelas que vou ter que pagar ultrapassa o número de estrelas.

Apesar de ter sido mais caro que um par de rins com uma pedra de crack dentro, tô tirando de letra pra quitar. Bastou-me deixar de almoçar. Com essa economia, sobrou até uns trocados pra eu comprar, estrategicamente, um aplicativo que conta o número de estrelas do céu.

E nem me olhem com essa cara feia que almoço diário nunca constou na lista de sonhos da classe média. Tudo bem que tenho sobrevivido apenas com a quantidade de calorias minima para não definhar por inanição, mas e daí?

Tá, eu admito que pneumonia não era o naipe de entrevero que eu esperava contrair. Mas antes que vocês chamem a ambulância, quero anunciar que essa pequena enfermidade está sob total controle, desde que baixei um aplicativo do Iphone que aumenta a quantidade de Células T no meu organismo.


Iphone é assim mesmo: a gente compra pra entrar na moda, mas acaba se apaixonando pelo que tem dentro mesmo. Aposto que não fui o único a conseguir salvar meu casamento depois de ter baixado um aplicativo que responde automaticamente a pergunta "onde você está" feita pela minha esposa no Whatsapp. Quase que eu estrago tudo porque demorei a perceber que eu podia configurar mais de um lugar como resposta, daí ela tava começando a achar que eu virei acionista da padaria da esquina.


As infinitas possibilidades trazidas pelos aplicativos me fizeram ganhar uma boa grana com essa área. Depois de alguns esboços, eu já tinha quase terminado o protótipo do gadjet que faz fotossíntese humana. Fui todo untado de clorofila pra apresentar o projeto à empresa que iria distribuí-lo, mas os caras lá não se ligaram muito na onda e preferiram investir em outra ideia minha: a do aplicativo que filtra posts poéticos no Facebook.

Além de conseguir voltar a comprar almoços, essa minha invenção me fez juntar um dinheirinho pra eu comprar - parceladamente, claro - um Ipad. Só ainda não achei um aplicativo que mostre a utilidade dele. Enquanto isso, voltei a olhar as estrelas do céu com um certo pesar no bolso.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Como puxar papo com semiconhecidas no Facebook





Havia um tempo em que ter muitos amigos adicionados em uma rede social conferia um certo status. Antigamente, antes de vocês terem trocado a fralda pela privada, o orgasmo da vida virtual era traduzido em uma frase: "PERFIL LOTADO: adicione o Perfil 2". Misteriosamente, contudo, quase todos os amigos do Perfil 1 queriam ser adicionados no Perfil 2, o que provocava a celebridade virtual a abrir um Perfil 3, e assim por diante. Pra parecer difícil, ainda havia o "só add com scrap", claro. Ninguém dá moral pra gente muito dada.

Embora essa ânsia por se sentir cercado de milhares de pessoas já tenha se dissipado tal qual um pum dado em um elevador lotado, um pouco dessa antiga rescendência ainda permeia os ares. Sendo mais claro: todos nós já adicionamos uma quantidade tal de semi-conhecidos no Facebook que se ficassem de mãos dadas iriam de São Brás até mais ou menos a Curva do Cupuaçu.

Não precisa se sentir culpado por isso, claro. É difícil estabelecer o critério exato pelo qual vale a pena adicionar uma pessoa.



Por exemplo:

- Fui a um aniversário e minha amiga apresenta uma colega, dois beijinhos e tchau. E aí? Adiciona no Facebook?

- Duas pessoas frequentam os mesmos lugares, têm uma multidão de amigos em comum e vivem se esbarrando por aí. É o famoso "a gente se saca". Add?

- Tem também o  caso da pessoa que a gente simplesmente não sabe de onde veio e aparece com um pedido de amizade no Feice. O que fazer?



Bem, não me venha com essa cara de totó perdido que você sabe muito bem, malandrão. E vai depender da qualidade do espécime alheio. Tipo, sua amiga apresenta a colega no aniversário, você pega nas mãos macias dela, beija a bochecha esquerda e, antes de chegar à outra bochecha, os olhos como que por um reflexo caem para o decote dela. Ao afastamento, aquela suave fragrância típica das concumbinas de Salomão que corriam nuas pelos campos verdejantes aos pés do monte Hermon. E aí? Nem espera chegar em casa: já adiciona pelo celular.

Beleza. Só que isso resulta numa certa gordura de amigos no Facebook. São mulheres que você stalkeará com avidez, por exemplo, à espera daquelas fotos de bikini que ela vai postar depois da viagem pra Salinas. Grandes merdas. Dificilmente vai conseguir sequer puxar um assunto pelo Facechat.

Para solucionar a questão, nossa equipe de pesquisadores se debruçou sobre o tema e, depois de 83 entrevistas com sabichões pegadores, frígidas, gurus do amor e solteiras no cio, elencamos as melhores formas de se aprochegar sem querer querendo.

Saca só:



10 - Olá, hoje é seu aniversário? Ah é que vi uma foto sua de bikini e, olha, tá de parabéns ein

9 - Preciso de uma ajuda no trabalho do colégio aqui, a professora mandou a gente fazer uma pesquisa e gostaria que você respondesse algumas perguntas. Tem namorado?

