sexta-feira, 12 de março de 2010

Mulher Pelada e Minha Retrogradação

Capa da Playboy de 1894


Eu sou um velho antiquado. Descobri essa semana. O que eu chamo de pudor é visto por aí como uma bengala psicológica em desuso desde 1895. Sou retrógrado em relação às principais cabeças não pensantes da mudernidade. Me sinto uma mistura de aiatolá xiita com, sei lá, um aiatolá sunita.

Pra mim, é difícil encaixar uma mulher de respeito na capa da Playboy. Bem, na capa até que vai, caso ela tenha sido sedada com um "boa noite cinderela" ou forçada com uma arma na cabeça. O que não dá para engolir é a rapariga com a xereca exposta na parte de dentro da revista, querer me convencer que é uma mulher de valor.

Sou do tempo em que aparecer pelado para todo mundo era uma vergonha e o convite da Playboy era uma variação criativa do Topa Tudo por Dinheiro. Hoje em dia, a nudez é motivo de orgulho. Quando meus filhos estiverem grandinhos, presumo, será obrigatório. Ganharão pontos se comprovarem ter fotos nuas publicadas em periódicos de grande circulação.


Ter uma filha aí é o sonho de qualquer pai, né não?


Antigamente, quem posava na Playboy emitia sinais de vergonha e desconforto. Algumas se arrependeram, mais tarde. Hoje em dia, por ânsia de fama, imploram para todos comprarem as revistas e só faltam prometer autógrafo no p** - apenas os enrijecidos, claro - de quem for no lançamento.

A mulher pelada na Playboy (o mesmo serve pra homens na G Magazine, também) está no meio do caminho entre a moça de respeito e a prostituta. Na Playboy, ela vende sua imagem para satisfazer os instintos masculinos, só visualmente. Para o mesmo fim, a quenga vende o corpo na zona. A única diferença é que, adicionado o fator tátil nesse segundo caso, o atendimento é VIP.

É claro que as coelhinhas da preibói têm uma justificativa bonitinha. Se escondem sob o inegável valor artístico dos ensaios fotográficos para lobotomizar a consciência e poder embolsar a grana. Nesse caso, seria melhor pagar por um ensaio pessoal, sigiloso. Porque a verdade, minha cara amiga langomorfa, é esta: sua revista será, certamente, folheada por apenas uma mão.

6 comentários:

Anônimo disse...

"pousar" é sacanagem.. quem pousa é mosca, mas tá perdoado.

Filiblog disse...

ahahaah q horrível

devidamente corrigido, valeu

Priscila Monteiro disse...

Adorei! Pensei que essa opinião fosse exclusivamente minha.
Vindo de um homen então?! que bacana!
Mais um motivo para deixar bem claro que não é despeito, talvez preconceito, mas uma questão de pudor, caráter... aaaah sei lá!

Cristina F. disse...

Gostei MUITO desta postagem e concordo com ela. Acho que se a pessoa acha prostituição uma forma válida de ganhar dinheiro, então assuma-se como profissional do sexo de uma vez e pare com esse besteirol de "nu artístico." Ganhar dinheiro para ir para a cama é apenas o serviço completo. Posar para fins sexuais está na mesma esfera profissional: venda de prazer.

Sobre o mesmo assunto já escrevi duas vezes em meu blog. Numa delas eu disse que... Ah, vá lá e dê uma checada:

1) http://cadeaminhavida.blogspot.com/2008/07/eu-pelada-na-playboy.html

2) http://cadeaminhavida.blogspot.com/2009/04/scheila-carvalho-e-toni-salles-um-casal.html

Marina Magalhães disse...

Que machista! Tudo bem que as coisas (leia-se a xereca e cia) estão escancaradas demais, o que acaba vulgarizando uma coisa tào bonita e natural como a nudez. Mas puritanismo também, não dá. Julgar caráter de alguém por isso? Há outros pudores bem mais importantes que estão sendo deixado de lado junto com as roupas.

Anônimo disse...

Acho q vc é viado...