8 - tcvebunimo,ecaoeic foi mal esbarrei no teclado

7 - Setor de engenharia do Governo do Estado? Legal conheço uma pessoa que também trabalha aí no governo é a afilhada da prima da minha vizinha, a Josicléia, conhece? Ela é copeira da Escola Estadual São Josefino Barriga Branca logo ali em Jacareacanga do Oeste


6 - Oi, quer tcl?
 
5 - Tô fazendo um freela pro Caldeirão do Huck e minha função é achar as 10 mulheres mais bonitas do Facebook e aí então, vc conhece alguma?
 

4 - E a fulana ein? Pois é, nunca mais...

3 - Fala cara td blz e aí qual é a boa bora ver aquela comédia romântica no cinema ops janela errada


2 - Sei não mas segundo a súmula 103 do STJ corroborada pela jurisprudência mais recente, adicionou tem que conversar. Então e aí como vai?



1 -  Qual foi a pior cantada que você já recebeu pelo facebook? Tirando esta ehehhehehe

sábado, 15 de dezembro de 2012

Que turma é essa?!




A essa altura já percebi: vou sentir falta de muita coisa.

No começo da academia o clima era tão tenso que eu não achava que fosse dizer isso, mas tem um monte de coisa de que vai deixar saudade, assim que pisar no avião pra sair de Brasília.

Vou sentir falta das disputas entre linha um e linha dois do tiro. Das rodinhas de piadas dos cariocas, que faziam minha barriga doer de tanto rir. Das comparações absurdas que fazíamos, entre pessoas da sala e imagens de slides e vídeos das aulas. “Olha lá o anjinho”, diria o Mariath.

Vou sentir falta das piadas. Até das piadas forçadas. Sobre gaúchos, sobre os conhecimentos elétricos do Damasceno, sobre o Alves perguntando “quem vai cozinhar?”. A primeira vez das piadas era muito engraçada, mas as repetições infinitas pareciam ser uma busca ardente por criar um clima mais brando, entre tantas regras, rankings, proibições, incertezas que nos cercavam.

Vou sentir falta dos brados engraçadíssimos nos deslocamentos, do recuo da MP5, das papis bonitas, dos luaus malucos (que infelizmente elas nunca participavam), dos desenhos do Karam. De ouvir coisas tipo “professorrrr”, “aíeh galiera”, “aí gurizada”, “ei cagalhão”, “ô meo” e “booooa professor!”.

Não vou sentir falta de tudo, claro. Não vou sentir falta do arroz e feijão, que parecem ter sido cozidos uma vez em quantidade suficiente pros quatro meses e requentado diariamente pra gente. Nem do bife, que às vezes tinha a consistência da sola de um coturno. Mas vou sentir falta do salmão. O macarrão era quase sempre muito bom. A feijoada de sexta também.

Não vou sentir falta da impressão de morte iminente de cheirar o gás lacrimogêneo. Mas vou sentir falta da sensação que vem depois, de vitória, de me sentir capaz, de me sentir cada dia mais cascudo.

Não vou sentir falta da agonia de ver um colega da turma estar a um passo de ser desligado do curso. Mas, com certeza absoluta, uma das coisas que mais me farão falta é a alegria de ver esse mesmo colega vencer, e a satisfação de ver a turma unida em torno de um objetivo. Depois desse dia a turma Eco nunca mais foi a mesma.

No fim das contas, chego à conclusão de que, quase tudo que me fará falta na ANP, vem de vocês. A maior parte de tudo que vivi de bom, de tudo que me fez sorrir nos últimos quatro meses, foi meio da convivência com colegas e amigos que fiz aqui dentro.

Eu sei que se tornou repetitivo falar isso, mas sinto um imenso orgulho de ser considerado um de vocês. Me sinto como um irmão adotivo, que no começo causa uma certa estranheza, mas logo passa a ser como um irmão de sangue. Sou um de vocês.

***




Desde que me caiu a ficha, durante discurso do ministro da Justiça, da batalha que havia finalizado, fiquei engasgado, até o resto do dia. É aquele choro represado, que a gente fica esperando a melhor hora de deixar escorrer. Deu vontade durante os discursos; também ao fim da cerimônia, nos brados espontâneos da academia inteira; de novo lá na sala, nos abraços de despedida; mais uma vez ao esvaziar o alojamento, entrar no carro e ver a academia passar, olhando o asfalto e lembrando de quando corríamos em pelotão. Chorar mesmo, só quando cheguei em casa.

O resto do dia foi um turbilhão de memórias me rondando. Interessante que eu citava como me sentia e ninguém parecia captar sequer uma fração. “Ah é? Legal”, era o que se respondia, diante da tentativa falha de me expressar.

O sábado foi um daqueles dias que a gente sente saudade por antecipação. Tivemos pelo menos outros quinze sábados sem sentir um pingo de falta. No último, dói, porque a gente se acostuma com o convívio. Dói porque pessoas são insubstituíveis. Dói porque são 37 que, provavelmente, nunca mais estarão juntas ao mesmo tempo.

Mas é sempre assim. A academia é uma catapulta. Junta-se um grupo de todos os cantos do país para que fiquem quatro meses juntos e, depois, dispersa-se o grupo para mais longe ainda. Sorte de quem vai junto. 

Vai ser bom estar em Guaíra, Cuiabá, Porto Velho...

É isso. Equipe é equipe, está sempre junta, mesmo longe.

E quando perguntarem "que turma é essa?", soltem aquele grito:

ECO!